Milei republica ofensa a Lula em meio à crise diplomática
Presidente argentino compartilha texto que chama petista de “porco”, dois dias após chanceler brasileiro cobrar fim das agressões
O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a expor publicamente seu desgaste com o Brasil neste domingo, 9, ao republicar em suas redes sociais uma mensagem que se refere a Lula (PT) com um termo depreciativo.
A mensagem compartilhada por Milei foi escrita pelo deputado republicano dos Estados Unidos Carlos A. Giménez, que classificou Lula como “criminoso”e afirmou que sua postura em relação ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, decorre de influências externas. O parlamentar declarou: “Os brasileiros merecem muito mais do que esse porco”.
O mesmo deputado publicou ainda uma montagem com a imagem de Lula no lugar de Nicolás Maduro após a captura do venezuelano pelos Estados Unidos, com a legenda “o que o espera” — esta, porém, sem republicação por parte de Milei.
Outras mensagens amplificadas pelo argentino nos últimos dias incluem uma foto histórica de Lula sendo fichado por autoridades da ditadura militar em 1980, além de comentários do escritor Agustín Laje, que questionou a cobertura da imprensa argentina sobre o petista.
Governo brasileiro já havia reagido a ataques anteriores
O atrito mais recente teve início em 25 de julho, durante o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) em São Paulo.
Na ocasião, Milei chamou Lula de “ladrão”, “presidiário” e usou a expressão “lixo socialista”, além de se referir ao ministro do STF Alexandre de Moraes como “lixo careca” — Moraes havia negado ao argentino uma visita a Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar.
Diante da repetição das ofensas, o Itamaraty determinou a dispensa do embaixador argentino em Brasília, Guillermo Daniel Raimondi, rebaixando a relação bilateral ao nível de encarregado de negócios. O representante brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, permanece em seu posto.
As tensões entre os líderes remontam a 2023, quando Milei classificou Lula como “comunista” e “corrupto” durante a campanha que o levou à Casa Rosada. Em 2024, um pedido de desculpas sugerido por Lula foi rejeitado pelo argentino, que mencionou “o ego inflado de algum esquerdinha”.
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