Marca de roupas entra em falência pela segunda vez em pouco mais de um ano e quase 6 mil trabalhadores acompanham o desfecho
Marca de roupas voltou à falência pouco mais de um ano após a primeira recuperação judicial. Veja por que a saída do próprio fundador é apontada como o início da crise

O que você vai ver
- Qual marca de roupas entrou em falência pela segunda vez em pouco mais de um ano.
- Por que o afastamento do próprio fundador é apontado como estopim da crise.
- Se o ex-fundador tentou comprar a empresa de volta.
- O que era diferente no modelo de produção da marca.
Uma marca de roupas voltou à Justiça pedindo recuperação judicial pela segunda vez em pouco mais de um ano, mesmo depois de uma reestruturação anterior ter colocado a empresa sob novo controle acionário na tentativa de reverter a crise.
Qual marca de roupas entrou em falência pela segunda vez em pouco mais de um ano?
A marca é a American Apparel, fabricante e varejista de roupas fundada em Los Angeles, que saiu de uma primeira recuperação judicial em fevereiro de 2016 sob controle de um grupo de antigos credores liderado pela gestora Monarch Alternative Capital, e voltou a pedir proteção contra credores em novembro do mesmo ano.
Na época do segundo pedido, a empresa somava cerca de 6 mil trabalhadores entre a fábrica e a rede de lojas, número que evidenciava o tamanho do impacto potencial de um fechamento total da operação sobre famílias que dependiam diretamente da marca.
American Apparel was once one of America's most successful and iconic fashion brands — but the staff quickly discovered there was a dark side to CEO Dov Charney that eventually caused the company to implode.
— Netflix (@netflix) July 1, 2025
Trainwreck: The Cult of American Apparel is now playing pic.twitter.com/uL08eLXMWg
Por que o afastamento do próprio fundador é apontado como estopim da crise?
Dov Charney, fundador e rosto público da American Apparel por quase duas décadas, foi afastado do cargo de presidente do conselho e suspenso da função de CEO em 2014, depois de acusações internas de má conduta, incluindo denúncias repetidas de assédio.
Analistas do setor de moda apontam a saída de Charney como o início de uma sequência de tropeços: o plano de retomada apresentado pelos novos controladores, focado em voltar às peças básicas que consagraram a marca, não foi suficiente para conter a queda nas vendas nem para evitar o segundo pedido de recuperação judicial poucos meses depois.
O ex-fundador tentou comprar a empresa de volta?
Sim. Dov Charney tentou recomprar a American Apparel durante o processo de recuperação judicial, oferecendo cerca de R$ 1,65 bilhão para retomar o controle da empresa que havia fundado, numa tentativa de reverter o próprio afastamento decidido pelo conselho anos antes.
Um juiz responsável pelo processo rejeitou a proposta de Charney, o que selou o destino da marca sob o controle dos credores que já vinham conduzindo a reestruturação, encerrando qualquer possibilidade de o fundador retomar as rédeas do negócio que criou.
O que era diferente no modelo de produção da marca?
A American Apparel construiu parte da própria identidade em torno da fabricação nos Estados Unidos, mantendo uma das maiores fábricas de roupa do país em Los Angeles e promovendo a ideia de produção “livre de sweatshops”, em contraste direto com a maior parte da indústria de vestuário, que já havia transferido a produção para países com mão de obra mais barata.
Esse modelo de produção interna, apesar de reforçar a identidade da marca junto a parte do público, também deixava a empresa mais exposta a custos operacionais fixos altos, justamente num momento em que as vendas vinham caindo e a concorrência de marcas de fast fashion mais baratas se intensificava.

O que aconteceu com a marca depois da segunda falência?
Sem comprador interessado em manter a operação completa funcionando, a American Apparel encerrou a rede de lojas físicas, que já havia encolhido para cerca de 110 unidades, e a marca acabou vendida para outra empresa do setor de vestuário, que manteve o nome ativo principalmente como grife licenciada, sem a estrutura de fábrica própria que sempre definiu o negócio original.
O fim da produção própria em Los Angeles marcou o encerramento de um modelo de negócio que, décadas antes, havia sido justamente o principal diferencial de marketing da marca frente à concorrência.
- Fevereiro de 2016: saída da primeira recuperação judicial, sob controle de credores.
- Novembro de 2016: segundo pedido de recuperação judicial.
- Cerca de 2.400 demissões na fábrica de Los Angeles.
- Oferta de recompra do ex-fundador, de cerca de R$ 1,65 bilhão, rejeitada pela Justiça.
O mesmo tipo de disputa entre fundador afastado e novos controladores também marcou a trajetória de outra rede americana de moda, como mostra o caso da dona de Men’s Wearhouse e Jos. A. Bank, cuja crise remonta à saída do próprio fundador do conselho.
Mais detalhes sobre a segunda falência da American Apparel estão disponíveis na Crain’s New York Business.
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