Em 2010, duas equipes escavavam a mesma montanha por lados opostos e só descobriram no último metro se os cálculos tinham funcionado, com um erro final que coube na palma da mão
Em 2010, duas equipes escavando de lados opostos dos Alpes se encontraram no meio do túnel mais longo do mundo com desvio de apenas 8 centímetros

O que você vai ver
- Qual túnel foi escavado por duas equipes em lados opostos da montanha.
- Como funcionava o controle geodésico que guiava as equipes.
- Qual foi o desvio final registrado no encontro das duas frentes.
- Por que esse tipo de precisão é tão difícil de alcançar.
Duas equipes de engenharia passaram anos escavando a mesma montanha a partir de lados opostos, sem qualquer contato visual entre si, confiando inteiramente em cálculos matemáticos para garantir que os dois túneis se encontrassem exatamente no ponto certo.
Qual túnel foi escavado por duas equipes em lados opostos da montanha?
O túnel é o Túnel de Base de São Gotardo, na Suíça, cujas frentes de escavação avançaram simultaneamente a partir de lados opostos dos Alpes, cada equipe perfurando a rocha maciça da montanha em direção ao ponto de encontro planejado no meio do trajeto.
Esse método de escavação por duas frentes opostas é comum em túneis muito longos, já que permite reduzir o tempo total de construção ao trabalhar simultaneamente em duas pontas, mas exige uma precisão extrema de cálculo para garantir que os dois trechos realmente se encontrem no lugar certo, sob quilômetros de rocha sólida.
Full 1 Hour Gotthard Base Tunnel Opening Ceremony (2016) pic.twitter.com/CIXPL5o7oG
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Como funcionava o controle geodésico que guiava as equipes?
Ao longo de todo o processo de escavação, engenheiros usaram um sistema de controle geodésico de altíssima precisão, técnica que envolve medições constantes de posicionamento para garantir que cada metro escavado seguisse exatamente a trajetória planejada no projeto original.
Sem nenhum contato visual direto entre as duas equipes, que trabalhavam a quilômetros de distância uma da outra dentro da montanha, esse sistema de medição era a única forma de garantir que as duas frentes de escavação estivessem convergindo corretamente para o ponto de encontro, sem qualquer margem para verificação visual ao longo do caminho.
Qual foi o desvio final registrado no encontro das duas frentes?
Depois de anos de escavação, com quilômetros de rocha perfurados a partir de cada lado da montanha, as duas frentes finalmente se encontraram em 2010, num momento de tensão para toda a equipe de engenharia envolvida no projeto.
O resultado surpreendeu até os próprios responsáveis pelo cálculo: o desvio horizontal entre as duas frentes foi de apenas 8 centímetros, e o desvio vertical, de apenas 1 centímetro, margem de erro tão pequena que caberia facilmente na palma de uma mão, depois de anos de escavação através de rocha maciça sem qualquer possibilidade de correção visual no meio do caminho.
Por que esse tipo de precisão é tão difícil de alcançar?
Manter uma trajetória de escavação precisa ao longo de quilômetros de rocha sólida exige compensar constantemente pequenas variações na dureza da rocha, na temperatura interna do túnel e até em fatores como a curvatura da Terra, que passam a ter impacto mensurável em trajetos tão longos.
Qualquer erro acumulado ao longo do caminho, mesmo que pequeno a cada metro escavado, poderia se somar ao longo de quilômetros e resultar num desalinhamento significativo no ponto de encontro, o que torna o resultado de apenas alguns centímetros de desvio um feito de precisão reconhecido internacionalmente na engenharia de túneis.

Como as equipes comemoraram o momento do encontro?
Quando as duas frentes de escavação finalmente se conectaram, permitindo que engenheiros de lados opostos da montanha apertassem as mãos através da abertura recém-perfurada, o momento foi celebrado como um marco simbólico do projeto, transmitido para autoridades e equipes que haviam acompanhado anos de trabalho subterrâneo.
Esse tipo de encontro, conhecido tecnicamente como “breakthrough” em túneis escavados por frentes opostas, representa não apenas a validação de todo o trabalho de cálculo e medição realizado ao longo dos anos, mas também um momento de alívio genuíno para equipes que trabalharam sem qualquer garantia visual de que os cálculos estavam corretos até o instante exato do encontro.
- Túnel de Base de São Gotardo, Suíça, escavado por duas frentes opostas.
- 2010: encontro das duas frentes de escavação sob os Alpes.
- Desvio horizontal final: 8 cm. Desvio vertical final: 1 cm.
- Precisão alcançada por controle geodésico contínuo, sem contato visual entre as equipes.
Assim como o Túnel de Base de São Gotardo, outras grandes obras de infraestrutura ao redor do mundo também exigiram soluções de engenharia pouco convencionais para atravessar barreiras naturais, como mostra o caso do túnel do Fehmarnbelt, construído com elementos pré-fabricados afundados no mar.
Mais detalhes sobre a construção do Túnel de Base de São Gotardo estão disponíveis no site oficial do governo suíço.
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