O submarino nuclear de 175 metros com piscina e sauna
Gigante soviético carregava 20 mísseis e oferecia áreas de descanso para missões que podiam durar meses
Por fora, ele parecia largo demais até para os padrões dos submarinos nucleares. Por dentro, porém, o gigante soviético escondia corredores, áreas de convivência e uma pequena piscina com água aquecida, algo praticamente impensável em uma embarcação militar submersa.
Por que o submarino classe Typhoon ficou tão gigantesco?
Conhecido na União Soviética como Projeto 941 Akula e chamado de Typhoon pela Otan, o submarino foi desenvolvido durante a Guerra Fria para operar principalmente nas regiões geladas do Ártico. Com 175 metros de comprimento e cerca de 23 metros de largura, tornou-se a maior classe de submarinos já construída em deslocamento submerso.
O tamanho não surgiu apenas para impressionar adversários. Os mísseis R-39 eram grandes e pesados, enquanto a embarcação ainda precisava acomodar reatores, sistemas de navegação, alimentos e uma tripulação numerosa durante patrulhas prolongadas. Por isso, os projetistas criaram uma arquitetura interna muito diferente da utilizada em submarinos convencionais.
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Como piscina e sauna cabiam dentro de um submarino?
A largura incomum permitiu reservar uma área para descanso, com academia, sauna e uma pequena piscina. A estrutura recreativa ajudava a reduzir os efeitos físicos e psicológicos do confinamento, já que aproximadamente 160 tripulantes poderiam permanecer durante meses sem contato direto com o mundo exterior.
A piscina não se parecia com as encontradas em clubes, pois media apenas alguns metros e funcionava mais como um tanque para exercícios e relaxamento. Ainda assim, ela podia receber água doce ou salgada aquecida. Além disso, a sauna revestida de madeira e os equipamentos de ginástica tornavam a rotina menos monótona durante as longas patrulhas.
- Piscina compacta com sistema de aquecimento
- Sauna revestida internamente com madeira
- Academia para exercícios durante o confinamento
- Áreas de convivência para os períodos de descanso
- Acomodações destinadas a aproximadamente 160 tripulantes
- Autonomia planejada para missões de até cerca de 120 dias
O documentário “Inside Russia’s Typhoon Submarine in the Early 2000s”, publicado pelo canal SLICE History, acompanha a tripulação do submarino Severstal durante uma missão no início dos anos 2000. A produção mostra corredores, alojamentos, áreas de descanso e procedimentos de rotina, ajudando a compreender como dezenas de pessoas viviam dentro dessa enorme estrutura durante semanas de isolamento.
Como dois grandes cascos formavam uma única embarcação?
Em vez de utilizar apenas um grande cilindro pressurizado, os engenheiros colocaram dois cascos principais paralelos dentro da cobertura externa. Outros compartimentos menores protegiam áreas de comando, torpedos e equipamentos. Assim, a embarcação ganhou uma forma larga, frequentemente comparada à de um catamarã submerso.
O Escritório Central de Projetos Rubin, responsável pelo desenvolvimento, descreve o Projeto 941 como uma construção única na história naval. Além de abrir espaço para os grandes sistemas internos, a separação dos compartimentos aumentava a reserva de flutuação e limitava os efeitos de uma eventual entrada de água em uma área isolada.
Quais números definem o submarino classe Typhoon?
O casco alcançava 175 metros de comprimento, quase o tamanho de dois campos de futebol colocados em sequência. Entretanto, a característica mais fora do comum era a largura próxima de 23 metros, muito superior à de várias outras classes de submarinos estratégicos construídas no mesmo período.
Quando totalmente submerso, o deslocamento chegava a aproximadamente 48 mil toneladas. Além disso, dois reatores nucleares forneciam energia para os sistemas e para a propulsão, permitindo velocidades submersas próximas de 27 nós. Seis unidades foram concluídas pela União Soviética entre o fim dos anos 1970 e a década de 1980.
| Comprimento | 175 metros |
| Largura | Cerca de 23 metros |
| Deslocamento submerso | Aproximadamente 48 mil toneladas |
| Tripulação | Cerca de 160 pessoas |
| Silos de mísseis | 20 unidades |
Por que a embarcação carregava 20 grandes mísseis?
O Projeto 941 foi concebido como um submarino lançador de mísseis balísticos, parte da estratégia nuclear soviética durante a Guerra Fria. Seus 20 silos ficavam na parte dianteira, entre os dois grandes cascos pressurizados, em vez de serem instalados atrás da torre como ocorre em muitas outras embarcações.
A proposta era manter a embarcação escondida em regiões protegidas pelo gelo ártico, garantindo capacidade de resposta mesmo durante uma crise extrema. No entanto, a dimensão desse sistema também elevava os custos de manutenção, exigia instalações especiais em terra e tornava qualquer modernização muito mais complexa.

Por que o submarino classe Typhoon saiu de serviço?
Com o fim da União Soviética, manter embarcações tão grandes ficou financeiramente difícil. Além disso, os mísseis originais envelheceram, enquanto submarinos mais modernos passaram a desempenhar a mesma função com tripulações menores e custos operacionais reduzidos. Assim, parte das unidades foi desmontada e outras permaneceram atracadas por longos períodos.
O Dmitry Donskoy, primeiro exemplar construído, foi o último da classe a permanecer em atividade e acabou retirado de serviço em 2023. Mesmo sem unidades operacionais, o submarino classe Typhoon continua sendo o maior já construído e um símbolo contraditório da Guerra Fria: levava 20 mísseis estratégicos, porém também carregava piscina, sauna e academia para tornar a vida submersa um pouco mais suportável.
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