Carol Dweck: “Tornar-se é melhor do que ser”. Por que elogiar talento pode sair caro, segundo a pesquisa de Stanford
Carol Dweck explica por que "tornar-se é melhor do que ser" e como elogiar esforço, não talento, sustenta o aprendizado
“Tornar-se é melhor do que ser.” A frase é de Carol Dweck, psicóloga da Universidade Stanford, e resume décadas de pesquisa sobre por que tratar talento como algo fixo trava o desenvolvimento de qualquer pessoa.
O que Carol Dweck quer dizer com tornar-se é melhor do que ser?
“Ser” bom em algo sugere um estado permanente, provado de uma vez, que sobra apenas defender. “Tornar-se” sugere um processo em andamento, onde errar é dado, não veredito final sobre a própria capacidade.
Para Dweck, a segunda postura sustenta o desenvolvimento por mais tempo, porque não trata cada tropeço como uma ameaça à própria identidade.

Qual é a diferença entre mentalidade fixa e mentalidade de crescimento?
Na mentalidade fixa, a crença é que inteligência e talento são traços dados ao nascer, e o erro expõe um limite que não muda. Na mentalidade de crescimento, habilidade se desenvolve com esforço e prática, e o erro vira apenas informação sobre o que ainda falta treinar.
Pessoas com mentalidade fixa evitam desafios que possam expor falha. Pessoas com mentalidade de crescimento buscam justamente esses desafios, porque é ali que o aprendizado acontece.
Por que elogiar inteligência pode sair pela culatra?
Nos experimentos de Dweck com crianças, elogiar o resultado (“você é inteligente”) fez parte dos participantes evitar tarefas mais difíceis depois, com medo de perder o rótulo. Elogiar o processo (“você se esforçou bastante”) teve o efeito oposto: mais disposição para tentar problemas mais difíceis em seguida.
- Elogiar talento cria pressão para continuar parecendo talentoso, não para continuar aprendendo.
- Elogiar esforço e estratégia reforça exatamente o comportamento que sustenta melhora de verdade.
“não sou bom nisso”
trata a habilidade como encerrada.
“ainda não sou bom nisso”
a palavra “ainda” deixa a porta aberta para treino.
Como aplicar mentalidade de crescimento no dia a dia sem virar clichê?
Trocar “eu sou ruim nisso” por “eu ainda não sou bom nisso” já muda o tom da frase, mas o efeito de verdade vem de elogiar a estratégia usada, não só o esforço em si: “gostei de como você tentou de outro jeito depois do erro” funciona melhor do que um genérico “parabéns pelo esforço”.
Vale o mesmo na autoavaliação: perguntar “o que eu posso ajustar na próxima tentativa” rende mais do que repetir “eu não sirvo pra isso” depois de um resultado ruim.
Resumo do Livro: Mindset de Carol Dweck pic.twitter.com/uOgFwyfTo0
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O que a ciência já revisou desde a publicação original do livro?
Vale registrar, com honestidade, que réplicas posteriores da pesquisa de Dweck encontraram efeitos menores do que os divulgados originalmente, e parte da comunidade científica debate o tamanho real do impacto da mentalidade de crescimento sobre o desempenho.
Isso não anula a ideia central do livro Mindset: a Nova Psicologia do Sucesso: pesquisas sugerem que tratar habilidade como algo treinável, e elogiar processo em vez de rótulo, ajuda a sustentar esforço diante de dificuldade.
Só não deve ser vendido como fórmula garantida de sucesso. Dweck já havia tratado desse mesmo tema, com outro ângulo, no texto sobre o esforço como o que dá sentido à vida.

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