O hipercarro elétrico que usa dois ventiladores gigantes para grudar o chassi no asfalto mesmo quando está parado
Sistema com ventiladores de 23 mil rpm cria até 2.000 kg de downforce e permite níveis extremos de aceleração, frenagem e aderência
O McMurtry Spéirling parece pequeno demais para entregar números de um hipercarro extremo, mas esconde uma solução raríssima: dois ventiladores elétricos sugam o ar sob o assoalho e criam força descendente antes mesmo de o veículo começar a andar. O sistema permite explorar níveis de aderência normalmente associados a carros de corrida em alta velocidade.
Como o McMurtry Spéirling consegue criar aderência mesmo parado?
Carros de corrida tradicionais dependem bastante da velocidade para produzir downforce. Asas, difusores e o assoalho aceleram o fluxo de ar conforme o veículo avança, pressionando-o contra a pista. Quanto menor a velocidade, porém, menor tende a ser esse efeito aerodinâmico.
O Spéirling quebra essa relação porque produz uma região de baixa pressão artificialmente sob o carro. Dois ventiladores elétricos retiram ar de uma área parcialmente selada pelo assoalho e pelas saias, fazendo a pressão atmosférica externa empurrar o veículo contra o solo. Na configuração de produção apresentada em 2026, a fabricante anuncia até 2.000 kg de downforce desde 0 km/h.
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O que existe por trás dos enormes ventiladores na traseira?
O sistema Downforce-on-Demand utiliza dois ventiladores que podem chegar a 23 mil rpm. Eles aspiram o ar da região selada abaixo do chassi, passam o fluxo por filtros e o expulsam pela traseira. Portanto, não é exatamente um “vácuo absoluto”, mas uma diferença controlada de pressão extremamente poderosa.
Os principais componentes trabalham juntos:
- Dois ventiladores elétricos de alta rotação.
- Saias móveis próximas ao asfalto.
- Região de baixa pressão sob o chassi.
- Filtros para proteger o sistema.
- Controle eletrônico da força descendente.
O vídeo oficial abaixo acompanha o Spéirling PURE em Silverstone e mostra diretamente o desempenho proporcionado pelo sistema de ventiladores, principalmente em curvas lentas, onde carros dependentes apenas da aerodinâmica convencional produzem menos downforce.
O McMurtry Spéirling realmente produz 2.000 kg de downforce parado?
Segundo a configuração final de produção revelada pela McMurtry em julho de 2026, sim: o sistema pode gerar até 2.000 kg de força descendente desde 0 mph. A característica tornou possível uma demonstração ainda mais extrema em 2025, quando um protótipo foi preso pela sucção a uma plataforma, invertido e conduzido de cabeça para baixo.
Isso não significa que o carro esteja simplesmente “pesando três toneladas” em qualquer situação. Downforce é uma força aplicada contra a superfície e pode ser modulada. A enorme vantagem está em produzi-la independentemente da velocidade, inclusive durante aceleração inicial, curvas lentas ou frenagens.
| Característica | Spéirling PURE |
|---|---|
| Potência | 1.000 bhp |
| Downforce máxima | Até 2.000 kg |
| Rotação dos ventiladores | Até 23.000 rpm |
| Velocidade máxima | Cerca de 306 km/h |
Ele realmente acelera de 0 a 100 km/h em menos de 1,5 segundo?
Aqui existe uma pequena diferença importante. O protótipo usado em um teste independente realizado para o carwow registrou 0 a 60 mph, equivalente a aproximadamente 96,6 km/h, em 1,40 segundo. Também chegou a 100 mph, cerca de 161 km/h, em apenas 2,63 segundos.
Já o modelo final de produção anunciado em 2026 tem especificação oficial de 0 a 60 mph em 1,55 segundo. Portanto, não é preciso afirmar que a versão comercial faz 0 a 100 km/h em menos de 1,5 segundo para mostrar sua brutalidade. A McMurtry confirma oficialmente 1.000 bhp, até 2.000 kg de downforce e velocidade máxima de 190 mph.

Por que o McMurtry Spéirling consegue fazer curvas tão rápidas?
A força descendente aumenta a carga aplicada sobre os pneus, permitindo que eles gerem maiores forças laterais antes de perder aderência. Como o sistema de ventiladores continua funcionando em baixa velocidade, o motorista mantém uma vantagem justamente em curvas onde asas convencionais perderiam boa parte de sua eficiência.
A fabricante anuncia capacidade próxima de 3 g em curvas e também durante frenagens. O princípio já mostrou seu potencial em circuitos e subidas: o protótipo estabeleceu em 2022 o recorde absoluto da subida de Goodwood, completando o percurso em 39,08 segundos.
Esse hipercarro elétrico realmente custa R$ 15 milhões?
A versão definitiva não tem preço oficial de R$ 15 milhões. Em julho de 2026, a McMurtry anunciou o Spéirling PURE por £995 mil, aproximadamente US$ 1,3 milhão segundo a própria empresa, antes de impostos locais, transporte e opcionais. Apenas 100 unidades estão previstas.
O resultado é uma máquina diferente do conceito tradicional de hipercarro. Em vez de apostar apenas em potência, velocidade máxima e enormes asas, o Spéirling usa eletricidade para controlar diretamente a pressão sob o veículo. Seus ventiladores transformam o ar em uma espécie de ferramenta invisível de aderência, capaz de pressionar o carro contra a pista antes mesmo da primeira volta das rodas.
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