Banco do Brasil e sindicato trocam acusações
Presidência da estatal notifica entidade sindical após reportagem satírica gerar acusação de misoginia e xenofobia
O Banco do Brasil enviou notificação extrajudicial ao Sindicato dos Bancários de Brasília, exigindo a publicação de uma resposta a uma reportagem que criticava a gestão da presidente Tarciana Medeiros. A entidade sindical nega as acusações feitas pela estatal e afirma manter histórico de combate ao machismo e à xenofobia.
O episódio expõe uma ruptura pouco comum entre a direção do banco público e um sindicato ligado à CUT (Central Única dos Trabalhadores), justamente sob um governo federal de orientação à esquerda.
Origem da controvérsia
A disputa começou com uma publicação de maio do jornal Espelho DF, veículo vinculado ao sindicato. Em formato de sátira e cordel, o texto questionava temas como ampliação de jornada, descomissionamentos, cobrança de metas, adoecimento de funcionários e redução do atendimento presencial no banco.
A capa da edição usou a expressão “mainha” para se referir a Tarciana, natural da Paraíba. Segundo o sindicato, tratava-se de recurso legítimo de crítica, inclusive já empregado pela própria executiva ao se referir a si mesma.
Advogados do BB, porém, classificaram o conteúdo como falso, incompleto e descontextualizado, e sustentaram que o uso repetido do termo configurava desqualificação de gênero associada a estereótipo nordestino. A notificação cita ainda injúria, difamação e uso indevido de nome, marca e imagem da presidente.
Versões opostas
O sindicato rejeita as acusações e afirma que a crítica se dirigia exclusivamente à atuação administrativa da executiva, sem relação com atributos pessoais de gênero ou origem. Mesmo contestando o teor da notificação, publicou a carta de resposta de Tarciana em seu site, atitude que justificou por compromisso com a pluralidade de opiniões.
Na carta, a presidente do BB defende as decisões tomadas à frente do banco: “Não existe banco forte sem sustentabilidade econômica”, escreveu, acrescentando que a instituição “precisa ser cada vez mais digital sem abandonar quem ainda precisa do atendimento presencial”.
Ela também declarou que “quando as críticas passam a carregar traços de qualquer forma de violência, deixamos de discutir o BB e passamos a reproduzir práticas que precisam ser enfrentadas com clareza e firmeza”.
Questionado sobre as denúncias de sobrecarga de trabalho e fechamento de guichês levantadas pelo sindicato, o Banco do Brasil respondeu que “combate com firmeza práticas de assédio moral ou qualquer conduta inadequada no ambiente de trabalho” e informou que as mesas de negociação coletiva da categoria seguem em andamento.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)