Depois de sair de uma falência, gigante do artesanato quebrou de novo porque fornecedores pararam de vender fiado
A Joann saiu de uma falência em 2024 e quebrou de novo em 2025 porque fornecedores pararam de vender a prazo. O ciclo que levou ao fechamento das 800 lojas
✏️ Por que a Joann quebrou de novo tão rápido?
Depois de sair da primeira falência em 2024, a Joann não conseguiu reconstruir a confiança de fornecedores, que passaram a exigir pagamento à vista ou simplesmente recusaram novos pedidos, deixando as 800 lojas sem estoque suficiente.
A rede americana de artesanato Joann entrou em falência pela segunda vez em menos de um ano, em janeiro de 2025, e dessa vez não encontrou comprador disposto a manter a operação funcionando. O motivo por trás da segunda quebra foi menos financeiro no sentido clássico e mais uma crise de confiança: fornecedores pararam de vender a prazo para a empresa.
O que aconteceu na primeira falência da Joann?
A Joann entrou em Chapter 11 pela primeira vez em março de 2024, processo do qual saiu meses depois com a dívida reduzida, mas ainda carregando uma estrutura de custos pesada para sustentar cerca de 800 lojas físicas nos Estados Unidos.
Sair de uma recuperação judicial normalmente exige reconstruir a confiança de quem fornece mercadoria à empresa, já que fornecedores costumam ficar mais cautelosos com clientes que acabaram de passar por um processo de insolvência.
Joann Fabrics to close all stores nationwide after bankruptcy filing. The craft retailer, a staple since 1943, will liquidate following an asset purchase by GA Group, ending its 80-year run. pic.twitter.com/hB8Ch1bT4B
— Breaking911 (@Breaking911) February 24, 2025
Por que os fornecedores pararam de vender fiado?
Depois da primeira falência, boa parte dos fornecedores da Joann passou a exigir pagamento à vista antes do envio da mercadoria, ou simplesmente recusou novos pedidos por completo, receosos de repetir prejuízo caso a empresa voltasse a ficar inadimplente.
O problema é que a Joann não tinha caixa suficiente para pagar à vista o volume de estoque necessário para abastecer adequadamente 800 lojas, criando um ciclo difícil de romper: sem estoque, as vendas caíam ainda mais, o que reforçava a desconfiança dos próprios fornecedores.
A crise era só da Joann ou do setor de artesanato como um todo?
O varejo físico de tecidos e artesanato como um todo enfrenta pressão crescente de concorrentes online e de redes de departamento com preços mais baixos em itens de costura e artes manuais, tendência que já vinha corroendo as margens da Joann antes mesmo da primeira falência.
Ainda assim, o ritmo específico do colapso da Joann, com apenas cerca de dez meses entre a saída da primeira falência e a entrada na segunda, chamou atenção de analistas de varejo como um caso particularmente rápido de reincidência, mesmo dentro de um setor já pressionado.

O que isso revela sobre empresas que saem de falência muito endividadas?
O caso da Joann ilustra um risco específico de recuperações judiciais rápidas: sair do processo com menos dívida no papel não resolve automaticamente a relação de confiança operacional com fornecedores, funcionários e credores de curto prazo.
- Março de 2024: primeira entrada em Chapter 11.
- Meses seguintes: saída da falência com dívida reduzida, mas caixa apertado.
- Fornecedores passam a exigir pagamento à vista ou recusam pedidos.
- Janeiro de 2025: segunda entrada em Chapter 11, sem comprador para a operação inteira.
- Maio de 2025: fechamento de praticamente todas as lojas.
Assim como no caso da Hudson’s Bay, que também não encontrou comprador para manter a operação de varejo funcionando, o desfecho da Joann mostra como a falta de fornecedores dispostos a financiar o giro de mercadorias pode ser tão decisiva quanto a dívida bancária tradicional.
Mais detalhes sobre o processo estão disponíveis na Retail Dive.
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