Picanha não precisa monopolizar a churrasqueira: alguns cortes custam menos e ficam espetaculares quando recebem fogo e faca do jeito certo
Alguns cortes de carne têm personalidade própria e ficam ótimos na churrasqueira com a técnica certa. Veja quais pedem bife grosso, fogo lento e como fatiar

O que você vai ver
- Quais cortes ficam melhores em bifes grossos.
- Quais pedem fogo mais lento em vez de calor direto.
- Como a forma de fatiar muda completamente o resultado.
- Por que esses cortes não precisam ser vendidos como “picanha barata”.
Nem todo corte precisa imitar a picanha para ganhar espaço na churrasqueira. Alguns têm personalidade própria, um sabor mais intenso ou uma textura diferente, e o segredo para tirar o melhor deles está na técnica, não em tentar reproduzir outro corte.
Por que esses cortes não precisam ser vendidos como “picanha barata”?
Tratar um corte alternativo como substituto inferior da picanha costuma gerar frustração, porque a comparação cria uma expectativa de sabor e textura que nem sempre se aplica. Peças como fraldinha, contra-filé ou tri-tip (equivalente à picanha no corte americano) têm identidade própria, com grão de fibra e teor de gordura diferentes, e funcionam melhor quando avaliadas pelo que realmente são.
Encarar cada corte como uma experiência própria, com seu próprio ponto ideal de fogo e corte, tende a produzir resultados muito mais satisfatórios do que buscar uma imitação que nunca vai ficar idêntica ao original.

Quais cortes ficam melhores em bifes grossos?
Cortes com boa quantidade de gordura entremeada, como contra-filé e fraldinha, aproveitam melhor um corte mais grosso, de 3 a 4 centímetros, porque a espessura extra dá tempo para a gordura derreter e irrigar as fibras por dentro antes de a superfície passar do ponto.
Bifes finos desses mesmos cortes tendem a perder rápido a suculência no calor direto, já que o interior atinge a temperatura final quase ao mesmo tempo que a superfície forma a crosta, sem o intervalo necessário para a gordura interna cumprir seu papel.
Quais pedem fogo mais lento em vez de calor direto?
Cortes com fibras mais longas e menos gordura entremeada se beneficiam de um fogo mais brando e indireto, técnica que aproxima a churrasqueira de um forno: o calor cozinha a peça por igual, de fora para dentro, sem formar uma crosta seca antes de o interior atingir o ponto certo.
Uma forma prática de aplicar isso numa churrasqueira comum é concentrar a brasa de um lado e deixar o corte mais fibroso do outro lado, mais distante do calor direto, terminando o cozimento com uma passagem rápida sobre a brasa apenas no fim, para dourar a superfície.
Como a forma de fatiar muda completamente o resultado?
Identificar o sentido das fibras antes de cortar é decisivo: fatiar sempre contra as fibras, nunca a favor delas, encurta as fibras musculares e torna qualquer corte mais macio na mordida, efeito que muitas vezes importa mais para a maciez final do que a origem ou o preço da peça.
Em cortes com fibras mais visíveis, como a fraldinha, essa atenção faz ainda mais diferença: a mesma peça pode parecer dura ou macia dependendo apenas do ângulo em que a faca passa por ela no momento de servir.

Vale temperar esses cortes de forma diferente da picanha?
Cortes com sabor mais acentuado, como a fraldinha, costumam pedir menos tempero do que a picanha, já que o próprio corte já carrega bastante personalidade: sal grosso aplicado pouco antes de ir à brasa costuma ser suficiente para realçar o sabor natural sem competir com ele.
Já cortes mais fibrosos e de sabor mais neutro se beneficiam de marinadas leves, com ingredientes ácidos como limão ou vinagre, que ajudam a amaciar a fibra ao mesmo tempo em que adicionam camadas extras de sabor à peça antes do fogo.
- Contra-filé e fraldinha: bifes grossos, de 3 a 4 cm, no calor direto.
- Cortes mais fibrosos: fogo indireto, mais lento, com brasa concentrada de um lado.
- Fatiar sempre contra as fibras, nunca a favor.
- Encarar cada corte pela própria identidade, não como substituto de outro.
A forma como o fogo é organizado na churrasqueira também influencia diretamente esses resultados, tema explorado nesta explicação sobre o que açougueiros observam antes de escolher a carne.
Mais dicas sobre substitutos de picanha e técnicas de preparo estão disponíveis no Food Republic.
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