Antes de erguer uma das maiores hidrelétricas do mundo, engenheiros tiveram primeiro que tirar o rio Paraná de seu próprio leito para conseguir construir onde a água corria
Antes de erguer a hidrelétrica, engenheiros precisaram desviar o rio Paraná do próprio leito para poder construir a barragem

O que você vai ver
- Por que era preciso tirar o rio Paraná do próprio leito.
- Como o canal de desvio foi escavado antes da barragem.
- Qual o papel das ensecadeiras nesse processo.
- O que aconteceu no momento exato do desvio, em 1978.
- Por que essa etapa foi decisiva para o restante da obra de Itaipu.
Antes de erguer uma das maiores hidrelétricas do mundo na fronteira entre Brasil e Paraguai, engenheiros enfrentaram um obstáculo que parece contraditório à primeira vista: para construir a barragem, era preciso primeiro tirar o próprio rio Paraná do caminho onde a água já corria havia milhares de anos.
Por que era preciso tirar o rio Paraná do próprio leito?
A área escolhida para erguer a barragem de Itaipu coincidia exatamente com o leito natural por onde o rio Paraná fluía, o que tornava impossível iniciar a construção das estruturas principais da hidrelétrica enquanto a água continuasse correndo livremente por aquele mesmo trecho do rio.
Diante desse obstáculo, a solução encontrada pelos engenheiros foi desviar temporariamente o curso do rio para outro caminho, liberando o leito original seco o suficiente para permitir a construção das estruturas de concreto da barragem no local exato onde a água antes passava.
Barragem de Itaipu.
— FMG (@FozMilGrau) August 9, 2018
ITAIPU Binacional, Foz do Iguaçu.
créditos ao @juniorbirn pic.twitter.com/x93zSWcCi9
Como o canal de desvio foi escavado antes da barragem?
Uma das primeiras grandes etapas da obra de Itaipu foi a escavação de um canal de desvio, estrutura projetada especificamente para receber temporariamente todo o volume de água do rio Paraná enquanto o leito natural permanecia seco para a construção da barragem principal.
Esse canal precisou ser dimensionado para suportar a vazão completa de um dos maiores rios da América do Sul, obra de escavação em si já de grande escala, realizada antes mesmo de qualquer estrutura da futura hidrelétrica começar a ser erguida.
Qual o papel das ensecadeiras nesse processo?
Além do canal de desvio, a obra exigiu a construção de ensecadeiras, estruturas temporárias erguidas para bloquear fisicamente o fluxo de água pelo leito natural do rio, forçando toda a vazão a passar exclusivamente pelo canal recém-escavado ao lado.
Essas ensecadeiras funcionaram como barreiras provisórias essenciais para manter o leito original do rio seco durante todo o período necessário à construção das estruturas principais da barragem, sendo removidas ou incorporadas à obra apenas em etapas posteriores do projeto.
O que aconteceu no momento exato do desvio, em 1978?
Em 1978, depois da conclusão do canal de desvio e das ensecadeiras, o rio Paraná foi efetivamente desviado de seu leito natural, marco que permitiu aos engenheiros avançar diretamente sobre a área antes ocupada pela água para iniciar a construção das estruturas principais da hidrelétrica de Itaipu.
Esse momento representou uma virada decisiva no cronograma da obra, já que a partir dali a construção da barragem propriamente dita, incluindo suas estruturas de concreto e as futuras turbinas, pôde avançar sobre um terreno finalmente livre da passagem constante do rio.
Así amaneció el Río Paraná en el Puente de la Amistad.
— Denis Cantero (@deniscantero_) June 29, 2021
Fotos: Facebook Osmar Testti pic.twitter.com/8tfBJuLfJN
Por que essa etapa foi decisiva para o restante da obra de Itaipu?
Sem o desvio bem-sucedido do rio Paraná, nenhuma das etapas seguintes da construção de Itaipu teria sido possível, já que toda a estrutura da barragem, das turbinas ao vertedouro, precisava ser erguida exatamente no espaço antes ocupado pelo curso natural do rio.
O sucesso dessa etapa inicial de engenharia hidráulica, meses antes de qualquer concreto estrutural da barragem começar a ser lançado, ilustra como grandes obras hidrelétricas dependem tanto de soluções temporárias e preparatórias quanto das estruturas finais que se tornam visíveis ao público depois de concluídas.
- Barragem de Itaipu precisou ser construída exatamente no leito original do rio Paraná.
- Canal de desvio foi escavado para receber toda a vazão do rio durante a obra.
- Ensecadeiras bloquearam o leito natural, mantendo-o seco para a construção.
- Em 1978, o rio Paraná foi efetivamente desviado, liberando a área para a barragem principal.
Etapas preparatórias que antecedem a construção de grandes obras de engenharia também aparecem em outros relatos, como o caso das eclusas do Canal do Panamá, que reaproveitam boa parte da água usada em cada passagem de navio.
Mais detalhes sobre a construção de Itaipu estão disponíveis no material oficial da Itaipu Binacional.
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