O avião soviético com motores sobre as asas que parecia saltar do chão e conseguia decolar em pistas improvisadas de apenas 600 metros
A posição incomum das turbinas aproveitava o próprio fluxo dos motores para aumentar a sustentação e permitir operações longe dos grandes aeroportos
O Antonov An-72 parece desafiar a lógica dos aviões a jato convencionais. Seus motores ficam montados acima das asas, quase encostados na fuselagem, em uma configuração criada para aproveitar o próprio fluxo das turbinas e gerar sustentação extra. O resultado foi uma aeronave soviética capaz de operar em lugares onde uma pista longa e perfeitamente pavimentada simplesmente não existia.
Por que o Antonov An-72 colocou seus motores em uma posição tão estranha sobre as asas?
Desenvolvido na União Soviética durante a década de 1970, o An-72 nasceu como um avião de transporte leve com capacidade STOL, sigla usada para aeronaves capazes de realizar pousos e decolagens curtos. Em vez de pendurar seus dois turbofans D-36 sob as asas, os engenheiros os colocaram na parte superior e bem à frente.
Essa posição não surgiu apenas para produzir uma aparência incomum. Ela permitia aproveitar os gases expelidos pelos motores sobre a superfície das asas e dos flaps, além de manter as entradas das turbinas mais distantes de pedras, poeira e outros detritos encontrados em pistas pouco preparadas.
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Quais recursos faziam o Antonov An-72 sair do chão em distâncias tão pequenas?
O avião combinava motores potentes, grandes dispositivos hipersustentadores e uma asa alta preparada para trabalhar em velocidades relativamente baixas. Quando os flaps eram acionados para uma decolagem curta, o fluxo dos motores ajudava diretamente a aumentar a sustentação produzida pelas asas.
Entre as características mais importantes estavam.
- Dois motores turbofan instalados acima das asas
- Grandes flaps de alta sustentação
- Asa alta com 31,89 metros de envergadura
- Trem de pouso desenvolvido para operações exigentes
- Proteção maior contra detritos existentes no solo
- Capacidade prevista para operar em pistas não equipadas de cerca de 600 metros
O vídeo publicado pelo canal verificado SkyShips en Español, intitulado A revolution in aviation… or not. The An-72, mostra detalhadamente a configuração dos motores, explica o efeito Coandă e apresenta a história do projeto soviético. O material complementa o artigo porque permite visualizar exatamente como o fluxo das turbinas percorre a região superior das asas e por que o avião ganhou uma aparência tão diferente.
Além da decolagem curta, esse conjunto permitia ao An-72 manter as vantagens de uma aeronave a jato durante o restante da missão. Sua velocidade de cruzeiro chegava a aproximadamente 540 km/h, portanto ele não precisava sacrificar completamente o desempenho em voo para conseguir operar longe dos grandes aeroportos.
Como o Antonov An-72 usa o efeito Coandă para produzir sustentação extra?
O princípio central envolve o chamado efeito Coandă. Os gases em alta velocidade liberados pelos motores são direcionados sobre a superfície superior da asa e dos flaps. Em determinadas condições, esse fluxo tende a acompanhar a curvatura próxima e acaba sendo desviado para baixo.
A documentação oficial da Antonov sobre o An-72 confirma que os motores sobre as asas produzem aumento de sustentação durante pousos e decolagens por meio do fluxo dos gases sobre a superfície superior das asas e dos flaps. A fabricante também informa que o modelo foi criado para operar em pistas não equipadas com aproximadamente 600 metros de comprimento.
As asas do Antonov An-72 realmente batiam para fazer o avião decolar?
Não. Essa é uma interpretação incorreta que aparece em algumas descrições exageradas da aeronave. As asas do An-72 são completamente fixas e não realizam qualquer movimento semelhante ao bater de asas de uma ave. O que se movimenta durante pousos e decolagens são principalmente os flaps e outros componentes aerodinâmicos.
A impressão de que existe algum movimento extraordinário vem da forma como os gases dos motores são direcionados sobre a asa antes de serem desviados para baixo. Assim, quem muda violentamente de direção é o fluxo de ar, e não a asa inteira. Esse fenômeno aumenta a circulação de ar sobre os dispositivos hipersustentadores e ajuda o avião a continuar sustentado em velocidades mais baixas.
| Característica | Antonov An-72 | Vantagem |
|---|---|---|
| Motores | 2 turbofans D-36 sobre as asas | Fluxo ajuda a aumentar a sustentação |
| Envergadura | 31,89 metros | Grande superfície de sustentação |
| Velocidade de cruzeiro | Cerca de 540 km/h | Mantém desempenho típico de um jato |
| Operação prevista | Pistas não equipadas de cerca de 600 metros | Acesso a regiões remotas |
Por que o Antonov An-72 conseguia trabalhar onde outros jatos teriam dificuldades?
Pistas improvisadas criam um problema sério para motores instalados perto do chão. O fluxo de ar puxado pelas turbinas pode levantar pedras, areia e pequenos objetos, que podem ser aspirados e atingir as partes internas do motor em alta velocidade. Colocar as entradas dos motores sobre as asas aumentava significativamente sua distância em relação ao terreno.
Além disso, o An-72 tinha asa alta e trem de pouso adequado a operações mais exigentes. Essas características combinavam com sua função de transporte militar e logístico, permitindo levar pessoas e cargas até regiões afastadas da infraestrutura aeroportuária convencional. O primeiro voo aconteceu em 31 de agosto de 1977, e 114 exemplares foram posteriormente fabricados em série entre 1984 e 1992.

O Antonov An-72 tinha mesmo seis motores como o gigantesco An-225?
Não. Essa é a principal confusão na pauta original. O avião soviético famoso pelos motores sobre as asas e pelo efeito Coandă é o Antonov An-72, que utiliza somente dois turbofans. Já o gigantesco Antonov An-225 Mriya realmente tinha seis motores, porém pertencia a uma categoria completamente diferente e não empregava essa solução aerodinâmica para decolagens curtas.
O An-72 também não era originalmente um grande avião comercial de passageiros. Ele nasceu como transportador leve e depois deu origem a diferentes versões, inclusive modelos relacionados ao An-74. O verdadeiro feito de engenharia, portanto, não está em seis turbinas nem em asas que “batem”, mas em dois motores colocados justamente onde quase nenhum projetista pensaria em instalá-los para transformar o jato das turbinas em parte ativa do sistema de sustentação.
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