Fundada por 182 casais açorianos em 1750, a cidade catarinense com a 4ª melhor em ranking de qualidade de vida de Santa Catarina e a última escola de oleiros da América Latina
A escola de oleiros mantém vivo um ofício passado entre gerações
Quando se fala em herança açoriana em Santa Catarina, o crédito quase sempre vai para a capital. São José, colada a Florianópolis do outro lado da baía, é o quarto município mais antigo do estado, recebeu o primeiro núcleo de colonização alemã catarinense e hoje aparece entre os quatro melhores índices de desenvolvimento humano de todo o território catarinense.
Como 182 casais vindos dos Açores fundaram o quarto município catarinense?
Por ordem de Portugal, que precisava ocupar o litoral sul antes dos espanhóis. Segundo a Prefeitura de São José, 182 casais açorianos vindos das ilhas do Pico, Terceira, São Jorge, Faial, Graciosa e São Miguel colonizaram a área em 26 de outubro de 1750, fundando o povoado de São José da Terra Firme.
O crescimento foi rápido para os padrões da época. O povoado virou freguesia poucos anos depois, passou a vila em 1º de março de 1833, por resolução do presidente da província Feliciano Nunes Pires, e foi elevado a cidade em 3 de maio de 1856, pela Lei Provincial 415. No começo, o território ia de Lages até o Estreito, uma extensão que hoje abrigaria vários municípios da Grande Florianópolis.

Por que a cidade também é berço da colonização alemã no estado?
Porque foi ali que os primeiros colonos germânicos desembarcaram. Em 1829, quase oito décadas depois dos açorianos, o município recebeu o primeiro núcleo de colonização alemã de Santa Catarina, anterior a nomes muito mais associados a essa herança, como Blumenau e Joinville.
A mistura mudou o comércio e a mesa. Casarões de fachadas geminadas, técnica trazida das ilhas para proteger as famílias do vento sul, passaram a dividir espaço com costumes germânicos, e o município se firmou como entreposto comercial entre a ilha e o interior. Em 1845, Dom Pedro II e a imperatriz Teresa Cristina chegaram a visitar a cidade.

Quanto São José produz por morador e como vive quem está lá?
Produz acima da média do país. Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município fechou 2023 com PIB por habitante de R$ 57.623,86, valor superior à média nacional daquele ano, de R$ 53,9 mil, calculada pelo mesmo instituto.
Os indicadores sociais acompanham o número. A escolarização entre 6 e 14 anos chega a 98,23%, a mortalidade infantil ficou em 8,64 óbitos por mil nascidos vivos e o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) é de 0,809, faixa muito alta e o quarto melhor entre os 295 municípios catarinenses. A economia é sustentada por comércio, serviços e por uma base industrial de tecnologia, alimentos e metalmecânica que praticamente não existe na capital vizinha. O efeito aparece na demografia: o município saltou de 270 mil moradores no último censo para uma estimativa de 295 mil em 2025. É o mesmo movimento visto em cidades que mais conquistam novos moradores pela qualidade de vida.
O que faz da escola de oleiros uma exceção no continente?
Ser a última em pé. A Escola de Oleiros Joaquim Antônio de Medeiros é, conforme a Prefeitura de São José, a única instituição profissional específica em olaria de toda a América Latina, herança direta dos primeiros colonos.
O barro chegou junto com os açorianos e se instalou no bairro de Ponta de Baixo, onde surgiram os primeiros oleiros do litoral catarinense. Por gerações, telhas, tijolos e potes saíram dali para levantar boa parte das casas da região, e o ofício virou parte da identidade josefense antes de o comércio e a indústria tomarem o lugar.
O que ver no centro histórico açoriano?
O núcleo colonial cabe em uma caminhada de manhã, com igreja, teatro e casarões coloridos em volta da mesma praça. Confira abaixo o que organiza a visita:
- Teatro Adolpho Mello: o mais antigo de Santa Catarina e o quarto do país, batizado em homenagem ao violinista e maestro josefense que a imprensa da época chamava de Deus da Música.
- Casa da Cultura: ocupa o prédio da antiga Casa da Câmara e Cadeia e concentra boa parte da agenda cultural do município.
- Centro Histórico: casarões de fachadas geminadas erguidos pelos primeiros colonos, no traçado original do povoado de 1750.
- Jardim Botânico Max Hablitzel: um dos primeiros jardins botânicos catarinenses, no bairro de Potecas.
- Beira-Mar de São José: orla urbana voltada para a baía sul, com ciclovia e vista para a ilha de Santa Catarina.
- Kobrasol: bairro mais verticalizado do município, onde se concentram o comércio, os restaurantes e a vida noturna.
Quem se interessa pela cultura açoriana vai curtir esse vídeo do canal NDTV RECORD, com mais de 168 mil inscritos, sobre a Escola de Oleiros de São José:
Como é o clima em São José durante o ano?
A cidade é banhada pelas baías norte e sul de Santa Catarina, com clima subtropical e quatro estações bem definidas. A chuva se distribui pelo ano inteiro, mais concentrada no verão. Veja abaixo o que esperar de cada período:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Conheça a cidade que junta memória açoriana e economia de capital
São José vive à sombra da vizinha famosa e mesmo assim carrega o que Florianópolis não tem: o primeiro núcleo alemão de Santa Catarina, a última escola profissional de olaria da América Latina e uma riqueza por habitante que supera a de capitais bem maiores. Tudo a poucos minutos da ponte, ao redor de um centro histórico do século XVIII que continua de pé.
Você precisa atravessar a baía e passar uma manhã entre os casarões geminados de uma cidade que cresce rápido sem apagar de onde veio.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)