Argentino das urnas é denunciado por tentativa de feminicídio
Fernando Cerimedo é acusado de arquitetar ataque a tiros contra a companheira na Bolívia
A Procuradoria de Santa Cruz apresentou nesta quinta-feira, 20, uma denúncia formal contra o argentino Fernando Cerimedo (foto), que ficou famoso no Brasil por publicar um vídeo questionando as urnas brasileiras em 2022, por tentativa de feminicídio contra sua companheira, Nadia Shirley Beller Delgadillo.
Cerimedo é assessor do presidente do país, Rodrigo Paz. Ele também já integrou a equipe digital do atual presidente da Argentina, Javier Milei, e do presidente de Honduras, Nasry Asfura.
Também trabalha com o americano Brad Parscale, que integrou a campanha de Donald Trump em 2016.
O caso
Em 17 de agosto, Nadia foi baleada em frente a um hotel de Santa Cruz de la Sierra.
Segundo os investigadores, Cerimedo persuadiu e insistiu para que a mulher fosse ao hotel sob o pretexto de que receberia informações de inteligência. Em outras ocasiões, Nadia havia recusado o convite.
De acordo com a acusação, ao deixar o hotel, Nadia foi interceptada por dois homens em uma motocicleta.
Vestidos com mochilas de serviço de entrega, eles atiraram várias vezes contra a mulher e, em seguida, roubaram seu celular e sua carteira.
Nadia sobreviveu ao ataque e foi levada de emergência, em uma ambulância, para um centro médico na noite de segunda-feira, 17.
Três balas foram retiradas de seu peito. Ela está fora de perigo e acusou Cerimedo de ter arquitetado o crime.
Ele foi detido no aeroporto de Viru Viru, quando pretendia embarcar em um avião da companhia Aerolíneas Argentinas, com destino a Buenos Aires.
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Atuação no Brasil
Cerimedo foi citado 65 vezes no relatório da Polícia Federal sobre tentativa de golpe de Estado, em 2022.
Ele aparece em conversas do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, Mauro Cid.
Quatro dias depois da live de Cerimedo sobre as urnas eletrônicas, o tenente-coronel Sérgio Ricardo Cavaliere mandou uma mensagem animada em conversa de WhatsApp para Mauro Cid, falando de um material de hackers, os quais teriam encontrado problemas nas urnas.
Cid então respondeu: “Nosso pessoal que fez… Haaahahahaahha. Isso foi a base do argelino”. A referência, provavelmente, era ao “argentino” Cerimedo.
As informações de Cerimedo ainda foram usadas no dia 22 de novembro de 2022 pelo Partido Liberal, PL, que enviou uma representação eleitoral contestando o resultado das urnas.
Os militares brasileiros seguiram fornecendo material para o argentino, mas sempre traduzindo para o inglês, porque o destinatário não entendia o português.
Ainda em 12 de dezembro de 2022, o cientista de dados Marcelo Oliveira divulgou no X que uma pasta postada no Google Drive por Cerimedo estava sendo alimentada pelo militar brasileiro Angelo Denicoli, o que poderia dar pistas sobre a origem das informações sobre as urnas eletrônicas.
O nome de Denicoli depois foi apagado da pasta.
Eduardo Bolsonaro
Cerimedo é próximo de Eduardo Bolsonaro.
Em julho, eles realizaram uma live juntos.
No vídeo, o argentino voltou a especular sobre fraude nas urnas brasileiras.
“A fraude estava nas máquinas. Mas no centro de processamento, você pode trocar o log. Pode disfarçar o que aconteceu“, afirmou o argentino.
“Eles não contavam que a gente ia fazer uma auditoria de cada log da máquina. O problema é que [em 2018], a diferença era muito maior. Foi muito difícil fazer a fraude. Porque a diferença entre o seu pai [Jair Bolsonaro] e o segundo [Fernando Haddad] era muito grande“, disse Cerimedo.
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