Ex-chefe da FAB liga 8 de Janeiro a tensão no fim de 2022
Carlos Baptista Júnior relatou para o Meio Dia em Brasília, de O Antagonista, reuniões e questionamentos sobre as urnas eletrônicas
O fim de 2022 foi marcado por uma escalada de tensão institucional que, na avaliação do ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB) Carlos de Almeida Baptista Júnior, ajudou a criar o ambiente que desembocou nos atos de 8 de Janeiro de 2023.
Em entrevista exclusiva ao Meio-Dia em Brasília, de O Antagonista, nesta quarta-feira, 26, o tenente-brigadeiro relatou reuniões realizadas durante os últimos meses do governo Jair Bolsonaro (PL) e afirmou que os comandantes das Forças Armadas deixaram claro que não havia irregularidades no sistema eleitoral.
“Ficou claro pro presidente. Nós deixamos claro que não havia qualquer irregularidade no sistema eleitoral”, afirmou.
O relato estará no livro Eu disse NÃO! Uma trincheira antigolpista, que será lançado em setembro pela Autêntica Editora. A obra foi escrita em primeira pessoa e, segundo Baptista Júnior, busca deixar registrado para as próximas gerações o que ocorreu entre 2021 e o fim de 2022.
Escalada de tensão
Baptista Júnior afirmou que o ambiente político se deteriorou principalmente em novembro e dezembro de 2022. Entre os episódios citados estão bloqueios de rodovias, acampamentos diante de quartéis e questionamentos sobre o resultado das eleições.
“Eu diria que novembro e dezembro foram meses muito perigosos. Inúmeras reuniões”, disse.
O ex-comandante também mencionou atos que pediam intervenção militar e o crescente questionamento sobre a segurança das urnas eletrônicas.
Segundo ele, Bolsonaro ainda esperava que relatórios produzidos por setores externos ao governo identificassem algum tipo de irregularidade no processo eleitoral.
Medidas de exceção
Baptista Júnior afirmou que, naquele período, ocorreram discussões sobre a adoção de medidas de exceção. Na avaliação dele, porém, não havia os pressupostos constitucionais necessários para decretar estado de defesa ou estado de sítio.
“O livro conta com detalhes as inúmeras e cansativas reuniões, as tentativas de se buscar um estado de exceção sem que nós tivéssemos os pressupostos pro estado de defesa”, afirmou.
O momento mais delicado, segundo o militar, ocorreu em 14 de dezembro, quando os comandantes das Forças Armadas foram chamados para uma reunião com o então ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira.
“Eu acho que o Rubicão estava sendo atravessado. Nós chegamos num ponto que não tinha mais volta”, relatou.
Baptista Júnior afirmou que uma minuta sobre medidas de exceção foi apresentada durante o encontro.
“A minuta, para quem até hoje acha que não teve a minuta, tem sim. Teve sim”, declarou.
O ex-comandante disse ainda que deixou a reunião depois de manifestar sua posição sobre a participação da FAB.
“Eu saí da sala e pedi que a Força Aérea não vai”, afirmou.
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