Lidera as exportações do estado e ocupa o 1º lugar em oportunidades: o município do agro com 27 cachoeiras e paredões de 100 metros
O agronegócio impulsiona empregos, negócios e logística em toda a região
Existe um tipo de cidade que o Brasil conhece pelo que produz, e não pelo que oferece a quem mora nela. No sudeste de Mato Grosso, Rondonópolis é o caso mais evidente dessa lógica: nasceu de um posto telegráfico às margens do rio Vermelho, virou a segunda maior economia mato-grossense e hoje aparece em primeiro lugar no estado em um dos indicadores de qualidade de vida mais respeitados do país. Entre um extremo e outro, sobrou espaço para 27 quedas d’água catalogadas e paredões de arenito de até 100 metros.
O que faz do encontro entre a BR-163 e a BR-364 o maior corredor de grãos do país?
O cruzamento das duas rodovias federais dentro do município transformou a cidade no ponto onde a soja do Cerrado deixa o caminhão e entra no trem. Grão parado não vale nada, e a competitividade de uma região agrícola depende menos da lavoura e mais do custo até o porto, o que explica por que uma cidade sem litoral virou peça central do comércio exterior brasileiro.
Segundo a Rumo Logística, o Terminal de Rondonópolis (TRO) é o maior terminal de grãos da América Latina, com 15 moegas rodoviárias, capacidade estática de 150 mil toneladas e três tulhas que permitem carregar três trens ao mesmo tempo. No auge da safra, a estrutura recebe até 2 mil caminhões por dia, e dali partem composições de 120 vagões rumo ao Porto de Santos.

Por que a cidade lidera o indicador de Oportunidades em Mato Grosso?
Porque conseguiu a melhor nota estadual justamente na dimensão que mede o que a população pode fazer com o que tem à mão. No Índice de Progresso Social (IPS) Brasil de 2026, o município alcançou 55,47 pontos em Oportunidades e ficou à frente de Santa Rita do Trivelato e Santo Antônio do Leste, primeiro lugar entre os 141 municípios mato-grossenses.
O indicador reúne direitos individuais, liberdade de escolha, inclusão social e acesso ao ensino superior, e é nesse último item que a cidade deu o salto mais visível. A Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) deixou de ser campus da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e ganhou autonomia com a Lei nº 13.637/2018, que criou uma instituição federal própria para toda a região sul do estado. Mato Grosso tem outro caso parecido no município que foi desenhado antes mesmo de existir e hoje é o único do Centro-Oeste entre as 30 melhores cidades do Brasil para viver.

Do povoado do Rio Vermelho ao segundo maior PIB mato-grossense
A história começa em 1915, quando o então presidente do estado Joaquim da Costa Marques reservou 2.000 hectares para a povoação do rio Vermelho, onde viviam cerca de setenta famílias. Conforme a Prefeitura de Rondonópolis, o lugar ganhou o nome atual em 1918, em homenagem ao marechal Cândido Rondon, cujas expedições de linhas telegráficas cruzaram a região e resultaram no posto inaugurado em 1922.
Pouco mais de um século depois, o município fechou R$ 16,5 bilhões de Produto Interno Bruto, valor divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e equivalente a mais de um terço da riqueza gerada pela capital Cuiabá, o que mantém a cidade como a segunda economia do estado e a nona de todo o Centro-Oeste. O ciclo de investimentos continua: a chinesa COFCO confirmou à prefeitura aporte superior a R$ 2 bilhões para dobrar o esmagamento de soja de 4,5 mil para cerca de 10 mil toneladas diárias, obra prevista para o início de 2028.
Onde ficam as cachoeiras e os paredões de pedra do município?
A maior parte está fora da área urbana, num raio que vai de 25 km a 60 km do centro, em estradas que atravessam o Cerrado. Confira abaixo os atrativos naturais e culturais listados pela Prefeitura Municipal de Rondonópolis:
- Cidade de Pedra: complexo rochoso de cerca de mil hectares no Parque Ecológico João Basso, com formações que chegam a 100 metros de altura.
- Complexo Turístico do Carimã: circuito de nove cachoeiras a cerca de 60 km do centro, com trilha pela mata nativa e áreas de camping.
- Horto Florestal: o Bosque Municipal Isabel Dias Goulart reúne trilhas curtas, pista de caminhada e fauna solta no meio da cidade.
- Parque das Águas: área de lazer às margens do rio Vermelho, com quadras de areia, pista de skate e programação cultural.
- Parque Estadual Dom Osório Stoffel: unidade estadual de conservação que protege nascentes e vegetação típica do Cerrado.
- Casario histórico: conjunto de construções das décadas de 1930 e 1940 preservado no centro antigo, junto ao rio.
- Museu Rosa Bororo: acervo dedicado à história regional e à presença do povo Bororo, que ainda ocupa a reserva Tadarimana, dentro do município.
Quem quer descobrir Rondonópolis além do agro vai curtir este vídeo do canal Pascoal Neto | Vlogs diários, com mais de 20 mil visualizações, onde Pascoal Neto mostra 7 atrações da região.
Como é o clima de Rondonópolis ao longo do ano?
O clima é tropical com estação seca bem marcada, o que significa dois semestres muito diferentes entre si. Enquanto o verão concentra quase toda a chuva do ano, o inverno costuma passar semanas inteiras sem uma gota e com umidade baixa. Veja abaixo como cada estação se comporta na cidade:
Médias aproximadas com base no Climatempo. As condições podem variar bastante de um ano para outro por causa de fenômenos como El Niño e La Niña, então vale checar a previsão atualizada antes de viajar.
Uma cidade que cresce sem virar as costas para o cerrado
Poucos municípios brasileiros conseguem reunir um terminal ferroviário recordista, uma universidade federal própria e um circuito de cachoeiras a menos de uma hora do centro. A soma explica por que a cidade lidera o estado em oportunidades e continua atraindo empresas e moradores de outras regiões do país.
Você precisa conhecer Rondonópolis e ver de perto como uma cidade construída sobre a soja guarda paredões de pedra e quedas d’água que quase ninguém espera encontrar no meio do agronegócio.
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