Encontrado pesando apenas cerca de 45 quilos em uma das regiões mais remotas da Austrália, um homem afirmou ter sobrevivido por mais de 2 meses alimentando-se de sapos, lagartos, gafanhotos e sanguessugas retiradas de uma represa
O estado físico do sobrevivente foi documentado, mas detalhes sobre seu desaparecimento nunca receberam confirmação independente
Em abril de 2006, trabalhadores de uma fazenda de gado no remoto interior australiano encontraram um homem extremamente magro caminhando perto de uma represa. Era Ricky Megee, então com 35 anos, que afirmou ter passado cerca de dez semanas isolado no norte da Austrália, vivendo principalmente de água disponível no local e de pequenos animais. Seu estado físico comprovava uma longa permanência em condições difíceis, mas partes importantes da história sobre como ele chegou ali nunca foram confirmadas pelas autoridades.
Como Ricky Megee foi encontrado pesando apenas cerca de 45 quilos?
Megee foi localizado em abril de 2006 por trabalhadores ligados à propriedade Birrindudu, perto da divisa entre o Território do Norte e a Austrália Ocidental. O gerente Mark Clifford descreveu o homem como praticamente um “esqueleto ambulante”. Ele foi levado de avião ao Royal Darwin Hospital sofrendo de desnutrição severa.
O hospital registrou peso próximo de 45 quilos para um homem com aproximadamente 1,90 metro de altura. Megee declarou que antes do desaparecimento pesava cerca de 105 quilos, o que representaria perda de aproximadamente 60 quilos. Os médicos confirmaram que estava muito abaixo do peso, embora não conseguissem determinar apenas pelo exame quanto tempo havia permanecido no mato.
O que Ricky Megee dizia comer enquanto permanecia isolado?
Segundo seu próprio relato à imprensa australiana, após caminhar durante aproximadamente dez dias ele encontrou uma represa e decidiu permanecer perto daquela fonte de água. Ali teria improvisado um abrigo utilizando um antigo cocho encontrado na área de manejo do gado e passado várias semanas esperando que alguém aparecesse.
- Sapos encontrados nas proximidades da água.
- Pequenos lagartos e algumas serpentes.
- Gafanhotos e outros insetos.
- Sanguessugas retiradas diretamente da represa.
- Plantas disponíveis na região.
O vídeo abaixo, em português, reconstrói a sobrevivência de Megee durante os 71 dias tradicionalmente associados ao caso e também apresenta a controversa versão que ele deu para o início do desaparecimento.
Como a presença de uma represa pode ter aumentado suas chances de sobrevivência?
A decisão de permanecer próximo da água foi provavelmente o elemento mais importante para que ele continuasse vivo. O especialista australiano em sobrevivência Les Hiddins explicou na época que aquela região é extremamente severa e que encontrar água permanente muda completamente as possibilidades de sobrevivência.
O período também coincidiu com a estação chuvosa, quando havia mais água, sapos, répteis e outros pequenos animais disponíveis. O gerente da propriedade ressaltou que essas condições favoreceram Megee. Isso não transforma sanguessugas, insetos ou répteis em uma dieta adequada; eles foram alimentos improvisados em uma situação extrema de privação.
Quanto tempo ele realmente permaneceu sozinho no interior australiano?
A versão posteriormente consolidada pelo próprio Megee fala em 71 dias, número usado inclusive no título de seu livro autobiográfico. Reportagens publicadas imediatamente depois do resgate, porém, mencionavam períodos que variavam de cerca de dois meses e meio a quase três meses.
| Dado | O que foi registrado |
|---|---|
| Resgate | Abril de 2006 |
| Peso ao chegar ao hospital | Cerca de 45 kg |
| Período relatado | Aproximadamente 71 dias |
| Local | Região de Birrindudu |
Até médicos do Royal Darwin Hospital afirmaram naquele momento que não era possível validar com precisão toda a duração relatada. O que os profissionais conseguiram comprovar era que Megee estava severamente abaixo do peso e havia permanecido por um período considerável exposto às condições do interior australiano.
Por que parte da história de Ricky Megee permaneceu sem comprovação?
A maior controvérsia envolve como ele teria chegado àquela situação. Em entrevistas, Megee afirmou que viajava pela Buntine Highway quando teria sido drogado após dar carona a um desconhecido, perdendo depois o veículo e acordando abandonado no mato. Outras versões iniciais mencionaram simplesmente um problema com o carro.
A polícia do Território do Norte confirmou que ele permaneceu bastante tempo naquela região, mas não encontrou evidências de crime ligadas ao desaparecimento. O veículo tampouco havia sido localizado durante a investigação inicial. A reportagem da ABC publicada após o resgate registrou justamente essa diferença entre os sinais físicos de sobrevivência e as dúvidas sobre a origem do episódio.

O que pode ser considerado comprovado nessa história extraordinária?
É documentado que Megee apareceu extremamente magro em uma propriedade remota, foi levado ao hospital, pesava aproximadamente 45 quilos e apresentava desnutrição. Funcionários da fazenda confirmaram as condições em que foi encontrado, enquanto médicos confirmaram sua baixa massa corporal e a necessidade de acompanhamento nutricional.
Já detalhes como o suposto envenenamento, roubo do carro e abandono deliberado dependem essencialmente da narrativa do próprio sobrevivente. Isso não invalida o episódio de sobrevivência, mas muda a maneira correta de contá-lo: há evidências fortes de que ele passou muito tempo isolado e subalimentado no interior australiano, enquanto a sequência exata que o levou até lá continua sem confirmação independente.
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