Dennys Xavier na Crusoé: O que aprender com a morte de Ivan Ilitch?
Tolstói chama a nossa atenção: podemos passar boa parte da existência confundindo aprovação com verdade
Ler A Morte de Ivan Ilitch provoca um retrogosto amargo na boca.
Isso, entre outras coisas, porque Tolstói escolhe um homem comum demais para que possamos manter distância dramática ou poética dele.
Ivan não pertence à proverbial galeria dos grandes perversos da literatura, tampouco registra alguma deformidade moral espetacular que nos permita observá-lo com a segurança de quem pensa: comigo seria diferente!
Como qualquer um de nós, ele estudou, trabalhou, casou-se, teve filhos, procurou subir na carreira, quis ganhar mais dinheiro, desejou uma casa agradável, preocupou-se com sua posição entre os colegas e aprendeu a reconhecer aquilo que sua sociedade considerava apropriado.
Sua vida transcorreu dentro de uma normalidade reconhecível, tangível, vulgar… e é justamente essa normalidade que Tolstói torna algo exótico.
Ivan vive durante muitos anos guiado por uma espécie de inteligência social bastante eficiente; daquele tipo que conhecemos bem.
Ele percebe como deve comportar-se, quais relações convém cultivar, que posições merecem ser desejadas e o que significa, dentro de seu círculo, ser um homem “bem-sucedido”.
Sua trajetória profissional acompanha esse movimento de ascensão, com o aumento dos rendimentos e do prestígio, ocupando espaço considerável em suas decisões.
Nada disso…
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