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Saiba como novos dados do MapBiomas podem afetar negócios
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Carlos Graieb
7 minutos de leitura 12.08.2026 16:29 comentários
Oráculo

Saiba como novos dados do MapBiomas podem afetar negócios

Evolução dos dados sobre desmatamento, ocupação da terra e clima devem criar novos mapas de risco e crédito

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Carlos Graieb
7 minutos de leitura 12.08.2026 16:29 comentários 2
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Foto: Governo de São Paulo/Divulgação
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O MapBiomas divulgou nesta quarta-feira, 12, a Coleção 11 dos mapas anuais de cobertura e uso da terra, que acompanha as transformações do território brasileiro entre 1985 e 2025. O levantamento mostra que a parcela do país coberta por vegetação nativa caiu de 79% para 65% em 41 anos, enquanto a área ocupada pela agropecuária avançou de 18% para 32%.

A nova coleção complementa o Relatório Anual do Desmatamento 2025 (RAD), publicado em maio. Os dois trabalhos observam dimensões distintas do mesmo fenômeno. A Coleção 11 acompanha o estoque de vegetação e as mudanças de uso da terra ao longo de quatro décadas; o RAD mede os novos eventos de desmatamento, com ênfase no período entre 2019 e 2025.

O contraste é importante. O RAD mostrou que o desmatamento caiu 20,6% em 2025, para 984.794 hectares — o primeiro resultado abaixo de 1 milhão de hectares na série do MapBiomas Alerta. A coleção divulgada agora mostra, porém, a dimensão do passivo acumulado: aproximadamente um terço do território brasileiro passou por pelo menos uma mudança de cobertura ou uso da terra desde 1985.

Por que isso importa

O MapBiomas começa a mostrar como diferentes formas de ocupação do solo respondem aos extremos climáticos. Na Amazônia, por exemplo, áreas convertidas para agropecuária apresentaram déficit de chuva maior durante o El Niño de 2023/24 do que áreas onde a floresta foi mantida.

Para exportadores, a preservação da vegetação se relaciona cada vez mais a rastreabilidade e acesso a mercados. O RAD já havia calculado que mais de 7 milhões de hectares foram desmatados depois de dezembro de 2020 e estimado que 264 mil imóveis rurais poderiam ser alcançados pelas restrições associadas à regulamentação antidesmatamento da União Europeia.

Para bancos, seguradoras e operadores do crédito rural, a combinação de risco ambiental e risco climático tem importância. O RAD encontrou sobreposição com alertas de desmatamento em 59.342 das 581.161 operações de crédito rural com recursos públicos ou cobertura do Proagro analisadas em 2025 — cerca de 10,2% do total, embora o próprio relatório ressalve limitações da base. A concentração do desmatamento em uma fração relativamente pequena dos imóveis permite, em tese, políticas de fiscalização e crédito mais focalizadas.

Lupa: vegetação, agropecuária e El Niño

A principal novidade da Coleção 11 é o cruzamento dos mapas de uso da terra com informações do MapBiomas Atmosfera. Os pesquisadores analisaram especialmente os meses de setembro a novembro durante três episódios fortes de El Niño: 1997/98, 2015/16 e 2023/24.

A comparação demonstra que o impacto varia conforme o bioma e o tipo de cobertura do solo.
Na Amazônia, o déficit de precipitação foi o mais forte entre os biomas nos três eventos analisados. No El Niño de 2023/24, as áreas agropecuárias registraram 178 milímetros de chuva abaixo da média histórica, sofrendo mais do que as áreas de floresta preservada.

No Cerrado e na porção norte da Mata Atlântica, a redução das chuvas se intensificou ao longo dos três episódios. Nesses casos, porém, o levantamento aponta que as áreas de vegetação nativa foram mais afetadas, mostrando que não existe relação uniforme entre conversão da vegetação e déficit de precipitação.

No Pampa, a dinâmica é inversa. O El Niño está associado a excesso de chuvas, e as áreas agropecuárias foram as mais atingidas pelos extremos, sobretudo nos dois eventos mais recentes.

Do ponto de vista econômico, importa a constatação de que uso da terra e risco climático precisam ser analisados conjuntamente. Para produtores, bancos e seguradoras, mapas de cobertura podem tornar-se uma variável adicional na avaliação da exposição a perdas ligadas ao clima.

Panorama

Em 1985, 79% do Brasil ainda estava coberto por vegetação nativa. Em 2025, eram 65%. No movimento inverso, a agropecuária passou de 18% para 32% do território. Na comparação direta entre o início e o fim da série, 241 milhões de hectares aparecem em uma classe de cobertura ou uso diferente; 56% dessa área representa conversão de vegetação nativa para atividades agropecuárias.

A agricultura saltou de 18,6 milhões para 66,5 milhões de hectares. A soja respondeu por grande parte dessa expansão: passou de 4,5 milhões para 44,2 milhões de hectares. As pastagens atingiram 165,6 milhões de hectares e continuam representando mais da metade de toda a área agropecuária.

Em números absolutos, Amazônia e Cerrado concentram as maiores perdas de vegetação nativa: 53,9 milhões e 51,7 milhões de hectares, respectivamente. Proporcionalmente, Cerrado e Pampa lideram, com reduções de 34% e 32%.

A comparação com o RAD reforça especialmente a preocupação com o Cerrado. Em 2025, o bioma respondeu por 540.614 hectares de novos desmatamentos, ou cerca de 55% do total brasileiro, quase o dobro da área registrada na Amazônia.

O fluxo anual de desmatamento caiu nos últimos três anos, mas o Cerrado continua sendo a principal fronteira atual de perda de vegetação e já acumula, no horizonte de quatro décadas, redução absoluta comparável à da Amazônia.

Economia

Produção e produtividade: se tipos diferentes de uso da terra respondem de maneiras diferentes a secas e excesso de chuvas, mapas ambientais podem melhorar modelos de risco agrícola. Características da paisagem ao redor da propriedade podem passar a ser usadas nos modelos preditivos. Os dados divulgados agora indicam um caminho para esse tipo de avaliação.

Seguro rural: a mesma lógica vale para precificação de seguros. Mas o cruzamento entre El Niño e uso da terra sugere que cobertura vegetal poderá integrar modelos mais sofisticados de risco climático.

Crédito: entre as operações de crédito rural público analisadas em 2025, cerca de 10,2% apresentavam alguma sobreposição com alertas de desmatamento. O relatório ressalta, porém, que as informações são incompletas e a sobreposição não significa, por si só, que o financiamento tenha sido utilizado para desmatar. Fiscalização ulterior é necessária para essa averiguação.

Exportações: a infraestrutura de dados já permite cruzamentos detalhados entre Cadastro Ambiental Rural (CAR), alertas de desmatamento, autorizações e áreas embargadas e compradores no exterior estão cada vez mais atentos a essas informações em sua cobrança por rastreabilidade dos produtos adquiridos.

Política pública: o RAD mostrou que apenas 0,6% dos imóveis cadastrados no CAR registraram desmatamento em 2025, embora imóveis inscritos no cadastro respondessem por 85,7% de toda a área desmatada. É um dado que sugere forte concentração do problema do desmatamento ilegal e, consequentemente, espaço para fiscalização, restrições de crédito e incentivos direcionados em vez de políticas indistintas para todo o setor agropecuário. Há, contudo, um gargalo: fortes diferenças de transparência entre os estados.

Resumo da ópera

Os dados publicados pelo MapBiomas em maio e nesta quarta-feira contam duas partes da mesma história. O RAD 2025 trouxe a boa notícia: o desmatamento caiu mais de 20% no ano passado e ficou abaixo de 1 milhão de hectares pela primeira vez na série. A Coleção 11 mostra o estoque acumulado do problema: em quatro décadas, a parcela do território coberta por vegetação nativa caiu de 79% para 65%. O cruzamento com os episódios de El Niño acrescenta uma terceira dimensão: as mudanças no uso da terra também precisam entrar na conta do risco climático.

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Carlos Graieb

Carlos Graieb é jornalista formado em Direito, editor sênior do portal O Antagonista e da revista Crusoé. Atuou em veículos como Estadão e Veja. Foi secretário de comunicação do Estado de São Paulo (2017-2018). Cursa a pós-graduação em Filosofia do Direito, da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).

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Comentários (2)

Pedro Boer

12.08.2026 18:26

Mais do o território da União Europeia que é de 5.400.000 km².


Pedro Boer

12.08.2026 18:20

Dos 8.510.000 km² , sobram 5.530.000 km² de mato. Nada mau...


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Pedro Boer

12.08.2026 18:26

Mais do o território da União Europeia que é de 5.400.000 km².


Pedro Boer

12.08.2026 18:20

Dos 8.510.000 km² , sobram 5.530.000 km² de mato. Nada mau...



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