Augusto Cury vira o candidato de quem quer paz
Psiquiatra, que se apresenta como escritor na urna, consegue espaço na terceira via com menções a Jesus e Tolstói e sem agressividade
O escritor e psiquiatra Augusto Cury (Avante, foto) surpreendeu o mundo político ao aparecer em terceiro lugar na corrida presidencial em duas pesquisas nesta segunda-feira, 31.
O levantamento BTG/Nexus, no qual o candidato surgiu com impressionantes 8% de intenções de voto espontâneas e 11% no cenário estimulado, dá mais detalhes sobre a disparada, e o perfil de seu eleitor indica que Cury parece estar virando o candidato de quem quer paz entre os polos políticos.
Ele está empatado tecnicamente com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entre os eleitores não polarizados, com 21% para o filho de Jair e 19% para Cury — a margem de erro da pesquisa, que ouviu 2.005 eleitores de 28 a 30 de agosto, é de dois pontos percentuais.
Ambos estão atrás apenas de Lula, que tem 33% nesse eleitorado. Entre os eleitores anti-Lula e anti-Bolsonaro, Cury também tem 19%, atrás apenas do petista (25%) e do senador (26%).
Para os eleitores que têm Bolsonaro como alternativa, Cury chega a 26% de intenções de voto, também empatado tecnicamente com Flávio (29%), e à frente de Lula (15%).
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Jesus e Tolstói
O candidato do Avante abriu sua sabatina no Jornal Nacional mencionando Jesus Cristo como inspirador do escritor russo Liev Tolstói, do pacifista indiano Gandhi e do ativista americano Martin Luther King.
E ele não mencionou Flávio ou Lula na entrevista, ao contrário do que fez Renan Santos (Missão) no debate da Band. O líder do MBL levou fraldas para destacar a ausência dos dois e Cury chamou a atenção do adversário pela agressividade, que é de fato uma estratégia de Renan.
Naquele debate, Cury virou busca no Google: os eleitores queriam saber se ele era de esquerda ou de direita. Na sabatina da TV Globo, o psiquiatra disse que tem a mente “capitalista”, mas que seu coração é “social”, pois “escuta a dor humana”.
A julgar pela disparada de Cury, a estratégia a agressividade parece ter um limite claro na eleição deste ano. O influenciador Pablo Marçal, que agitou a campanha pela Prefeitura de São Paulo em 2024 e ainda tenta se viabilizar formalmente como candidato presidencial, apareceu com apenas 1,9% das intenções de voto na pesquisa AtlasIntel.
A porção dos brasileiros que cansou da polarização entre Lula e Bolsonaro e quer paz parece ter encontrado um candidato em Cury. Mas ainda é preciso saber se há mais de 11% do eleitorado interessado nisso — e disposto a apostar na incógnita de um candidato de primeira viagem.
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