A estrada de mais de 2 mil km que atravessa 14 montanhas e desce por um paredão repleto de curvas no Tibete
A rota entre Chengdu e Lhasa supera passos acima de 4.500 metros e possui uma descida conhecida como 72 ou 99 curvas do rio Nu.
Entre Chengdu e Lhasa, uma rodovia avança por florestas, desfiladeiros, rios violentos e alguns dos passos montanhosos mais altos da Ásia. A Rodovia Sichuan–Tibete supera altitudes onde o oxigênio diminui drasticamente e atravessa uma região marcada por deslizamentos, neve e mudanças repentinas no clima. Seu trecho mais famoso desce cerca de 1.500 metros por uma sequência tão apertada de curvas que, vista do alto, a estrada parece desenhada sobre a encosta.
Por onde passa a Rodovia Sichuan–Tibete?
A Rodovia Sichuan–Tibete não corresponde a uma única estrada isolada. O nome costuma abranger duas grandes ligações terrestres entre a província de Sichuan e a Região Autônoma do Tibete: a rota sul, associada principalmente à Rodovia Nacional G318, e a rota norte, ligada à G317. A G318 parte de Chengdu, atravessa áreas como Ya’an, Kangding e Chamdo e segue até Lhasa.
A ligação possui mais de 2 mil quilômetros e atravessa a borda oriental do Planalto Tibetano. Durante o percurso, os viajantes encontram vales profundos, geleiras, áreas florestais e extensos campos de altitude. A agência chinesa Xinhua informa que a rodovia entrou em operação em 25 de dezembro de 1954 e recebeu sucessivas obras de ampliação, asfaltamento, construção de pontes e abertura de túneis.
Quais obstáculos aparecem ao longo da Rodovia Sichuan–Tibete?
A rota atravessa uma combinação de obstáculos naturais que transformou sua construção e manutenção em um desafio permanente. Alguns trechos sobem rapidamente desde vales úmidos até passos cobertos por neve, enquanto outros acompanham rios por encostas estreitas, com paredões de um lado e precipícios do outro.
- 14 montanhas com altitudes médias entre 4 mil e 5 mil metros
- Dezenas de rios e cursos de água
- Passos elevados com pouco oxigênio
- Desfiladeiros profundos e encostas instáveis
- Regiões sujeitas a neve, avalanches e deslizamentos
O documentário “World’s Most Dangerous Roads | China – The Sichuan-Tibet Highway” acompanha motoristas e moradores que percorrem a ligação em áreas remotas do Planalto Tibetano. As imagens mostram caminhões enfrentando passagens estreitas, mudanças no clima e longas subidas, além de revelar como a rodovia conecta comunidades que permaneciam praticamente isoladas antes de sua abertura.
Por que o trecho das 99 curvas ganhou fama mundial?
O segmento mais conhecido fica próximo ao monte Yela, também chamado de monte Nujiang, no condado de Baxoi. Ele desce de uma passagem situada a aproximadamente 4.658 metros de altitude até o vale do rio Nu, próximo dos 3.100 metros. A diferença vertical chega a cerca de 1.500 metros em uma distância relativamente curta, o que obrigou os engenheiros a desenhar sucessivas curvas fechadas na encosta.
Embora muitas publicações chamem o local de “99 curvas”, o nome mais difundido na China é “72 Curvas do Nujiang”. Nenhum dos dois números funciona necessariamente como uma contagem técnica exata. Levantamentos turísticos modernos mencionam mais de 130 mudanças de direção em aproximadamente 12 quilômetros. Portanto, as expressões servem principalmente para transmitir a quantidade impressionante de zigue-zagues existentes na descida.
Como foi possível construir uma estrada entre tantas montanhas?
As obras começaram em 1950, quando milhares de trabalhadores avançaram por áreas sem acesso rodoviário, usando ferramentas simples para abrir passagens, levantar pontes e estabilizar encostas. As duas primeiras grandes ligações rodoviárias com o Tibete entraram em operação em 1954. Até então, muitas viagens pela região dependiam de trilhas percorridas a pé ou com animais de carga.
A geografia obrigou os construtores a adaptar o caminho às montanhas e aos rios. Em vez de atravessar todos os maciços em linha reta, a estrada acompanha vales, sobe passos naturais e utiliza curvas para reduzir a inclinação. Décadas depois, túneis substituíram alguns dos trechos mais altos e perigosos, enquanto novas pontes evitaram travessias vulneráveis a enchentes e quedas de rochas. A Administração Estatal de Informações da China destaca a expansão das ligações terrestres como parte da transformação da infraestrutura regional.

Quais rios e montanhas tornam a Rodovia Sichuan–Tibete tão extrema?
A rota sul atravessa ou acompanha rios importantes, como Dadu, Yalong, Jinsha, Lancang e Nu. Muitos deles correm pelo fundo de desfiladeiros profundos, entre cadeias montanhosas formadas pela elevação do Planalto Tibetano. Por isso, uma mesma viagem pode alternar rapidamente entre pontes sobre águas turbulentas e passagens situadas milhares de metros acima do nível do mar.
Entre as áreas elevadas aparecem os montes Erlang, Zheduo, Gaoersi, Jianziwan, Dongda e Yela. Algumas passagens ultrapassam 4.500 metros, enquanto montanhas próximas alcançam mais de 6 mil metros. Fontes especializadas descrevem 14 grandes travessias montanhosas com médias entre 4 mil e 5 mil metros, além de riscos históricos associados a avalanches, desprendimentos de rochas e deslizamentos.
A Rodovia Sichuan–Tibete ainda é considerada perigosa?
As melhorias realizadas ao longo das últimas décadas mudaram significativamente a viagem. A pavimentação, os túneis, as barreiras de proteção e as novas pontes eliminaram vários pontos críticos. A Xinhua informa que praticamente todos os trechos receberam ampliação e asfalto, enquanto túneis passaram a contornar algumas passagens expostas a neve e quedas de pedras.
No entanto, a Rodovia Sichuan–Tibete continua exigindo atenção. Chuvas podem provocar deslizamentos, a neve fecha passagens e a altitude causa mal-estar em pessoas que sobem rapidamente. Além disso, as longas descidas exigem controle constante dos freios. Mais do que uma estrada perigosa, ela representa uma ligação extrema moldada pela geografia: atravessa mais de 2 mil quilômetros, cruza algumas das maiores montanhas da China e transforma uma descida de curvas incontáveis em uma das imagens rodoviárias mais reconhecidas da Ásia.
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