Uma cidade da Noruega passa quase seis meses sem receber Sol direto, então três espelhos instalados 450 metros acima da praça acompanham o céu por computador e devolvem uma área iluminada de cerca de 600 m² ao centro
Uma cidade da Noruega passa quase seis meses sem receber Sol direto, então três espelhos instalados 450 metros acima da praça acompanham o céu por computador e devolvem uma área iluminada de cerca de 600 m² ao centro
Três heliostatos instalados na montanha redirecionam a luz solar para uma praça que passa meses escondida na sombra do vale
No fundo do estreito vale de Vestfjord, na Noruega, Rjukan passa grande parte do inverno sem receber luz solar direta no centro porque as montanhas ao sul bloqueiam o Sol quando ele permanece baixo no horizonte. Para contornar essa geografia, os espelhos de Rjukan foram instalados na encosta cerca de 450 metros acima da praça e passaram a refletir uma mancha de luz de aproximadamente 600 m² sobre o centro da cidade.
Por que os espelhos de Rjukan foram necessários durante o inverno?
Rjukan está encaixada em um vale orientado aproximadamente de leste a oeste e cercado por encostas íngremes. Durante os meses mais escuros, a trajetória baixa do Sol faz com que as montanhas impeçam seus raios de alcançar diretamente o fundo do vale. Fontes locais descrevem um período sem Sol direto que vai aproximadamente do outono até março.
Isso não significa que a cidade permaneça totalmente escura durante seis meses. Existe claridade diurna, mas a radiação solar direta não chega ao centro por longos períodos. A diferença é justamente o que tornou possível o projeto: havia Sol incidindo nas partes altas das montanhas, embora as ruas e a praça permanecessem na sombra.
Como três espelhos conseguem acompanhar o Sol e iluminar a praça?
O sistema é formado por três heliostatos, nome dado a espelhos capazes de mudar continuamente de orientação para acompanhar o movimento aparente do Sol. Cada espelho possui cerca de 17 m², totalizando aproximadamente 51 m² de superfície refletora. Um sistema computadorizado ajusta o posicionamento para manter os raios direcionados à praça.
Instalados a 742 metros acima do nível do mar e aproximadamente 450 metros acima da Rjukan Torg, os espelhos transformam uma superfície refletora relativamente pequena em uma área luminosa muito maior no solo. A projeção resultante tem formato aproximadamente elíptico e ocupa cerca de 600 m².
Três heliostatos controlados por computador.
Cerca de 17 m² de superfície em cada espelho.
Aproximadamente 51 m² de área refletora total.
Cerca de 450 metros de diferença de altura em relação à praça.
Mancha de luz com aproximadamente 600 m².
Este vídeo mostra o funcionamento dos espelhos e a luz refletida para o centro de Rjukan.
Quando surgiu a ideia dos espelhos de Rjukan?
A ideia é muito mais antiga que a tecnologia usada atualmente. Em 1913, o contador Oscar Kittelsen propôs um “espelho solar” para Rjukan, e pouco depois Sam Eyde, fundador da cidade industrial e da Norsk Hydro, também defendeu um sistema que pudesse proporcionar luz solar aos moradores durante o inverno.
A tecnologia disponível naquele momento não permitiu executar o projeto. Em 1928, outra solução entrou em operação: o teleférico Krossobanen, criado para levar moradores montanha acima, onde era possível encontrar Sol durante o inverno. A ideia dos espelhos só seria retomada muitas décadas depois pelo artista Martin Andersen.
Por que o projeto só virou realidade cem anos depois da primeira ideia?
Martin Andersen recuperou a proposta em 2005, quando sistemas de controle computadorizado, motores precisos e tecnologias modernas de acompanhamento solar já permitiam construir heliostatos capazes de direcionar a luz para um ponto definido. O projeto foi finalmente inaugurado em 30 de outubro de 2013.
A solução mantém a essência da proposta imaginada um século antes, mas depende de tecnologia moderna para funcionar. O material oficial de turismo de Rjukan explica que os três espelhos acompanham o movimento do Sol e direcionam continuamente seus raios para a praça central.
Em Rjukan, três heliostatos controlados ajustam continuamente sua orientação para manter a luz solar refletida sobre a praça central
Quais números explicam o funcionamento dos espelhos de Rjukan?
A instalação fica a aproximadamente 742 metros acima do nível do mar. Cada painel refletor mede 17 m² e os três juntos alcançam 51 m². Apesar disso, a luz projetada no centro se espalha por uma elipse muito maior, com cerca de 600 m² de superfície.
Segundo as informações técnicas divulgadas pelo VisitRjukan, a intensidade da luz refletida sobre a praça corresponde a aproximadamente 80% a 100% da intensidade captada pelos espelhos, dependendo das condições. O sistema não cria energia solar: ele apenas redireciona parte da luz disponível nas montanhas para uma área que permaneceria na sombra.
Característica
Dado
Número de espelhos
3
Área refletora total
51 m²
Altura sobre a praça
Cerca de 450 m
Área iluminada
Cerca de 600 m²
Os espelhos realmente devolvem o Sol para toda a cidade?
Não. O projeto ilumina uma parte específica da praça central, e não todo o vale. A mancha de aproximadamente 600 m² é pequena diante da área urbana de Rjukan, mas permite que moradores e visitantes experimentem luz solar direta em um ponto do centro enquanto grande parte da cidade continua sombreada pelas montanhas.
Essa limitação é justamente o que torna o sistema tecnicamente interessante. Em vez de tentar iluminar uma cidade inteira, os heliostatos concentram a luz num espaço público definido. Cem anos depois da primeira proposta, Rjukan transformou uma característica inevitável de sua geografia em um projeto que mistura engenharia, arte pública e identidade local.
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