Horror venezuelano
A tragédia humanitária que embasa a luta pela queda de Maduro.
Com Juan Guaidó se declarando presidente, o noticiário sobre a Venezuela tem se focado na luta pela queda de Nicolás Maduro. Mas é preciso destacar que o plano de fundo continua sendo uma nação em colapso.
No episódio mais recente da tragédia, o Banco Central venezuelano lançou a nota de 50 mil bolívares soberanos. Se Maduro não tivesse cortado cinco zeros em agosto, a cédula estamparia o valor de 5 bilhões de bolívares fortes. Que, a despeito do número grandioso, equivaleria a apenas 7 dólares. Como Duda Teixeira informou na Crusoé, a quantia não compra nem um quilo e meio de carne de segunda.
Na Venezuela, uma nota de dinheiro vale mais que um salário– Colapso Desde que Lula pediu voto para eleger Maduro, a economia local encolheu a menos da metade. No ritmo atual, o desemprego atingirá metade da população até 2020 – a mesma taxa medida na Guerra da Bósnia após três anos e meio de conflito. O governo só facilita o acesso de ajuda estrangeira quando oriunda das poucas nações amigas. Além de insuficiente, falta estrutura para uma distribuição adequada. A crise humanitária é tamanha que um milhão de estudantes não mais frequentam a escola. Mesmo integrando a Organização dos Países Exportadores de Petróleo, a Venezuela sofre com racionamento de gasolina. A produção de petróleo equivale atualmente a um sexto do que se produzia antes de o chavismo corroer o país. O desastre não poupa nem os criminosos. A hiperinflação faz com que munição custe uma fortuna. E com que furto de dinheiro impresso se assemelhe a um roubo de papel sem valor. O chavismo ainda serviu como porta de entrada para o extremismo islâmico na América Latina, quando o Hezbollah passou a explorar o narcotráfico no continente. Duda Teixeira explicou o elo na Crusoé.
Ministro venezuelano abriu as portas da América Latina para o Hezbollah– Liberdade de expressão O senador americano Hiram Johnson costumava dizer que, numa guerra, a primeira vítima é a verdade. A Venezuela não está oficialmente em conflito, mas coleciona números de um. E, como era de se esperar, a liberdade de expressão vive em desgraça. A milícia de Maduro chega a invadir rádios para interromper transmissões de protestos. Os bloqueios não poupam também serviços na internet, como redes sociais e sites de busca. O jornal digital La Patilla foi obrigado por uma Suprema Corte aparelhada a pagar o equivalente a R$ 19 milhões ao número dois da ditadura. Em outro episódio emblemático, Maduro interrompeu uma entrevista, ameaçou e deportou o jornalista Jorge Ramos.
“Você veio me provocar. Vai engolir esta provocação. Vai engolir com Coca-Cola a sua provocação.” Nicolás Maduro, ameaçando Jorge RamosHá também o duelo de narrativas. Quando a ajuda humanitária saiu dos Estados Unidos, foi interceptada pela ditadura e distribuída como se pertencesse ao governo local. – Repressão Nada, contudo, choca mais do que a repressão aos protestos. No primeiro de maio, foram mais de cem feridos. Na véspera, a imagem de um tanque atropelando manifestantes ganhou o mundo. A ditadura de Maduro saqueia a casa de opositor, assassina adolescente e fecha o Congresso. As sandices do ditador chegam a envolver até mesmo sacrifícios religiosos. Após a “operação Liberdade“, um general próximo a Guaidó foi encontrado morto em um hotel. Um ex-diretor da inteligência venezuelana disse ter certeza de que o homicídio havia sido encomendado.
“Estou seguro de que este fato obedece a um assassinato seletivo e por encomenda. Eles sabiam quanto este homem tinha estudado informações sensíveis sobre os casos de corrupção mais espantosos e aberrantes que se investigaram durante minha gestão no Sebin.” Manuel Figuera, ex-diretor do SebinA perseguição à oposição é grotesca ao ponto de profissionais cubanos identificarem antichavistas para que não mais recebam atendimento médico. – Deu certo Hugo Chávez dizia que implementava na Venezuela o que chamava de “socialismo do século XXI”. Já na época, críticos apontavam o risco de o experimento dar errado com todas as tentativas do século XX. Todavia, quando Donald Trump discursou na ONU em 2017, ofereceu uma leitura que parecia explicar melhor o fenômeno.
O problema na Venezuela não é que o socialismo tenha sido mal implementado, mas que o socialismo foi fielmente implementado. Donald Trump
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