O homem que vendia pães e doces de porta em porta e criou uma das marcas de alimentos mais conhecidas do Brasil

12.10.2026

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O homem que vendia pães e doces de porta em porta e criou uma das marcas de alimentos mais conhecidas do Brasil
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7 minutos de leitura 12.08.2026 12:43 comentários
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O homem que vendia pães e doces de porta em porta e criou uma das marcas de alimentos mais conhecidas do Brasil

Kiyoteru Yonamine transformou uma pequena produção familiar iniciada em São Paulo em uma trajetória empresarial que atravessou gerações

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O homem que vendia pães e doces de porta em porta e criou uma das marcas de alimentos mais conhecidas do Brasil
A origem artesanal e dedicada na produção de pães que marcou o início de uma trajetória familiar

Antes de a Panco ocupar prateleiras de supermercados com pães, bisnaguinhas, bolos, biscoitos e outros produtos, sua origem passou por imigração, lavoura e jornadas iniciadas ainda de madrugada. A história da Panco está ligada principalmente a Kiyoteru Yonamine, que chegou criança ao Brasil e mais tarde começou a produzir e comercializar alimentos em pequena escala. A transformação aconteceu aos poucos, e alguns detalhes repetidos na internet, como uma bicicleta e uma empresa avaliada em R$ 5 bilhões, não aparecem sustentados pelas fontes mais confiáveis consultadas.

Como a história da Panco começou muito antes de existir uma grande fábrica?

Kiyoteru Yonamine chegou ao Brasil em 1937, ainda criança, vindo de Okinawa, no Japão. Sua família se estabeleceu inicialmente no Vale do Ribeira, no estado de São Paulo, e trabalhou na agricultura. Depois da morte do pai, Kiyoteru assumiu responsabilidades familiares muito cedo e passou por diferentes atividades até encontrar na produção de doces e pães um caminho profissional.

Já em São Paulo, ele trabalhou em padarias e aproveitou as madrugadas para produzir por conta própria. Um relato sobre a trajetória empresarial de Kiyoteru Yonamine registra que ele chegou a alugar fornos de padarias durante a madrugada para assar seus produtos e, durante o dia, comercializá-los em pequenos estabelecimentos. Era um começo muito distante da estrutura industrial que surgiria décadas depois.

Leia também: A ave engenhosa que usa ferramentas da natureza e atira insetos e pedaços de pão na água como isca para pescar peixes desavisados

Quais detalhes do começo da história da Panco realmente aparecem documentados?

Em 1952, Kiyoteru começou a vender doces e pães de porta em porta na região da Vila Ré, na Zona Leste de São Paulo. A esposa Yone e o irmão Jinko participaram daquele pequeno negócio familiar. Fontes históricas também registram o uso de um triciclo com uma grande caixa de madeira na frente, utilizado nas entregas. Portanto, a imagem mais bem documentada não é exatamente a de Kiyoteru pedalando sozinho quilômetros em uma bicicleta comum.

Alguns elementos confirmados dessa fase ajudam a entender a dimensão da mudança:

  • Produção artesanal de pães e doces.
  • Venda de porta em porta.
  • Participação da esposa Yone e do irmão Jinko.
  • Entregas feitas com auxílio de um triciclo.
  • Comercialização para pequenos estabelecimentos.
  • Jornadas de trabalho iniciadas ainda de madrugada.

Um vídeo dedicado à história da empresa apresenta a ligação entre os irmãos Yonamine, a Seven Boys e o surgimento posterior da Panco. O material ajuda principalmente a compreender uma particularidade importante dessa história: Panco e Seven Boys não começaram como dois negócios totalmente independentes, pois suas origens estão conectadas à mesma família.

Por que a história da Panco também passa obrigatoriamente pela Seven Boys?

Esse é um ponto que costuma desaparecer em versões muito simplificadas da trajetória. O empreendimento criado pelos irmãos ficou associado inicialmente à Seven Boys. Kiyoteru, Jinko e Yone participaram da produção e distribuição dos produtos, enquanto o negócio foi crescendo durante as décadas seguintes. A bisnaguinha acabaria se tornando um dos itens mais conhecidos dessa história empresarial.

A Panco como marca separada apareceu somente depois. Em 1985, os irmãos dividiram os negócios: Jinko permaneceu com a Seven Boys, enquanto Kiyoteru passou a operar com o nome Panco. Por isso, dizer simplesmente que ele começou vendendo pão e imediatamente fundou a Panco elimina mais de três décadas importantes da trajetória real.

Período Etapa da trajetória
1937 Kiyoteru chega criança ao Brasil com a família
Início dos anos 1950 Produz durante a madrugada e comercializa pães e doces
1952 Negócio familiar ganha forma em São Paulo
Décadas seguintes Seven Boys cresce e amplia a produção
1985 Os irmãos separam os negócios e Kiyoteru passa a usar a marca Panco
Atualidade Panco mantém amplo portfólio de alimentos e milhares de trabalhadores

Como um negócio de pães artesanais conseguiu ganhar escala industrial?

A expansão não ocorreu apenas porque havia um produto popular. Kiyoteru também demonstrava interesse pela mecanização da produção. Há registros de que ele desenvolvia e adaptava equipamentos com funcionários, numa época em que transformar um processo artesanal em uma linha capaz de produzir grandes volumes exigia soluções específicas. Esse processo ajudou o empreendimento familiar a passar gradualmente de uma produção pequena para uma estrutura industrial.

Ao mesmo tempo, a comercialização mudou de escala. A venda direta e os pequenos comércios deram espaço a uma rede muito maior de distribuição. A Panco atual oferece categorias que vão muito além dos pães, incluindo bolos, biscoitos, massas instantâneas, farináceos, panetones e outros produtos. A própria empresa se apresenta como um negócio familiar brasileiro com mais de sete décadas de atuação.

O antigo triciclo com caixa de madeira usado para distribuir pães e doces de porta em porta
O antigo triciclo com caixa de madeira usado para distribuir pães e doces de porta em porta

A empresa criada por Kiyoteru realmente vale R$ 5 bilhões?

Não foi encontrada documentação pública confiável que permita afirmar que a Panco esteja avaliada exatamente em R$ 5 bilhões. Esse tipo de número exige cuidado porque valor de mercado, faturamento, patrimônio dos proprietários e tamanho do setor são grandezas completamente diferentes. Como a Panco é uma companhia familiar de capital fechado, não existe uma cotação diária em bolsa que permita atribuir a ela um valor de mercado público da mesma forma que ocorre com empresas listadas.

Também seria incorreto usar números do mercado brasileiro de pães e apresentá-los como receita da companhia. Dados setoriais divulgados em 2024 apontavam, por exemplo, um mercado de pães industrializados de aproximadamente R$ 14,3 bilhões por ano, mas esse montante reúne diversas empresas e marcas. Portanto, ele não representa faturamento nem avaliação financeira da Panco.

O que torna essa trajetória impressionante mesmo sem os R$ 5 bilhões do título original?

O contraste verdadeiro já é suficientemente forte. Kiyoteru chegou ao país ainda menino, viveu inicialmente em uma família ligada à lavoura, trabalhou em confeitaria e padaria e passou a aproveitar madrugadas para produzir alimentos antes de sair em busca de compradores. Em 1952, aquele esforço ganhou a participação da esposa e do irmão e se transformou em um empreendimento familiar que atravessaria gerações.

Hoje, a Panco informa ter mais de 70 anos de história, enquanto seu perfil corporativo registra milhares de trabalhadores. Dessa forma, a parte mais extraordinária da história não depende de uma avaliação bilionária sem comprovação nem da imagem romantizada de um empresário solitário pedalando debaixo de chuva. O fato documentado é mais interessante: uma família de imigrantes partiu de uma produção pequena, vendeu pães e doces diretamente aos clientes e construiu uma operação industrial que ainda está presente no mercado brasileiro muitas décadas depois.

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