Espécie considerada extinta há mais de 120 anos volta às montanhas e emociona conservacionistas com retorno inesperado
Perdida para a ciência por mais de 120 anos, a espécie foi confirmada em sete das dez áreas investigadas durante cinco anos de buscas.
O coelho-de-Omiltemi passou mais de um século sem registros científicos sólidos e chegou a ser tratado como provavelmente extinto. A confirmação recente de sua presença em sete áreas montanhosas mudou o quadro e abriu uma nova fase de pesquisa e conservação.
Qual é a espécie que voltou a aparecer depois de mais de 120 anos?
Trata-se do coelho-de-Omiltemi (Sylvilagus insonus), mamífero endêmico da Sierra Madre del Sur, no estado mexicano de Guerrero. A espécie foi descrita por Edward William Nelson em 1904 e praticamente desapareceu da literatura científica nas décadas seguintes.
Ela é menor que outros coelhos da região, possui orelhas relativamente curtas e uma característica marcante: a cauda é curta e escura, e não branca e felpuda como o nome inglês “cottontail” poderia sugerir.

O animal estava realmente extinto durante todo esse período?
Não de forma comprovada. O Re:wild classifica o animal como “perdido para a ciência” por mais de 120 anos, expressão usada para espécies sem confirmação científica durante longos períodos, mas que não são consideradas extintas de maneira definitiva.
Um estudo científico de 2025 explica que o coelho chegou a ser considerado provavelmente extinto. Houve uma pele entregue a pesquisadores em 1998 e uma possível fotografia em 2005, mas faltavam registros consistentes capazes de esclarecer sua situação e distribuição.
Como os pesquisadores conseguiram reencontrar o coelho nas montanhas?
A busca liderada pelo Instituto para el Manejo y Conservación de la Biodiversidad começou em 2019. O grupo combinou expedições, entrevistas com moradores, câmeras automáticas e conhecimento de caçadores locais para procurar o animal em florestas montanhosas de Guerrero.
Segundo o Re:wild, a equipe visitou dez áreas durante cinco anos e confirmou o coelho em sete delas. Comunidades locais, porém, já conheciam sua presença e ajudaram a direcionar as buscas.
Alguns pontos ajudam a reconstruir essa redescoberta:
O reencontro mostrou que a espécie vive em uma área maior?
Sim. Uma pesquisa publicada em 2025 reuniu registros obtidos em monitoramentos realizados entre 2009 e 2024 e confirmou que a distribuição conhecida era muito maior do que a antiga localidade de Omiltemi sugeria.
O estudo na Revista Mexicana de Mastozoología relatou 311 registros em 44 localidades de cinco municípios e estimou uma área de ocorrência de pelo menos 542 km² nas partes médias e altas da Sierra Madre del Sur.
Os novos dados mudaram bastante o retrato científico da espécie:
Por que o retorno surpreendeu tanto os conservacionistas?
O reencontro mostrou que uma espécie tratada durante décadas como possivelmente desaparecida continuava ocupando florestas montanhosas. Para a equipe, também foi marcante encontrar indivíduos vivos depois de gerações sem que pesquisadores tivessem documentação científica clara sobre sua presença.
A descoberta reforçou ainda o valor do conhecimento das comunidades. Enquanto a espécie estava ausente dos registros científicos, moradores da região continuavam reconhecendo o animal, e alguns caçadores indicaram locais onde ele poderia ser encontrado.
O coelho-de-Omiltemi está fora de perigo depois da redescoberta?
Não. O México mantém Sylvilagus insonus na categoria “em perigo de extinção”, enquanto o Re:wild registra a avaliação internacional como Dados Insuficientes. Encontrar mais localidades melhora o conhecimento sobre a espécie, mas não elimina suas ameaças.
Incêndios, extração de madeira, caça e alterações no habitat continuam entre as principais preocupações. A redescoberta encerrou uma longa incerteza sobre a sobrevivência do animal, mas a próxima etapa depende de monitoramento, estudo populacional e proteção das florestas montanhosas onde ele permanece.
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