Izabela Patriota na Crusoé: O mercado de exceções na pauta dos costumes
Quem escreve as regras frequentemente consegue escapar delas. A lei continua existindo para todos os demais
Não faz muito tempo, escrevi nesta revista sobre o deputado estadual paulista Guto Zacarias, que constrangeu a então namorada a interromper uma gravidez enquanto construía sua carreira política como um dos principais defensores da pauta pró-vida no Brasil.
O episódio não seria um problema por si só, não fosse a distância entre seu discurso público e suas escolhas na esfera íntima.
Agora, um escândalo semelhante acaba de derrubar um dos principais políticos da Alemanha.
Jens Spahn, da União Democrata Cristã (CDU), anunciou recentemente o nascimento de seu filho por meio de gestação por substituição, popularmente conhecida como barriga de aluguel, realizada nos Estados Unidos.
À primeira vista, não há nada de particularmente escandaloso nisso. Trata-se de um casal homossexual que decidiu recorrer a um procedimento legal em outro país para formar uma família.
A “barriga de aluguel“, expressão popular para a gestação por substituição, é a técnica pela qual uma mulher gesta um bebê para outra pessoa ou casal, que assumirá a parentalidade da criança após o nascimento.
O procedimento surgiu justamente para permitir a formação de famílias que, por razões médicas ou biológicas, não poderiam existir de outra forma.
É certo que a gestação por substituição envolve dilemas morais legítimos. O problema, porém, começa quando a decisão de recorrer a ela é tomada justamente por quem passou anos defendendo que essa possibilidade fosse negada aos demais.
Como ministro da Saúde e, depois, uma das principais lideranças de seu partido, Spahn sempre apoiou a proibição…
Siga a leitura em Crusoé. Assine e apoie o jornalismo independente.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)