Uma fortaleza de barro cresceu no cruzamento de rotas do deserto e um terremoto destruiu grande parte dela em poucos segundos
Monumento de barro no Irã revela técnicas milenares de irrigação subterrânea e desafia os impactos de sismos devastadores.
No cruzamento de rotas comerciais no Irã, a cidadela de Bam expandiu-se como um monumento de terra batida e adobe. A estrutura sofreu forte destruição no terremoto de 2003, mobilizando esforços internacionais para a preservação de sua arquitetura histórica.
Como a cidadela de Bam se desenvolveu no deserto?
A origem do povoamento urbano na região remonta ao período da dinastia aquemênida, crescendo ao longo da antiga rota da seda graças à sua posição geográfica altamente estratégica. O complexo fortificado transformou-se em um vital centro comercial, abrigando milhares de habitantes protegidos por espessas muralhas de barro.
A construção do complexo utilizou materiais locais abundantes compostos por solo argiloso, palha seca e troncos de palmeira, formando uma massa térmica eficiente contra o clima árido. Essa arquitetura vernacular permitiu o contínuo florescimento da cidade fortificada durante séculos nas margens do deserto iraniano.

Na tabela abaixo, consta um resumo comparativo das principais fases históricas da fortificação:
Quais sistemas permitiram a sobrevivência na região árida?
A manutenção da vida em um ecossistema estritamente desértico dependia de canais subterrâneos conhecidos como qanats, que captavam e transportavam água de lençóis freáticos distantes. Essa complexa engenharia hidráulica garantia um suprimento hídrico constante para a população urbana sem sofrer perdas significativas por evaporação solar direta.
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Além do fornecimento hídrico, a arquitetura integrou elevadas torres de vento direcionais para proporcionar refrigeração natural aos edifícios da antiga cidade fortificada de Arg-e Bam. O cuidadoso planejamento urbano maximizava o fluxo de ar fresco e protegia os moradores contra fortes tempestades.
A seguir, constam os principais elementos técnicos que viabilizaram a habitabilidade do sítio histórico:
- Qanats: galerias subterrâneas projetadas para o transporte de água potável.
- Badgirs: torres de captação de vento voltadas para o resfriamento passivo.
- Muralhas de adobe: estruturas densas para isolamento térmico contra o calor.
- Cisternas profundas: reservatórios protegidos para o armazenamento de recursos hídricos.
Quais foram os impactos do terremoto de 2003 na estrutura?
Em 26 de dezembro de 2003, um violento sismo de magnitude 6,6 atingiu a região e destruiu aproximadamente 80% de todas as edificações de terra. A rigidez dos blocos secos sem reforço estrutural moderno provocou o colapso quase instantâneo de diversas paredes e abóbadas históricas.
A tragédia humana e material mobilizou autoridades internacionais e levou a UNESCO a incluir imediatamente o local na lista de patrimônios mundiais em perigo. O desastre evidenciou a extrema vulnerabilidade de monumentos milenares construídos em argila diante de episódios tectônicos intensos.
Como funciona o processo de reconstrução do patrimônio?
A restauração do complexo arqueológico mobilizou equipes multidisciplinares de arquitetos, historiadores e engenheiros internacionais focados na conservação rigorosa das técnicas construtivas originais. Os especialistas estabeleceram a produção artesanal de tijolos de terra com fibras vegetais para assegurar a máxima fidelidade estética e física.
Simultaneamente, os projetos modernos aplicaram reforços estruturais internos e discretos para elevar a resistência dos edifícios contra novos abalos no Irã. Esse esforço contínuo transformou o sítio histórico em uma referência global para a conservação e recuperação de patrimônios construídos em terra.
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