No deserto africano, um trem de minério pode se estender por cerca de 2,5 quilômetros e atravessar centenas de quilômetros de areia enquanto alguns passageiros fazem a viagem inteira sentados diretamente sobre vagões carregados de ferro
A ferrovia entre Zouérat e Nouadhibou transporta minério pelo Saara e também funciona como ligação vital para comunidades isoladas
No norte da Mauritânia, uma ferrovia construída para escoar minério atravessa centenas de quilômetros do Saara entre as minas de Zouérat e o porto de Nouadhibou. O chamado trem de minério da Mauritânia pode alcançar cerca de 2,5 quilômetros de comprimento e carregar mais de uma centena de vagões. Além da função industrial, ele também virou uma ligação essencial para comunidades isoladas ao longo da rota, embora viajar nos vagões abertos envolva poeira intensa, frio e riscos reais.
Como funciona o trem de minério da Mauritânia no meio do Saara?
A ferrovia é operada pela mineradora estatal SNIM e liga a região mineral de Tiris Zemmour ao terminal de minério em Nouadhibou, na costa atlântica. O relatório anual de 2024 da empresa informa que a linha possui mais de 700 quilômetros e representa uma parte estratégica da cadeia de exportação de minério de ferro do país.
As composições transportam minério extraído nas proximidades de Zouérat até os navios que fazem a exportação. Dependendo da formação, o trem pode passar dos dois quilômetros de extensão. O órgão oficial de turismo mauritano cita composições próximas de 2,5 quilômetros, com cerca de 200 vagões e várias locomotivas.
Por que moradores viajam em cima dos vagões carregados de minério?
A ferrovia atravessa uma região enorme e pouco povoada, onde alternativas de transporte terrestre são limitadas. Por isso, o trem passou a funcionar também como ligação entre localidades do deserto. Reportagem da Reuters registrou passageiros e trabalhadores utilizando os trens da SNIM, enquanto a Al Jazeera documentou moradores viajando nos vagões para visitar familiares e transportar mercadorias.
A experiência nos vagões de minério está muito distante de uma viagem convencional.
- Passageiros ficam expostos diretamente ao vento e à poeira.
- O minério de ferro cobre roupas, bagagens e pele com partículas escuras.
- Não há assentos ou proteção nos vagões abertos de carga.
- Temperaturas podem variar fortemente entre o dia e a noite.
- A duração pode se aproximar de 20 horas dependendo da composição e das condições da viagem.
A National Geographic acompanhou uma dessas jornadas pelo Saara e mostra tanto a escala do trem quanto a experiência dos passageiros que utilizam a ferrovia.
Quanto mede o trem de minério da Mauritânia quando está totalmente formado?
Não existe um comprimento absolutamente fixo para todas as composições. A Reuters registrou trens de cerca de dois quilômetros, enquanto o turismo oficial mauritano e documentários sobre a ferrovia descrevem formações que chegam aproximadamente a 2,5 quilômetros. A National Geographic cita ainda composições próximas de 1,8 milha, ou cerca de 2,9 quilômetros.
Essa variação ocorre porque o número de vagões muda conforme a operação. Mesmo tomando a estimativa conservadora de 2,5 quilômetros, observar a composição inteira no deserto significa acompanhar uma sequência de vagões que pode desaparecer no horizonte antes que a locomotiva esteja próxima.
Como é enfrentar poeira, calor e frio durante tantas horas?
O ambiente é um dos elementos mais difíceis da travessia. Durante o deslocamento, vento e partículas de minério atingem diretamente quem permanece nos vagões descobertos. O próprio órgão de turismo da Mauritânia recomenda proteção contra o vento e, durante a estação mais fria, roupas quentes e saco de dormir para quem pretende realizar a travessia.
A diferença entre as temperaturas diurnas e noturnas no deserto pode tornar uma jornada longa particularmente desconfortável. Relatos documentais também mostram que passageiros improvisam proteção com tecidos, cobertores e bagagens. Viajar sobre a carga não deve ser confundido com um serviço turístico estruturado ou isento de riscos.

Por que o trem de minério da Mauritânia é tão importante para o país?
A ferrovia foi criada essencialmente para a mineração. Segundo a agência oficial de promoção de investimentos da Mauritânia, a linha de aproximadamente 704 quilômetros conecta Zouérat ao porto de águas profundas de Nouadhibou e funciona como principal corredor terrestre para as exportações de minério de ferro.
Mais informações sobre sua importância econômica aparecem no relatório anual da SNIM, que descreve o transporte ferroviário como componente essencial da cadeia produtiva. Ao mesmo tempo, a ausência de uma rede ferroviária extensa no país transformou aquela infraestrutura industrial em uma ligação prática para comunidades que vivem ao longo do trajeto.
| Característica | Valor aproximado | Contexto |
|---|---|---|
| Ferrovia | Mais de 700 km | Zouérat a Nouadhibou |
| Comprimento do trem | Até cerca de 2,5 km | Varia conforme a composição |
| Vagões | Pode chegar a cerca de 200 | Transportam minério bruto |
| Viagem | Até cerca de 20 horas | Depende da carga e operação |
A viagem sobre os vagões é realmente uma forma comum de transporte?
Sim, há documentação consistente de moradores utilizando a ferrovia dessa maneira, mas isso não significa que seja confortável ou seguro. A linha foi projetada para minério, não para oferecer infraestrutura de passageiros sobre os vagões abertos, e embarcar nessas condições envolve exposição a quedas, poeira mineral, vento e temperaturas extremas.
É justamente esse contraste que tornou a ferrovia conhecida mundialmente: um gigantesco corredor industrial atravessa o Saara e, paralelamente ao minério que sustenta parte importante da economia mauritana, pessoas utilizam a mesma composição para cruzar uma das regiões mais áridas do planeta.
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