Racha entre PP e União Brasil ameaça palanque de Raquel Lyra em Pernambuco
Disputa entre Eduardo da Fonte e Miguel Coelho pela vaga ao Senado expõe crise na Federação União Progressista
A convenção da Federação União Progressista em Pernambuco expôs, nesta quarta-feira, 5, o racha entre PP e União Brasil na montagem da chapa da governadora Raquel Lyra (PSD) à reeleição. O encontro, que tinha como objetivo oficializar o apoio à gestora, terminou sem consenso e teve a decisão sobre a coligação adiada para o fim da tarde.
O principal ponto de conflito é a disputa pela vaga ao Senado entre o deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE) e o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (União Brasil-PE). O Progressistas defende o nome de Da Fonte, que recebeu o aval do presidente nacional do partido, senador Ciro Nogueira (PP-PI). Já o União Brasil, comandado nacionalmente por Antonio Rueda (União Brasil), mantém resistência à composição e reivindica maior espaço na aliança.
Nos bastidores, o clima de tensão aumentou durante a convenção. Segundo interlocutores ouvidos por O Antagonista, Ciro Nogueira chegou a Pernambuco para acompanhar o evento, mas deixou o estado antes da oficialização do aliado Eduardo da Fonte. O “sumiço” se deu, pois, que dirigentes do União Brasil teriam discutido sobre retirar o tempo de propaganda da Federação União Progressista destinado à campanha de Raquel Lyra como forma de pressão política.
Representando o grupo de Miguel Coelho, o deputado federal Fernando Filho (União Brasil-PE) afirmou em coletiva de imprensa que o partido ainda não decidiu integrar a coligação da governadora.
“A gente sempre defendeu que os dois partidos têm o direito de apresentar seus candidatos. Não é porque Miguel não é candidato que a gente acha que Eduardo da Fonte não possa ser. Os progressistas querem coligar com a governadora e nós ainda estamos na posição de não coligar.”
Fernando Filho também afirmou que a posição do União Brasil passou a ser considerada apenas após a definição do nome de Eduardo da Fonte para a vaga ao Senado.
“O que a gente sempre ouviu, ao longo desses seis meses, era que a posição do União Brasil era irrelevante nessa coligação e que estava tudo garantido. Parece que fizeram algumas reflexões pelo lado dos assessores jurídicos da governadora de que é importante ter o apoio da União.”
O impasse começou depois que a candidatura de Miguel Coelho não avançou dentro da aliança governista. A executiva nacional do União Brasil passou a defender que, sem consenso interno, o partido não estaria obrigado a apoiar a chapa estadual de Raquel Lyra.
Do outro lado, Eduardo da Fonte (PP), presidente da federação e um dos principais articuladores da candidatura ao Senado, tentou minimizar a crise e negou divisão dentro do grupo.
“Quando a gente chama uma convenção partidária e põe na ata que termina às 17h, não tem adiamento de nada.”
A disputa ganhou um novo capítulo na véspera da convenção, quando Miguel Coelho declarou apoio ao deputado federal Mendonça Filho (União Brasil-PE) na disputa pelo Senado. Preterido na chapa de Raquel Lyra, o ex-prefeito de Petrolina afirmou que ainda avaliava quem apoiaria para a segunda vaga ao Senado, sem confirmar apoio a Eduardo da Fonte.
O conflito aumenta a pressão sobre Raquel Lyra em uma das eleições estaduais mais disputadas do país, pois, a governadora tenta preservar uma ampla aliança política, mas a disputa interna entre PP e União Brasil ameaça transformar a Federação União Progressista em um dos principais focos de instabilidade da corrida eleitoral em Pernambuco.
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