Durante a caça, este mamífero pode trabalhar em grupo para cercar cardumes inteiros, produzir bolhas em círculo e concentrar centenas de peixes em uma área pequena antes de avançar para se alimentar
Baleias-jubarte combinam mergulhos, bolhas e movimentos coordenados para concentrar cardumes antes da investida
No oceano, algumas baleias-jubarte (Megaptera novaeangliae) utilizam uma técnica de caça que parece uma armadilha construída debaixo d’água. Conhecida como rede de bolhas, ela envolve mergulhos, liberação controlada de ar e, em determinados grupos, vocalizações e movimentos coordenados que concentram peixes antes de as baleias avançarem com a boca aberta. O comportamento é particularmente conhecido em populações do Pacífico Norte, mas não é realizado da mesma maneira por todas as jubartes.
Como funciona a rede de bolhas criada pelas baleias-jubarte?
Na rede de bolhas, uma ou mais jubartes mergulham abaixo de um cardume e começam a liberar ar pelos espiráculos enquanto nadam em trajetórias circulares ou espirais. As bolhas sobem e formam uma espécie de cortina ao redor dos peixes. Muitas presas evitam atravessar essa barreira, ficando progressivamente concentradas em uma área menor.
Quando o cardume está suficientemente agrupado, as baleias avançam de baixo para cima e atravessam a concentração de peixes com a boca aberta. Como são animais filtradores, elas engolem enormes volumes de água juntamente com as presas e depois usam as barbatanas de queratina, chamadas barbas, para reter o alimento enquanto eliminam a água.
Como as jubartes conseguem coordenar um ataque contra um cardume inteiro?
Nos episódios coletivos, diferentes animais podem participar de etapas complementares. Observações mostram grupos mergulhando juntos, produzindo bolhas e realizando movimentos sincronizados antes da investida final. A NOAA classifica essa estratégia como alimentação coordenada por rede de bolhas e destaca que as cortinas de ar são utilizadas para condensar as presas.
- Mergulho: As jubartes descem abaixo do cardume.
- Cerco: Bolhas começam a formar uma barreira ao redor das presas.
- Concentração: Os peixes ficam reunidos em uma região menor.
- Aproximação: As baleias sobem em direção ao centro da estrutura.
- Investida: Os animais emergem com a boca aberta e capturam grande quantidade de presas.
Este vídeo da BBC Earth registra baleias-jubarte do Alasca utilizando a técnica cooperativa e permite visualizar a cortina de bolhas, a concentração dos peixes e a subida coletiva em direção à superfície.
Por que os peixes não simplesmente atravessam as bolhas e escapam?
A rede de bolhas não funciona como uma parede sólida. Ela modifica o ambiente imediatamente ao redor do cardume, e os peixes podem reagir à presença das bolhas agrupando-se ou evitando atravessar a cortina. Pesquisadores do Stellwagen Bank National Marine Sanctuary observaram estratégias com laços simples, duplos e espirais ascendentes.
A eficiência depende também da espécie de presa e das condições daquele episódio de alimentação. Arenques, krill e outros organismos que formam agregações podem responder de maneiras diferentes. Por isso, jubartes apresentam várias técnicas de caça, incluindo investidas diretas, uso do fundo marinho e movimentos das nadadeiras peitorais.
As vocalizações também participam da caça cooperativa?
Em alguns grupos, sim. Pesquisadores registraram vocalizações durante episódios de alimentação coordenada, incluindo sons associados à aproximação das baleias e à concentração das presas. Observações feitas por pesquisadores da NOAA descrevem animais mergulhando juntos, vocalizando e subindo em espiral enquanto produziam a rede.
Ainda assim, seria exagerado afirmar que todas as jubartes precisam emitir um comando sonoro específico para que a técnica funcione. O papel exato de diferentes chamados continua sendo estudado e pode variar entre populações e situações. Simulações científicas também investigam como bolhas e acústica interagem durante esse comportamento.

Todas as baleias-jubarte sabem produzir redes de bolhas?
Não. A alimentação por bolhas apresenta forte variação regional e comportamental. A NOAA observa especializações entre diferentes populações, enquanto estudos recentes mostram que a técnica pode existir tanto de forma cooperativa quanto individual em determinadas regiões. Isso reforça a ideia de que o comportamento pode ser aprendido e disseminado socialmente.
| Etapa | O que acontece |
|---|---|
| Mergulho | Baleias posicionam-se abaixo das presas |
| Bolhas | O ar forma cortinas ou espirais ao redor do cardume |
| Concentração | Os peixes ficam agrupados em espaço menor |
| Investida | As jubartes sobem e engolfam água e presas |
O Smithsonian também documenta como comportamentos alimentares das jubartes podem se espalhar entre indivíduos por aprendizagem social. Em um caso estudado no Atlântico Norte, uma técnica envolvendo batidas de cauda antes da alimentação aumentou rapidamente sua ocorrência na população. Veja a explicação do Smithsonian Ocean
Por que essa estratégia é tão eficiente para as baleias-jubarte?
A vantagem está em transformar um cardume disperso em uma concentração de alimento compatível com o enorme custo energético de uma investida. Como abrir a boca e acelerar uma massa corporal gigantesca exige energia, capturar muitas presas em uma única passagem pode tornar a alimentação muito mais eficiente do que perseguir pequenos peixes individualmente.
A estratégia revela também uma característica importante das jubartes: seu comportamento alimentar é flexível. Em vez de existir uma única técnica universal, diferentes animais utilizam soluções adaptadas às presas e ao ambiente. Em alguns locais, isso resulta em uma das cenas mais impressionantes do oceano: várias baleias emergindo quase simultaneamente pelo centro de uma estrutura que elas próprias produziram com ar.
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