Josias Teófilo na Crusoé: Por que todo maconheiro pensa que é artista?
Fumar baseado não produz talento, imaginação ou sensibilidade estética, mas funciona como rito de admissão
Existe um caminho muito comum para o mundo das artes, em que o jovem, no final do ensino médio, aprende a tocar violão, a fotografar ou a filmar, assume uma certa aparência de artista (deixa o cabelo crescer, faz tatuagens ou passa a usar roupas alternativas), começa a frequentar ambientes em que artistas frequentam e, de repente, passa a colher os frutos de ser um artista.
Mesmo sem ainda realizar uma obra de arte, ele conquista mulheres, é convidado a participar de círculos de artistas e entra na boemia típica, que inclui fumar maconha.
Por tudo isso, ele acredita que é artista. Como poderia não ser?
Só que um artista precisa de uma formação, e o sujeito pula essa etapa em função do convívio social, da aparência.
É claro que o mimetismo é fundamental na formação de um artista. Artistas imitam outros artistas por meio da convivência. Mas a formação e o estudo são importantes em qualquer arte, até na música popular.
Existe – especialmente no cinema e na música popular – uma certa sociabilidade baseada na maconha, que é uma droga bem social.
Noto certa uniformização das pessoas que entram nesses grupos: não só pela troca e pela amizade, mas por certo medo comum por usar uma substância proibida. Eles tendem a ficar à parte, ou se sentirem ao mesmo tempo especiais e perseguidos.
As opiniões tendem a ser bastante parecidas: votam na esquerda, defendem a legalização das drogas e do aborto, defendem e praticam relações amorosas mais fluidas (como a não-monogamia) e, para o…
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