O raio supermassivo de 700 quilômetros de extensão que cruzou os céus e bateu o recorde mundial do fenômeno mais assustador da atmosfera
A descarga percorreu 709 quilômetros sobre o Sul do Brasil e revelou uma dimensão das tempestades que os antigos sensores não conseguiam medir
O megaraio brasileiro atravessou uma faixa colossal do céu sobre o Sul do país em 31 de outubro de 2018. Com 709 quilômetros de extensão horizontal, o fenômeno conquistou um recorde mundial e mostrou que uma única descarga elétrica pode se espalhar por uma distância comparável à separação entre países europeus.
Como o megaraio brasileiro alcançou 709 quilômetros de extensão?
O fenômeno ocorreu dentro de um enorme sistema de tempestades que cobria partes do Sul do Brasil e áreas próximas. Em vez de descer imediatamente em direção ao solo, a descarga elétrica se propagou horizontalmente pelas nuvens, conectando diferentes regiões eletricamente carregadas ao longo de centenas de quilômetros.
A Organização Meteorológica Mundial validou a extensão em 2020, com uma margem de incerteza de oito quilômetros. Na época, a descarga superou o recorde anterior de 321 quilômetros registrado em Oklahoma, nos Estados Unidos, em 2007, e passou a representar a maior distância horizontal já confirmada para um único raio.
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Quais são os 4 fatos mais impressionantes sobre esse raio?
A dimensão do evento torna-se mais fácil de compreender quando seus números são comparados com distâncias conhecidas. Além disso, o registro revelou que as tempestades podem produzir conexões elétricas muito mais extensas do que os instrumentos antigos conseguiam detectar.
- 709 quilômetros de extensão horizontal
- Margem de incerteza de 8 quilômetros
- Registro ocorrido em 31 de outubro de 2018
- Mais que o dobro do recorde reconhecido anteriormente
O vídeo oficial “WMO certifies megaflash lightning record”, publicado pela Organização Meteorológica Mundial, apresenta os dados de satélite usados para mapear uma descarga recordista e mostra como os segmentos elétricos se espalham dentro de um grande sistema de tempestades. Embora trate do recorde mais recente, o conteúdo ajuda a entender o mesmo método empregado para reconhecer o evento brasileiro e complementa o artigo ao transformar dados invisíveis em uma animação clara.
Por que o megaraio brasileiro não parecia uma linha contínua no céu?
A palavra “raio” costuma lembrar um único risco brilhante descendo de uma nuvem até o chão. No entanto, um megaraio forma uma rede complexa de canais elétricos que se ramificam dentro das nuvens. Diferentes partes podem emitir luz em momentos muito próximos, formando uma única descarga contínua do ponto de vista físico.
Por isso, uma pessoa posicionada no solo dificilmente enxergaria os 709 quilômetros de uma só vez. A curvatura terrestre, as próprias nuvens e a enorme distância esconderiam grande parte do fenômeno. Além disso, os canais não necessariamente brilham todos com a mesma intensidade no mesmo instante.
Como os satélites conseguiram medir uma descarga tão gigantesca?
Os pesquisadores utilizaram sensores conhecidos como Geostationary Lightning Mappers, instalados em satélites meteorológicos. Esses instrumentos observam constantemente grandes regiões e detectam breves emissões de luz produzidas pelas descargas elétricas no topo e no interior das tempestades.
| Etapa | O que o sistema registra | Resultado científico |
|---|---|---|
| Detecção | Pulsos luminosos nas nuvens | Identifica a atividade elétrica |
| Agrupamento | Eventos próximos no espaço e no tempo | Reconstrói uma única descarga |
| Mapeamento | Ramificações sobre uma grande área | Revela o formato do megaraio |
| Medição | Pontos extremos da descarga | Calcula sua extensão horizontal |
Antes dos satélites, sensores terrestres monitoravam áreas mais limitadas e podiam dividir uma descarga enorme em vários eventos menores. A observação espacial permitiu acompanhar sistemas inteiros e reconhecer que canais separados visualmente pertenciam ao mesmo processo elétrico.
O megaraio brasileiro ainda mantém o recorde mundial?
Não. A marca brasileira permaneceu como recorde reconhecido até 2022, quando a Organização Meteorológica Mundial confirmou uma descarga de 768 quilômetros registrada no Sul dos Estados Unidos em 29 de abril de 2020. Esse evento atravessou partes do Mississippi, da Louisiana e do Texas.
Em julho de 2025, a instituição anunciou uma descoberta ainda maior nos dados históricos dos satélites. Um raio ocorrido em 22 de outubro de 2017 percorreu 829 quilômetros entre o leste do Texas e uma região próxima de Kansas City. Portanto, os 709 quilômetros do Brasil representam um antigo recorde mundial, e não a maior marca atualmente reconhecida.

Por que um megaraio pode ser mais perigoso que uma descarga comum?
Esses fenômenos surgem principalmente em sistemas convectivos de mesoescala, tempestades gigantescas que podem permanecer ativas por muitas horas. Como a descarga se desloca horizontalmente, uma de suas ramificações pode alcançar uma região distante da área onde a chuva parece mais intensa.
Isso explica por que uma pessoa não deve considerar o céu seguro apenas porque a tempestade principal parece distante. Raios podem atingir áreas fora do núcleo da chuva, e a orientação mais segura consiste em buscar abrigo dentro de uma construção fechada ou de um veículo com teto metálico quando houver trovões.
O que o recorde revela sobre as tempestades da América do Sul?
O Sul do Brasil, o Paraguai, o Uruguai e o norte da Argentina formam uma região favorável ao desenvolvimento de tempestades organizadas e extensas. O encontro entre calor, umidade e diferentes massas de ar pode alimentar sistemas capazes de produzir atividade elétrica durante longos períodos.
A página da Organização Meteorológica Mundial confirma que a descarga de 2018 alcançou 709 quilômetros e compara essa distância ao trajeto entre Londres e a fronteira suíça próxima a Basileia. Embora tenha perdido a liderança mundial, o evento continua entre os maiores raios já medidos e permanece como um marco para a meteorologia brasileira.
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