O predador colossal dos oceanos que cria cortinas de bolhas em espiral para encurralar cardumes inteiros
Jubartes usam bolhas, movimentos coordenados e vocalizações para concentrar peixes antes de avançarem juntas em direção à superfície
Debaixo da superfície, uma baleia-jubarte pode transformar o próprio ar em uma armadilha. Em determinadas populações, esses gigantes nadam ao redor dos peixes enquanto liberam bolhas, criando estruturas circulares que concentram a presa antes de uma impressionante investida em direção à superfície.
Como a baleia-jubarte constrói uma rede de bolhas debaixo d’água?
A técnica é conhecida como bubble-net feeding, ou alimentação por rede de bolhas. A jubarte mergulha abaixo ou ao redor do cardume e libera ar enquanto descreve movimentos circulares ou espirais. As bolhas sobem formando uma espécie de barreira que ajuda a manter os peixes concentrados em uma área menor.
Nem toda rede tem exatamente o mesmo formato. Pesquisadores registraram círculos, espirais ascendentes e outras configurações, e estudos recentes mostram que as baleias conseguem ajustar dimensões e detalhes dessas estruturas de acordo com a situação de caça. O comportamento pode ocorrer individualmente ou em grupos coordenados.
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O que acontece quando o cardume fica cercado pelas bolhas?
Os peixes tendem a permanecer agrupados dentro da região delimitada, o que facilita a captura. Depois de construir a rede, uma ou mais baleias sobem pelo centro com a boca aberta e engolfam grande quantidade de água e presas, que depois são filtradas pelas barbatanas presentes na boca.
A sequência pode envolver diferentes etapas:
- Mergulhar abaixo do cardume.
- Liberar bolhas enquanto nada em círculo ou espiral.
- Concentrar os peixes dentro da área delimitada.
- Subir em direção ao cardume agrupado.
- Emergir com a boca aberta para capturar as presas.
O vídeo da Universidade do Havaí em Mānoa mostra diretamente uma jubarte criando uma rede circular de bolhas no sudeste do Alasca. As imagens aéreas e os registros feitos com equipamentos presos ao animal permitem observar o comportamento por ângulos difíceis de acompanhar apenas da superfície.
A baleia-jubarte realmente usa sons para organizar o ataque?
Em algumas populações que caçam arenques, vocalizações específicas aparecem associadas à alimentação. Estudos indicam que esses chamados podem participar da coordenação do grupo e também influenciar o comportamento dos peixes, fazendo com que eles se agrupem ainda mais antes da investida.
Por isso, a ideia de que sempre existe “uma baleia responsável por emitir um som agudo” simplifica demais o comportamento. Os papéis podem variar, e a ciência ainda investiga como cada indivíduo participa dessas operações. Relatos da NOAA descrevem grupos mergulhando, vocalizando, criando bolhas e subindo juntos.
Por que os peixes não simplesmente atravessam a cortina de bolhas?
A barreira não funciona como uma rede física sólida. Ela altera visualmente e fisicamente o ambiente ao redor do cardume, e determinadas espécies de peixes tendem a evitar atravessar a parede de bolhas, permanecendo concentradas no interior da estrutura.
O NOAA Fisheries descreve a alimentação coordenada com redes de bolhas como uma técnica em que cortinas de ar condensam as presas antes que as baleias avancem para capturá-las. A eficiência depende do comportamento dos animais, da presa e das condições locais.
| Etapa | Função provável |
|---|---|
| Mergulho | Posicionar-se abaixo ou ao redor da presa |
| Bolhas | Concentrar o cardume |
| Vocalizações | Auxiliar na coordenação e afetar a presa |
| Investida | Engolfar água e peixes concentrados |
Toda baleia-jubarte sabe caçar dessa maneira?
Não. A alimentação por bolhas apresenta diferenças regionais, e nem todas as populações ou indivíduos executam exatamente a mesma técnica. A própria NOAA destaca especializações locais, mostrando que determinados grupos desenvolveram padrões particulares de criação das redes e de ataque às presas.
Isso torna o comportamento especialmente interessante para pesquisadores porque existe evidência de aprendizagem social nas jubartes. Certas estratégias alimentares podem se espalhar entre indivíduos e persistir dentro das populações, acrescentando uma dimensão cultural ao modo como esses animais exploram diferentes fontes de alimento.

Até que ponto essa estratégia pode ser considerada uma ferramenta?
Um estudo publicado em 2024 analisou jubartes criando redes de bolhas individualmente e concluiu que elas ajustavam elementos como número de anéis, tamanho e espaçamento durante a caça. Os autores interpretaram essas redes como ferramentas produzidas e controladas pelas próprias baleias para aumentar a eficiência da alimentação.
Portanto, a cena não é apenas um espetáculo na superfície. Antes de várias bocas gigantes surgirem entre espuma e peixes, pode existir uma sequência cuidadosamente organizada de mergulho, movimento, ar e comunicação. É essa combinação que transforma uma simples exalação em uma das técnicas de alimentação mais elaboradas já observadas entre mamíferos marinhos.
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