O navio de 229 metros que recebeu asas mecânicas gigantes e passou a economizar toneladas de combustível no oceano
As estruturas rígidas de 37,5 metros instaladas no Pyxis Ocean reduziram em média três toneladas de combustível por dia durante os testes.
Durante séculos, o vento movimentou navios de carga entre continentes, mas acabou substituído por motores capazes de manter velocidade constante em qualquer condição. Agora, uma tecnologia instalada no cargueiro Pyxis Ocean recupera essa fonte natural com materiais modernos, sensores e controle automatizado. Duas estruturas rígidas de 37,5 metros foram colocadas sobre o convés para ajudar os motores e reduzir o combustível queimado durante viagens comerciais.
Como as velas WindWings movimentam um navio de carga?
Apesar da aparência de grandes placas metálicas, as estruturas funcionam de maneira semelhante às asas de um avião. O vento passa por seus diferentes elementos aerodinâmicos e cria uma força que impulsiona o navio para a frente. Dessa maneira, os motores continuam funcionando, mas precisam produzir menos potência para manter a velocidade programada.
Sensores analisam constantemente a velocidade e a direção do vento, enquanto um sistema automático ajusta a orientação e a curvatura das asas. Segundo a desenvolvedora britânica BAR Technologies, cada unidade possui três elementos rígidos e pode gerar cerca de 2,5 vezes o empuxo de uma asa formada por apenas uma superfície.
Quais peças formam as velas WindWings instaladas no convés?
Cada unidade instalada no Pyxis Ocean alcança 37,5 metros de altura, dimensão comparável à de um prédio com aproximadamente 12 andares. As asas foram desenvolvidas pela BAR Technologies, produzidas pela Yara Marine Technologies e instaladas em um estaleiro da COSCO, na China, antes do início da primeira viagem comercial em 2023.
- Três superfícies aerodinâmicas rígidas
- Sensores para medir o vento aparente
- Sistema automático de rotação
- Mecanismo hidráulico de abertura e fechamento
- Estrutura dobrável para operações portuárias
- Controles integrados aos sistemas de navegação
O vídeo “Pyxis Ocean sets sail with ground-breaking wind technology”, publicado pela Cargill, apresenta o cargueiro navegando com as duas asas abertas e mostra como as estruturas se recolhem sobre o convés. As imagens também explicam a instalação da tecnologia e ajudam a perceber a diferença de escala entre as velas rígidas e a embarcação de 229 metros.
Quanto combustível as velas WindWings conseguiram economizar?
Durante aproximadamente seis meses de testes em diferentes oceanos, o Pyxis Ocean alcançou uma economia média estimada em três toneladas de combustível por dia. O valor correspondeu a uma redução próxima de 14% no consumo esperado do navio e evitou cerca de 11,2 toneladas diárias de emissões de dióxido de carbono equivalente, considerando todo o ciclo do combustível.
Em condições especialmente favoráveis, a economia ultrapassou 11 toneladas de combustível em apenas um dia, com redução de até 37% nas emissões equivalentes. No entanto, esse desempenho máximo não ocorre durante toda a viagem, porque depende da direção, da intensidade do vento, da rota escolhida e da velocidade necessária.
Por que as asas precisam se dobrar sobre o navio?
As estruturas ficam totalmente abertas durante a navegação quando o vento oferece condições adequadas. Porém, elas podem ser recolhidas horizontalmente sobre o convés quando o navio entra em portos, passa perto de pontes ou precisa utilizar guindastes para carregar e descarregar mercadorias. O mecanismo evita que as asas interfiram nas operações comuns de um cargueiro.
Essa flexibilidade também permite instalar o sistema em navios que já estão em operação, sem construir uma embarcação completamente nova. O Pyxis Ocean, concluído em 2017, recebeu as duas estruturas anos depois. Por isso, o projeto demonstrou que a tecnologia pode ser adaptada a parte da frota existente, embora cada instalação dependa do tamanho do convés e da atividade comercial realizada.

O vento pode substituir completamente os motores dos cargueiros?
As velas WindWings não foram desenvolvidas para eliminar os motores, mas para compartilhar com eles o esforço necessário para impulsionar o navio. Quando o vento sopra em uma direção favorável, o sistema entrega força adicional e permite reduzir a potência do motor. Quando as condições mudam, a embarcação continua navegando normalmente com seu combustível convencional.
A estratégia resolve uma das limitações das antigas embarcações à vela: a dependência total do clima. Um navio comercial moderno precisa cumprir rotas, horários e contratos, mesmo quando o vento enfraquece. Portanto, a tecnologia funciona como propulsão assistida e pode ser combinada futuramente com motores mais eficientes, combustíveis de baixo carbono e cascos projetados para oferecer menor resistência.
Por que o transporte marítimo voltou a olhar para o vento?
Grande parte das mercadorias comercializadas entre países viaja em navios, o que torna qualquer redução no consumo relevante quando aplicada a milhares de embarcações. Além disso, combustíveis marítimos representam uma parcela importante dos custos operacionais. Aproveitar o vento permite diminuir simultaneamente as despesas e as emissões sem depender de uma fonte que precise ser armazenada a bordo.
Os resultados divulgados pela Cargill mostraram que as asas permaneceram disponíveis durante diferentes rotas e condições oceânicas. Em navios construídos especificamente para aproveitar essa solução, os desenvolvedores projetam economias médias que podem chegar a 30%. Assim, a volta do vento não representa um retorno aos antigos veleiros, mas a união de uma força natural conhecida há milênios com automação, engenharia aerodinâmica e as necessidades do comércio mundial.
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