O instrumento que proporciona à NASA a escuta mais nítida do espaço interestelar não foi construído para essa função
Como a NASA escuta o espaço interestelar com um rádio esquecido?
O espaço interestelar quase ficou mudo quando o equipamento principal da missão pifou rumo ao desconhecido. Por sorte, um rádio antigo continuou ligado na sonda Voyager 1 e captou o exato momento em que deixamos o nosso sistema solar para trás de uma vez por todas.
Por que o sensor original parou de funcionar na viagem?
O plano inicial da NASA era usar o aparelho de Ciência de Plasma, criado pelo MIT nos anos 1970, para medir a densidade dos ventos solares. A ferramenta fez um trabalho de primeira nas visitas aos planetas gigantes em 1979 e 1980, mas depois começou a falhar de vez.
Sem alarde, a peça pifou oficialmente no ano de 1980 e a equipe decidiu desligar tudo em 2007 para economizar a pouca bateria que restava. A galera não imaginava que essa perda ia forçar a agência a improvisar lá na frente.
Qual rádio antigo salvou a comunicação da missão?
A salvação surgiu do equipamento de Ciência de Ondas de Plasma, construído pela Universidade de Iowa para escutar ruídos rápidos perto de Júpiter e Saturno. Como desligar o item não pouparia tanta energia na navegação, a equipe simplesmente largou o aparelho ligado por preguiça.
Esta tabela compara as funções dos dois sensores da nave.
Como a equipe notou que a sonda cruzou a fronteira?
Os detalhes divulgados pela Space Daily mostram que uma tempestade solar viajou por meses até balançar os elétrons ao redor da nave. Em abril de 2013, o rádio velho captou esse barulho com uma densidade 40 vezes maior do que a nossa região segura.
Isso significa que a sonda finalmente ultrapassou a heliosfera, a bolha gigante que o Sol sopra para proteger nosso sistema. Quando o vento solar perdeu a briga para o gás de fora, a nave mudou de vizinhança de forma oficial.
O que exatamente o aparelho escuta no espaço interestelar?
O gás que flutua entre as estrelas vibra em uma frequência que vai de centenas a milhares de hertz, um som que o ouvido humano capta sem problemas. Os cientistas não precisaram mirar a antena para um lugar específico, bastou deixar a peça solta para pescar as ondas no escuro.
Estas são as três etapas que fizeram o áudio chegar aos pesquisadores:
- O Sol lança uma tempestade de energia que viaja por muito tempo.
- A onda de choque bate nos elétrons densos da parte de fora da galáxia.
- O rádio esquecido capta a vibração e manda os dados de volta para a base.

Quando a missão realmente mudou de fase no universo?
A maior ironia da história é que a agência só recebeu os dados muito tempo depois que o evento já tinha rolado no vácuo. O sinal da tempestade solar demorou meses para bater na carcaça metálica da nave e voltar.
Cruzando as informações de dois estrondos, a equipe cravou que a passagem rolou no dia 25 de agosto de 2012, mais de um ano antes da ficha cair na base. A tecnologia velha fez o serviço no próprio ritmo e entregou um marco gigantesco para a história espacial.
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