A polêmica estrutura futurista de 170 quilômetros de extensão que está sendo erguida no meio do deserto por um valor inacreditável
Escavações e fundações avançaram em uma área limitada enquanto custos, impactos ambientais e dificuldades técnicas reduziram a ambição inicial
Apresentado como uma cidade sem carros, ruas ou emissões operacionais, o projeto The Line prometeu cortar montanhas e desertos da Arábia Saudita com duas paredes espelhadas gigantescas. No entanto, as obras, os custos crescentes e uma revisão iniciada pelo governo afastaram o empreendimento da escala anunciada originalmente.
Até onde o projeto The Line realmente avançou no deserto saudita?
A proposta original previa uma cidade linear com 170 quilômetros de comprimento, apenas 200 metros de largura e edifícios que alcançariam 500 metros de altura. O espaço interno poderia receber até 9 milhões de moradores, enquanto serviços essenciais ficariam a poucos minutos de caminhada e um sistema de transporte rápido substituiria os automóveis.
Na prática, as atividades se concentraram em terraplanagem, fundações, túneis, alojamentos de trabalhadores e infraestrutura para um trecho inicial. Em 2026, o próprio site da NEOM passou a definir a construção como um desenvolvimento de várias gerações, executado em fases e conforme a demanda, enquanto fontes ligadas à revisão governamental indicaram que a cidade seria redesenhada em escala muito menor.
Quais números mostram a distância entre o desenho e o canteiro de obras?
A imagem divulgada ao mundo mostrava uma única estrutura atravessando o deserto até o Mar Vermelho. Porém, cada módulo exige escavações profundas, milhares de fundações, redes de água e energia, transporte de materiais, sistemas de refrigeração e conexões com outras regiões de NEOM.
- 170 quilômetros de extensão no plano original.
- 500 metros de altura nas fachadas anunciadas.
- 200 metros de largura entre as paredes externas.
- Até 9 milhões de moradores na visão inicial.
- Mais de US$ 1 trilhão em estimativas divulgadas para a construção integral.
O vídeo publicado pelo canal MegaBuilds analisa imagens do canteiro, o trecho escavado, as fundações e as mudanças anunciadas para o empreendimento em 2026. O conteúdo é relevante porque compara as representações digitais com o que aparece fisicamente no terreno, além de explicar por que os custos e os prazos passaram a ameaçar a execução do desenho completo.
Por que o projeto The Line começou a encolher antes de ganhar altura?
O principal problema apareceu quando a ambição arquitetônica encontrou os custos de uma cidade que precisaria nascer praticamente do zero. Além das torres, seria necessário construir usinas, redes de dessalinização, sistemas de esgoto, túneis, ferrovias, centros logísticos, moradias temporárias e estradas para abastecer uma área distante dos grandes centros urbanos.
Em novembro de 2024, a Reuters informou que a Arábia Saudita havia priorizado partes da NEOM relacionadas a eventos esportivos e projetos com entregas mais próximas, enquanto os custos da primeira fase já eram estimados em centenas de bilhões de dólares. Em janeiro de 2026, o Financial Times relatou que o governo preparava uma redução e um redesenho significativos da NEOM, incluindo uma versão muito menor da cidade linear.
Como seria manter uma cidade inteira presa entre duas paredes espelhadas?
A geometria linear promete reduzir distâncias horizontais, mas cria uma enorme dependência de elevadores, corredores verticais e transporte subterrâneo. Uma pessoa poderia morar perto de mercados e escolas dentro de um módulo, porém viagens entre pontos afastados dependeriam de um sistema ferroviário rápido, estações eficientes e conexões que ainda não operam em escala comparável.
Além disso, uma estrutura de 500 metros enfrentaria ventos fortes, expansão provocada pelo calor, entrada de areia e diferenças de temperatura entre áreas ensolaradas e sombreadas. Nenhum desses problemas torna a construção fisicamente impossível, mas a combinação aumenta custos, exige manutenção permanente e dificulta a promessa de uma cidade simples, sustentável e eficiente.
O espelho de 170 quilômetros pode ameaçar animais do deserto?
As fachadas refletoras levantaram preocupações sobre colisões de aves, principalmente porque a região fica próxima de rotas migratórias entre a Europa, a Ásia e a África. Documentos internos noticiados em 2024 indicaram que profissionais ligados ao projeto temiam a morte de uma quantidade significativa de aves caso a barreira espelhada fosse construída conforme o desenho original.
A obra também pode fragmentar habitats terrestres e alterar a circulação de animais por uma faixa extensa. A NEOM afirma que pretende preservar a biodiversidade e integrar o empreendimento aos ecossistemas costeiros, montanhosos e desérticos, mas o impacto final dependerá do tamanho realmente construído, dos corredores ecológicos e das medidas adotadas para reduzir colisões e bloqueios.

O projeto The Line ainda será concluído com os 170 quilômetros anunciados?
A NEOM não declarou oficialmente o abandono da visão completa e continua apresentando The Line como parte central de seu planejamento. Porém, a linguagem atual destaca uma implantação gradual, orientada pela demanda e dividida em várias fases, sem apresentar um calendário confirmado para a construção integral dos 170 quilômetros.
Ao mesmo tempo, fontes ouvidas pelo Financial Times afirmaram que a liderança saudita passou a considerar um empreendimento muito menor, com maior atenção a infraestrutura industrial e centros de dados. Portanto, a atividade no território não significa que as duas paredes espelhadas completas estejam avançando como previsto em 2021, mas que partes da NEOM continuam enquanto a ambição original passa por uma revisão profunda.
Quanto poderia custar uma estrutura jamais construída nessa escala?
O valor de US$ 500 bilhões apareceu inicialmente associado a toda a região de NEOM, não apenas à cidade linear. Depois, estimativas sobre The Line ultrapassaram US$ 1 trilhão, enquanto cálculos internos divulgados pela imprensa apontaram valores ainda maiores caso todas as etapas, tecnologias e infraestruturas fossem executadas conforme as primeiras imagens promocionais.
Por isso, não existe um preço final confiável para os 170 quilômetros, já que o projeto ainda muda de tamanho e configuração. A página oficial do The Line mantém a proposta como uma visão urbana de longo prazo, porém os relatos de 2026 mostram que financiamento, engenharia, logística e retorno econômico passaram a determinar o que poderá sair das imagens digitais e ganhar forma no deserto.
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