O maior núcleo de casas alemãs do Brasil e a maior colônia japonesa do Rio Grande do Sul convivem no mesmo município a 45 km de Porto Alegre
Duas culturas de origens distantes deixaram marcas profundas no município
Duas heranças culturais vindas de continentes opostos raramente dividem o mesmo endereço no interior brasileiro. Em Ivoti, no Vale do Rio dos Sinos, vigas de madeira encaixadas por colonos alemães do século XIX ficam a poucos quilômetros de um bairro onde famílias japonesas mantêm feiras, jardins e culinária próprios, tudo dentro de um município que cabe em uma manhã de viagem a partir da capital gaúcha.
Por que o maior conjunto de casas enxaimel do país está nesse vale?
Porque a colonização começou cedo e o casario resistiu. Conforme o portal Turismo RS, do governo do estado, a cidade foi colonizada em 1826 por imigrantes alemães que se estabeleceram às margens do Arroio Feitoria, e é ali que se encontra o maior núcleo de casas enxaimel do Brasil.
O enxaimel é uma técnica construtiva europeia em que a estrutura de madeira fica aparente, encaixada peça a peça, com o preenchimento feito de barro, pedra ou tijolo. As casas se concentram no bairro Feitoria Nova e hoje abrigam usos públicos e culturais: segundo a Prefeitura de Ivoti, o núcleo recebe desde 2008 uma feira mensal de produtos coloniais, artesanato e flores, no segundo domingo de cada mês.

Como uma colônia japonesa se formou na encosta da serra gaúcha
Chegou mais de um século depois dos alemães e por outro motivo: a agricultura. De acordo com o Turismo RS, a primeira leva de imigrantes japoneses desembarcou no município em 1966, no Vale das Palmeiras, e contribuiu para diversificar a produção agrícola e a vida cultural local.
O grupo se firmou e virou a maior colônia japonesa do estado, com memória preservada em espaço próprio. A Prefeitura de Ivoti mantém o Memorial da Colônia Japonesa entre seus equipamentos culturais, ao lado do Museu Cláudio Oscar Becker, dedicado à imigração alemã. É a mesma cidade que, apesar da origem germânica, ganhou nome de raiz tupi-guarani, uma referência às flores que deram ao lugar o apelido de Cidade das Flores.

O que são os cinco caminhos autoguiados da Rota Enxaimel?
São percursos sinalizados que o visitante faz sozinho, sem guia. Segundo a Prefeitura de Ivoti, a Rota Enxaimel reúne cinco caminhos circulares com saída e chegada no núcleo de casas, níveis de dificuldade variados e trajetos que passam por estradas vicinais, área central e trechos asfaltados.
A orientação é feita por placas padronizadas em sentido único, e há placas interpretativas no início e no fim de cada trecho, com distância, classificação do percurso, tempo médio e perfil de elevação. Os mapas ficam disponíveis para download em formatos de GPS, e a própria administração recomenda avisar alguém sobre o itinerário antes de sair, já que os caminhos passam por propriedades rurais e áreas sem cobertura de apoio. Movimento parecido ao de outras cidades da serra gaúcha que transformaram a própria história em roteiro.
Onde ir na Cidade das Flores?
As atrações ficam concentradas entre o centro, o vale da Feitoria Nova e as estradas do interior. Confira abaixo os principais pontos para conhecer:
- Núcleo de Casas Enxaimel: conjunto histórico onde funcionam espaços culturais, a Casa do Artesão e a feira mensal de produtos coloniais.
- Ponte do Imperador: ponte de pedra sobre o Arroio Feitoria, marco da colonização e acesso tradicional ao núcleo.
- Museu Cláudio Oscar Becker: acervo sobre a imigração alemã instalado em uma das casas do conjunto.
- Memorial da Colônia Japonesa: espaço de arquitetura nipônica que preserva a história das famílias chegadas nos anos 1960.
- Teufelsloch: o Buraco do Diabo, vale de mata fechada cujo apelido vem de um susto dos primeiros colonos alemães.
- Kerb e Festa do Colono: festas tradicionais do calendário local, com bandinhas, gastronomia colonial e bailes.
Quem quer descobrir a Cidade das Flores vai curtir este vídeo do canal Adriel Tavares, com mais de 32 mil visualizações, que visita o mirante, o centro e as casas enxaimel de Ivoti.
Como é o clima de Ivoti ao longo do ano?
A cidade fica na encosta da serra, o que garante verões quentes e invernos rigorosos para os padrões brasileiros. A própria Prefeitura alerta que, no inverno, as temperaturas podem chegar a valores negativos, enquanto no verão passam de 35 °C. Veja abaixo o comportamento médio do clima ao longo do ano:
Temperaturas aproximadas. A chuva é bem distribuída o ano inteiro, com médias históricas de cerca de 146 mm em agosto e 139 mm em abril, conforme o Climatempo. As condições variam de um ano para outro por influência de fenômenos como El Niño e La Niña, então vale checar a previsão atualizada antes de viajar.
A cidade gaúcha onde duas imigrações dividem o mesmo endereço
Ivoti guarda em poucos quilômetros quadrados o conjunto de casas enxaimel mais completo do país e a maior colônia japonesa do Rio Grande do Sul, duas histórias separadas por 140 anos que hoje aparecem lado a lado nas feiras, nas festas e na comida servida na mesma rua.
Vale reservar um domingo para percorrer a Rota Enxaimel a pé, atravessar a Ponte do Imperador e terminar o passeio comendo em uma feira que mistura sabores alemães e japoneses.
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