O asteroide de 375 metros que passará abaixo de alguns satélites e transformará o céu em 2029
Apophis chegará a cerca de 32 mil quilômetros da superfície, mas NASA e ESA descartam qualquer risco de colisão por pelo menos um século
m uma sexta-feira de abril, um objeto enorme atravessará a vizinhança terrestre a uma distância raramente registrada. A aproximação será tão incomum que cientistas preparam sondas, telescópios e radares para acompanhar cada movimento.
Por que o asteroide Apophis não tem 1 chance em 10.000 de atingir a Terra?
O asteroide Apophis não possui uma chance em 10 mil de colidir com o planeta em 2029. Esse número está relacionado à raridade da passagem: segundo a Agência Espacial Europeia, um objeto desse tamanho chega tão perto da Terra apenas uma vez a cada 5 mil ou 10 mil anos. Os cálculos atuais descartam completamente uma colisão durante o encontro marcado para 13 de abril de 2029.
Quando ele foi descoberto, em 2004, as primeiras observações indicaram uma probabilidade de impacto que chegou a 2,7%. No entanto, novos dados ópticos e medições por radar permitiram refazer sua trajetória. Em 2021, NASA e ESA concluíram que o objeto não atingirá a Terra por pelo menos os próximos 100 anos, retirando-o das listas de risco.
Quais números mostram o tamanho dessa aproximação espacial?
Apophis possui aproximadamente 340 a 375 metros de largura, dimensão comparável à altura de um grande arranha-céu. No ponto de maior aproximação, passará a cerca de 32 mil quilômetros da superfície terrestre, enquanto a Lua permanece, em média, a aproximadamente 384 mil quilômetros. Portanto, ele ficará quase 12 vezes mais próximo do que nosso satélite natural.
- Data da passagem: 13 de abril de 2029
- Diâmetro aproximado: 340 a 375 metros
- Distância da superfície: cerca de 32 mil quilômetros
- Distância da Lua: aproximadamente 384 mil quilômetros
- Risco de impacto em 2029: zero
- Visibilidade: possível a olho nu em algumas regiões
O vídeo “Asteroid Apophis 99942 will safely pass Earth in 2029”, divulgado em um conteúdo informativo sobre os dados da NASA, apresenta a trajetória prevista e compara a distância da passagem com as órbitas de satélites. A produção também ajuda a entender por que uma aproximação tão curta pode parecer ameaçadora, embora os cálculos atuais descartem qualquer colisão.
A que distância o asteroide Apophis passará dos satélites?
O objeto passará abaixo da altitude utilizada por muitos satélites geoestacionários. Esses equipamentos orbitam a aproximadamente 35.786 quilômetros acima da superfície, enquanto a passagem está prevista para ocorrer a cerca de 32 mil quilômetros. Isso não significa que ele atravessará uma barreira compacta de satélites, pois esses aparelhos ficam separados por grandes distâncias e ocupam posições controladas ao redor do planeta.
Durante algumas horas, a rocha poderá ficar visível sem telescópio em áreas da Europa, da África e da Ásia, desde que o céu esteja escuro e sem nuvens. Ela deverá parecer um ponto luminoso em movimento, não uma enorme pedra ocupando o céu. A ESA estima que até dois bilhões de pessoas poderão estar em regiões com condições geográficas favoráveis para observar o fenômeno.
Como a gravidade da Terra mudará a rota e a superfície do objeto?
A passagem será segura para o planeta, mas poderá provocar mudanças importantes no visitante. A gravidade terrestre deve alterar sua órbita ao redor do Sol e modificar a velocidade de rotação. Além disso, a atração do planeta pode produzir tremores, deslocar pedras e causar pequenos deslizamentos em sua superfície.
O asteroide Apophis funciona como um laboratório natural porque os cientistas poderão comparar seu estado antes e depois do encontro. Essas observações ajudarão a entender como objetos formados por fragmentos e rochas soltas reagem a forças gravitacionais intensas, informação essencial para planejar futuras missões de exploração ou defesa planetária.

O que a NASA fará durante a passagem de 2029?
A NASA pretende estudar o objeto com a missão OSIRIS-APEX, continuação da nave OSIRIS-REx que trouxe amostras do asteroide Bennu para a Terra. A espaçonave chegará perto de Apophis pouco depois da aproximação e analisará possíveis alterações na rotação, na órbita e na distribuição de materiais sobre a superfície.
A nave também poderá usar seus propulsores para levantar poeira e expor materiais abaixo da camada superficial. Já a missão Ramses, planejada pela ESA com participação da agência espacial japonesa JAXA, pretende encontrar o objeto antes da passagem e acompanhá-lo durante o encontro. Essas missões são científicas; nenhuma delas foi enviada para desviar sua rota, porque não existe ameaça de impacto.
Por que o asteroide Apophis ajudará a testar a defesa da Terra?
A primeira etapa da defesa planetária consiste em descobrir e monitorar objetos próximos. O sistema Sentry, operado pelo Centro de Estudos de Objetos Próximos da Terra da NASA, recalcula continuamente as órbitas conhecidas e procura possibilidades de colisão durante os próximos 100 anos. Caso uma trajetória preocupante apareça, os dados são comunicados ao escritório responsável pela coordenação da defesa planetária.
A NASA já testou uma forma de desvio com a missão DART, que atingiu deliberadamente o pequeno Dimorphos em 2022 e alterou seu movimento. Se outro objeto perigoso fosse descoberto com muitos anos de antecedência, uma nave poderia ser lançada para mudar levemente sua velocidade e fazê-lo chegar ao cruzamento com a Terra antes ou depois do planeta. No caso de Apophis, porém, não existe plano de emergência para alterar a rota, pois os cálculos confirmam uma passagem segura.
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