Flávio e PP: a neutralidade fala mais alto que um palanque

04.11.2026

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O Antagonista
Flávio e PP: a neutralidade fala mais alto que um palanque
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Wilson Lima
3 minutos de leitura 31.07.2026 11:44 comentários
Análise

Flávio e PP: a neutralidade fala mais alto que um palanque

O partido anunciou que não convocará convenção nacional para formalizar uma aliança e, portanto, não indicará o vice do candidato do PL

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Wilson Lima
3 minutos de leitura 31.07.2026 11:44 comentários 1
Flávio e PP: a neutralidade fala mais alto que um palanque
Foto: Reprodução de vídeo

A decisão do Progressistas (PP) de permanecer neutro na disputa presidencial e, com isso, possivelmente, inviabilizar a entrada da senadora Tereza Cristina na chapa de Flávio Bolsonaro, era algo esperado e que orienta uma prática costumeira do Centrão: preservar liberdade de movimento para o dia seguinte da eleição.

O partido anunciou nesta sexta-feira, 31, que não convocará convenção nacional para formalizar uma aliança e, portanto, não indicará o vice do candidato do PL.

À primeira vista, a decisão pode parecer uma derrota política para Flávio Bolsonaro, que buscava em Tereza Cristina um nome capaz de ampliar sua interlocução com o agronegócio e com setores moderados do eleitorado. Mas o gesto do PP diz muito mais sobre o próprio partido do que sobre a campanha do senador.

O Progressistas jamais construiu sua identidade em torno de projetos presidenciais. Sua marca histórica sempre foi outra: ocupar espaços de poder, independentemente de quem esteja no Palácio do Planalto. Foi assim nos governos petistas, quando integrou a base de Lula e Dilma. Foi assim também durante a administração de Jair Bolsonaro, da qual se tornou um dos principais sustentáculos no Congresso, chegando a comandar a Casa Civil com Ciro Nogueira.

Essa trajetória não representa uma contradição na lógica interna do partido. Ao contrário: ela revela um pragmatismo que sempre foi tratado como ativo político. O PP raramente fecha portas. Prefere mantê-las entreabertas. E, por isso, mantém há décadas seu protagonismo em Brasília.

É justamente por isso que a neutralidade anunciada agora deve ser interpretada menos como uma recusa a Flávio Bolsonaro e mais como um seguro político para 2027.

Ao abrir mão da vice-presidência, o partido evita assumir um compromisso exclusivo com um dos polos da disputa. Preserva, assim, a capacidade de negociar espaço no eventual governo que emergir das urnas, seja ele liderado pelo atual presidente Lula, caso reeleito, por Flávio ou por qualquer outro candidato que venha a vencer a eleição.

Na prática, o PP reduz seu risco eleitoral. Caso Flávio seja derrotado, não carregará o custo político de ter apostado todas as fichas em uma candidatura derrotada. Caso o senador vença, poderá argumentar que jamais rompeu pontes com o campo conservador. A neutralidade funciona como uma apólice de seguro institucional.

Independentemente de quem vencer a eleição, o partido pretende chegar a 2027 com o mesmo patrimônio político que cultivou ao longo das últimas décadas: liberdade para negociar.

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Wilson Lima

Wilson Lima é jornalista formado pela Universidade Federal do Maranhão. Trabalhou em veículos como Agência Estado, Portal iG, Congresso em Foco, Gazeta do Povo e IstoÉ. Acompanha o poder em Brasília desde 2012, tendo participado das coberturas do julgamento do mensalão, da operação Lava Jato e do impeachment de Dilma Rousseff. Em 2019, revelou a compra de lagostas por ministros do STF.

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Comentários (1)

Annie

31.07.2026 14:02

Talvez Teresa Cristina tenha aceitado ser vice, sabendo que não poderia pela posição do partido.


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