O asteroide metálico de 280 km que virou uma fortuna impossível e pode revelar como nasceram os núcleos dos planetas
A nave da NASA passou por Marte em maio de 2026 e chegará em 2029 para descobrir se Psyche guarda o interior de um mundo destruído
Entre Marte e Júpiter, um corpo irregular atravessa o espaço com uma superfície que nenhum telescópio conseguiu explicar por completo. Estimativas populares transformaram seus metais em uma fortuna maior do que toda a economia terrestre, mas a NASA procura algo que o dinheiro não compra. A missão pretende observar uma parte da história planetária que permanece inacessível milhares de quilômetros abaixo dos nossos pés.
Por que o asteroide Psyche despertou tanto interesse científico?
O 16 Psyche fica no cinturão principal de asteroides e possui formato irregular, semelhante a uma batata achatada. Ele mede aproximadamente 280 quilômetros em seu ponto mais largo e 232 quilômetros no outro eixo principal. Além disso, completa uma volta ao redor do Sol em cerca de cinco anos terrestres, enquanto gira sobre o próprio eixo em pouco mais de quatro horas.
Os cientistas se interessaram pelo objeto porque as observações indicam uma presença incomum de metais. Durante anos, pesquisadores imaginaram que ele poderia ser o núcleo exposto de um pequeno planeta destruído por colisões no início do Sistema Solar. No entanto, análises mais recentes sugerem uma composição menos simples, com uma mistura de metal e silicatos.
Do que o asteroide Psyche realmente pode ser feito?
As melhores estimativas disponíveis indicam que os metais representam entre 30% e 60% do volume do asteroide, enquanto materiais rochosos semelhantes aos silicatos completam grande parte da estrutura. Portanto, Psyche provavelmente não é uma bola maciça de ferro e níquel. Os pesquisadores chegaram a essa conclusão comparando observações de radar, brilho, massa e resposta da superfície ao aquecimento solar.
- Ferro
- Níquel
- Silicatos
- Possíveis compostos de enxofre
- Elementos ainda não identificados
O vídeo “What steps would it take to send a spacecraft to an unknown metallic asteroid?”, publicado pelo canal Booktuber, apresenta a preparação da missão, os instrumentos científicos e as perguntas que orientam a viagem. Além disso, o material explica por que a NASA precisa observar Psyche de perto antes de afirmar que ele representa o núcleo de um antigo corpo planetário. Assim, o vídeo complementa o artigo ao mostrar que a aparência metálica ainda depende de confirmação direta.
A superfície também parece variar de uma região para outra. Modelos produzidos a partir de observações ópticas e de radar revelam grandes depressões semelhantes a crateras e diferenças na concentração de metal. Entretanto, ninguém conhece sua aparência real em alta resolução. A resposta começará a surgir quando a espaçonave entrar em órbita e produzir mapas detalhados.
O asteroide realmente vale US$ 100 mil quatrilhões?
Esse número surgiu de cálculos hipotéticos que multiplicam a quantidade estimada de metais pelo preço desses materiais na Terra. Algumas versões falam em US$ 10 quintilhões, enquanto outras aumentam a cifra para dezenas ou centenas de quintilhões, conforme a massa e os preços adotados. Por isso, não existe uma avaliação oficial única que transforme Psyche em um patrimônio comercial definido.
Além disso, trazer uma quantidade gigantesca de ferro e níquel para a Terra derrubaria os próprios preços usados no cálculo. A mineração exigiria tecnologias, energia e transporte que ainda não existem em escala comercial. Portanto, a comparação serve para ilustrar a quantidade potencial de recursos, mas não representa dinheiro disponível, patrimônio da NASA ou valor que poderia entrar na economia mundial.
Quais números mostram o tamanho da missão até o asteroide Psyche?
A NASA lançou a espaçonave Psyche em 13 de outubro de 2023, a bordo de um foguete Falcon Heavy. Em 15 de maio de 2026, ela passou a 4.609 quilômetros da superfície de Marte e usou a gravidade do planeta para aumentar sua velocidade em cerca de 1.600 km/h. Agora, segue diretamente para o cinturão de asteroides, com chegada prevista para julho de 2029.
Depois da chegada, a gravidade de Psyche capturará a espaçonave, e a fase científica começará em agosto de 2029. O veículo passará cerca de dois anos em diferentes órbitas, aproximando-se gradualmente para fotografar, mapear a composição e medir o campo gravitacional. Dessa forma, os cientistas poderão comparar regiões rochosas, metálicas e crateras sem recolher amostras.
Como a NASA vai investigar o asteroide Psyche sem pousar?
A espaçonave leva duas câmeras multiespectrais que registrarão a superfície em diferentes comprimentos de onda. Além disso, um espectrômetro de raios gama e nêutrons procurará elementos químicos, enquanto um magnetômetro tentará detectar sinais de um antigo campo magnético. Caso encontre magnetização remanescente, a equipe ganhará uma pista importante de que o corpo já teve um interior metálico derretido.
Os pesquisadores também usarão o sistema de comunicação por rádio para medir pequenas alterações na trajetória da nave. Essas mudanças ajudarão a calcular a distribuição de massa e o campo gravitacional do asteroide. Assim, a missão poderá indicar se o interior é uniforme, poroso ou formado por regiões com densidades diferentes, mesmo sem perfurar a superfície.

Por que essa viagem pode ajudar a entender o início dos planetas?
A Terra possui um núcleo rico em ferro e níquel, porém ele permanece escondido sob milhares de quilômetros de crosta e manto. Nenhuma perfuração humana consegue chegar perto dessa região. Psyche, por outro lado, pode preservar material semelhante ao que formou os interiores dos primeiros corpos rochosos. Portanto, estudar esse asteroide oferece uma maneira indireta de olhar para processos que aconteceram no início do Sistema Solar.
Ainda assim, a missão poderá revelar que Psyche não representa um núcleo exposto. Ele talvez tenha surgido de uma combinação diferente de materiais metálicos e rochosos, sem formar um planeta completo. Nesse caso, o resultado também será valioso, pois mostrará um tipo de mundo que a ciência nunca estudou de perto. O verdadeiro tesouro, portanto, não está em vender seus metais, mas em descobrir como colisões, calor e gravidade transformaram poeira cósmica nos planetas que existem hoje.
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