Saques bancários na Rússia batem recorde em meio à guerra
Temor de confisco por parte do Kremlin leva população a retirar valores em espécie e impulsiona fuga de depósitos no sistema financeiro russo
Bancos russos registraram, na primeira quinzena de agosto, a saída de 286,4 bilhões de rublos (R$ 17,6 bilhões) das contas de correntistas. Os dados são do Banco Central russo, citados pelo jornal The Washington Post.
O movimento, que já soma 2,4 trilhões de rublos convertidos em dinheiro vivo neste ano, é atribuído ao receio de que a ditadura de Vladimir Putin recorra aos depósitos privados para bancar os gastos militares contra a Ucrânia.
Instituições privadas sentem o impacto
O fenômeno também atingiu instituições de peso no setor privado. O Alfa-Bank, maior banco privado do país, viu 179,4 bilhões de rublos saírem de contas de varejo, o equivalente a 5,6% do total de depósitos da instituição. O Sovcombank, terceiro maior do segmento privado, teve retirada de 8,1% de sua carteira, ou 81,7 bilhões de rublos.
Segundo Taras Skvortsov, executivo do Sberbank, maior banco estatal russo, o volume de saques neste ano pode chegar a quase o dobro do registrado em 2022, primeiro ano da invasão em larga escala, quando 2 trilhões de rublos deixaram o sistema bancário sob temor semelhante.
Um ex-integrante do Ministério das Finanças russo, em declaração anônima ao Post, resumiu o clima: “Os drones estão voando. Está pegando fogo. O nervosismo está aumentando. E talvez a sabedoria popular das pessoas esteja se manifestando, levando-as a perceber que precisam guardar dinheiro debaixo do travesseiro, e não em algum lugar nos bancos, de onde talvez nunca seja devolvido”.
Guerra pressiona orçamento e reservas
Passados quatro anos de conflito, os gastos militares consumiram cerca de 16 trilhões de rublos (R$ 980 bilhões) do orçamento federal em 2025 — 7,5% do PIB russo, conforme levantamento do Instituto Internacional de Estudos de Paz de Estocolmo. O déficit orçamentário fechou o ano em 2,6% do PIB, apesar da política monetária restritiva adotada pelo Kremlin para conter a inflação.
Estudo divulgado em junho pelo Instituto Kiel para a Economia Mundial, em parceria com o Instituto de Estocolmo para Economias de Transição, apontou queda dos ativos líquidos do fundo soberano russo: de 6,5% do PIB no início da guerra para 1,8% em abril.
As receitas com petróleo e gás recuaram 45% no primeiro trimestre na comparação anual, enquanto ataques ucranianos com drones seguem atingindo depósitos comerciais no território russo, ampliando os efeitos econômicos do conflito sobre a população.
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