O jovem que teria caminhado 15 quilômetros todos os dias para estudar e acabou aceito em uma das universidades mais concorridas do mundo
Mateus cresceu em um ambiente que estimulava a leitura e o interesse pelo Direito
A história de um estudante que atravessava longas distâncias a pé até alcançar Harvard circula como um exemplo de superação, mas os detalhes atribuídos ao caso misturam trajetórias diferentes. A história real mais próxima envolve o jovem em Harvard Mateus Costa-Ribeiro, cuja aprovação impressionou pela idade, embora não existam registros confiáveis da caminhada diária de 15 quilômetros.
Quem é o jovem em Harvard ligado a essa história de superação?
Mateus de Lima Costa Ribeiro nasceu em Brasília e ficou conhecido por avançar nos estudos muito antes da idade habitual. Aos 14 anos, ele ingressou no curso de Direito da Universidade de Brasília, depois concluiu a graduação e recebeu a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil aos 18 anos, tornando-se um dos profissionais mais jovens a alcançar esse resultado no país.
Pouco depois, aos 19 anos, Mateus foi aceito no programa de mestrado da Harvard Law School, nos Estados Unidos. A conquista ganhou repercussão porque ele chegou à pós-graduação quando muitos estudantes da mesma idade ainda estavam começando o primeiro curso universitário, mas sua trajetória não ocorreu nas condições de abandono social descritas em algumas versões publicadas nas redes.
Quais são os 4 fatos confirmados sobre a trajetória de Mateus?
As informações verificadas mostram uma história acadêmica extraordinária por si só, sem a necessidade de acrescentar uma caminhada diária não comprovada. O estudante avançou rapidamente por diferentes etapas, construiu uma formação jurídica precoce e chegou a uma instituição internacionalmente reconhecida.
- Ingressou no curso de Direito aos 14 anos.
- Concluiu a graduação na Universidade de Brasília.
- Recebeu a carteira da OAB aos 18 anos.
- Entrou no mestrado de Harvard aos 19 anos.
O vídeo publicado pelo canal oficial do Centro Universitário 7 de Setembro apresenta uma conversa com Mateus Costa-Ribeiro sobre sua escolha profissional e sua formação. O conteúdo permite ouvir o próprio advogado falar sobre estudos, carreira e Direito, por isso complementa o artigo com um registro direto de sua trajetória, sem depender das versões exageradas que circulam nas redes.
A história do jovem em Harvard inclui mesmo uma caminhada de 15 quilômetros?
Não foram encontrados registros jornalísticos confiáveis que confirmem que Mateus caminhava 15 quilômetros todos os dias para estudar. Também não há evidências de que ele tenha saído de uma comunidade periférica, enfrentado estradas do sertão ou dependido dessa caminhada para chegar à escola antes da aprovação em Harvard.
Essa parte da narrativa provavelmente surgiu da união de histórias diferentes. Em 2025, por exemplo, o estudante de enfermagem Rosemberg Costa ganhou repercussão por caminhar cerca de 14 quilômetros por dia entre sua casa e a Universidade Federal de Pernambuco, mas ele não foi aprovado em Harvard e seu caso não possui ligação com Mateus.
Por que Harvard aparece como uma universidade quase impossível de alcançar?
Harvard recebe candidatos de diferentes países com notas elevadas, experiências acadêmicas fortes e atividades extracurriculares relevantes. Para a turma de graduação de 2029, a instituição informou que recebeu 47.893 candidaturas e admitiu 2.003 estudantes, o que representa pouco mais de quatro aprovações para cada cem candidatos.
No entanto, chamar Harvard de “a universidade mais concorrida do mundo” exige cuidado porque existem instituições e programas com índices de admissão ainda menores. O dado correto é que ela integra o grupo das universidades mais seletivas e influentes do planeta, enquanto cada escola interna, incluindo a Harvard Law School, utiliza critérios e processos próprios.
Como o jovem em Harvard conseguiu avançar tão cedo nos estudos?
Mateus cresceu em um ambiente que estimulava a leitura e o interesse pelo Direito. Em entrevistas, ele contou que começou a estudar conteúdos jurídicos ainda criança, avançou rapidamente nas disciplinas escolares e aproveitou mecanismos educacionais que permitiram sua entrada antecipada na universidade.
A trajetória também exigiu disciplina para acompanhar colegas mais velhos, cumprir estágios, produzir trabalhos acadêmicos e concluir a monografia. Portanto, sua aprovação não aconteceu por causa de um único exame ou de uma solução repentina, mas por uma sequência de etapas acadêmicas iniciadas muitos anos antes da candidatura ao mestrado.

O que realmente pesa em uma candidatura para estudar em Harvard?
A instituição não seleciona candidatos apenas pela nota de uma prova. Os avaliadores analisam a formação anterior, o desempenho acadêmico, as cartas de recomendação, os objetivos profissionais, as experiências relevantes e a capacidade do estudante de contribuir com a comunidade universitária.
Além disso, os critérios mudam conforme o curso escolhido. A página oficial com as estatísticas de admissão de Harvard apresenta dados da graduação, enquanto mestrados e doutorados possuem processos separados, por isso uma taxa geral não permite calcular com exatidão a dificuldade enfrentada por cada candidato.
Por que histórias de estudantes pobres acabam misturadas nas redes sociais?
Relatos de jovens que caminham longas distâncias, estudam sem internet ou enfrentam escolas com pouca estrutura despertam forte emoção e costumam alcançar grande audiência. No entanto, páginas nas redes frequentemente unem a dificuldade de uma pessoa ao resultado acadêmico de outra, criando uma narrativa mais dramática, porém diferente dos acontecimentos reais.
Isso não diminui as barreiras enfrentadas por estudantes brasileiros do interior, das periferias e das áreas rurais. Pelo contrário, separar os casos permite reconhecer cada conquista com honestidade, pois o jovem que caminha 14 quilômetros para frequentar uma universidade pública e aquele que chega precocemente a Harvard viveram desafios distintos que não precisam ser transformados em uma única história.
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