O menino da moradia popular que recebeu 217 nãos antes de transformar seis lojas em uma rede de 41 mil cafés
Inspirado pelas cafeterias de Milão, ele insistiu após centenas de recusas, comprou a Starbucks por US$ 3,8 milhões e construiu uma fortuna bilionária
Muito antes de comandar uma das marcas mais conhecidas do planeta, ele cresceu observando a insegurança financeira atingir sua própria família. A ideia que mudaria sua vida parecia simples demais para os investidores, mas exigiu centenas de apresentações até que alguém aceitasse apostar nela.
Como Howard Schultz saiu de uma moradia popular no Brooklyn?
Howard Schultz nasceu em 1953 e passou a infância no conjunto habitacional público Bayview, no bairro de Canarsie, em Brooklyn, Nova York. Filho de um motorista de caminhão e de uma recepcionista, cresceu em um apartamento pequeno, cercado por famílias de trabalhadores que enfrentavam dificuldades semelhantes às de seus pais.
Um dos episódios mais marcantes ocorreu quando ele tinha sete anos. Seu pai sofreu uma queda enquanto trabalhava, machucou a perna e ficou sem salário, indenização ou cobertura médica. Schultz conseguiu chegar à Northern Michigan University e formou-se em comunicação antes de iniciar a carreira em vendas, experiência que mais tarde o aproximaria do mercado de equipamentos para café.
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Por que Howard Schultz recebeu 217 nãos dos investidores?
Depois de deixar a Starbucks para abrir sua própria cafeteria, Schultz precisava financiar um conceito ainda pouco conhecido nos Estados Unidos. Ele apresentou seu plano a 242 potenciais investidores, mas 217 recusaram a proposta. Apesar da sequência de negativas, conseguiu levantar mais de US$ 1 milhão para abrir a Il Giornale, inspirada nos bares de café italianos.
- Investidores procurados: 242
- Respostas negativas: 217
- Empresa criada: Il Giornale
- Primeira unidade inaugurada: 1986
- Capital levantado: Mais de US$ 1 milhão
O episódio “Starbucks (with Howard Schultz)”, publicado pelo canal verificado Acquired, reúne o próprio empresário com os apresentadores para reconstruir a história da marca. O vídeo mostra como ele conheceu a Starbucks, explica a influência das cafeterias italianas e detalha a negociação que transformou a pequena Il Giornale na empresa que passou a carregar o nome Starbucks.
Como uma viagem a Milão mudou o futuro das cafeterias americanas?
Schultz entrou na Starbucks em 1982, quando a empresa ainda vendia principalmente grãos torrados, equipamentos e café para preparo doméstico. Em uma viagem a Milão, no ano seguinte, observou que as cafeterias italianas funcionavam como pontos de encontro onde as pessoas conversavam, faziam pausas e criavam vínculos com os atendentes. Ele voltou convencido de que aquela experiência poderia funcionar nos Estados Unidos.
Os fundadores aceitaram testar bebidas com espresso, mas não quiseram alterar o foco principal do negócio. Schultz saiu e criou a Il Giornale em 1985, mantendo a Starbucks como sua primeira investidora e fornecedora de grãos. Quando os proprietários decidiram vender a torrefação, o nome e seis lojas de Seattle, ele levantou US$ 3,8 milhões e concluiu a compra em 1987, conforme registra a história oficial da Starbucks.
Que números mostram o tamanho alcançado pela antiga rede de Seattle?
A empresa comprada em 1987 possuía seis lojas, uma torrefação e um nome já conhecido localmente. Sob a liderança de Schultz, o formato foi reorganizado em torno de bebidas preparadas, ambientes de permanência e expansão controlada das unidades. No exercício fiscal de 2025, a Starbucks registrou receita líquida consolidada de US$ 37,2 bilhões.
| 1987 | Seis lojas adquiridas em Seattle |
| 1991 | A rede alcança cerca de 100 unidades |
| 2025 | US$ 37,2 bilhões em receita anual |
| 2026 | 41.129 lojas em todo o mundo |
Ao final do segundo trimestre fiscal de 2026, a companhia informava 41.129 unidades, sendo 52% operadas diretamente e 48% licenciadas. Somente Estados Unidos e China concentravam 24.935 lojas. A expansão revela a distância percorrida desde a aquisição em Seattle, embora o crescimento tenha envolvido diferentes executivos, investidores e centenas de milhares de trabalhadores ao longo das décadas.
Como Howard Schultz levou a infância para dentro da Starbucks?
A imagem do pai machucado e sem proteção trabalhista influenciou a visão que Schultz dizia ter para a empresa. Ele afirmava que desejava construir o tipo de companhia em que seu pai nunca tivera a oportunidade de trabalhar. Em 1988, a Starbucks passou a oferecer benefícios de saúde a funcionários elegíveis de período integral e parcial, algo incomum no varejo norte-americano daquele período.
Em 1991, quando a rede possuía aproximadamente 100 lojas, surgiu o Bean Stock, programa que entregava opções de ações a empregados elegíveis, incluindo trabalhadores de meio período. A iniciativa ajudou a popularizar o termo “partners”, ou parceiros, usado pela empresa para se referir aos funcionários e associar o crescimento do negócio à participação de quem trabalhava nas lojas.

Por que essa trajetória ainda chama tanta atenção?
Em julho de 2026, a Forbes estimava o patrimônio de Schultz em aproximadamente US$ 3,6 bilhões. O valor é uma estimativa sujeita às oscilações das ações, dos investimentos e dos demais ativos ligados ao empresário, mas confirma a dimensão financeira alcançada por alguém que começou a vida em uma moradia pública de Nova York.
Schultz não criou a primeira Starbucks: a companhia foi fundada em 1971 por Gerald Baldwin, Gordon Bowker e Zev Siegl. Sua contribuição decisiva foi comprar os ativos da empresa, adotar o nome para a Il Giornale e transformar um pequeno comércio de grãos em uma experiência de cafeteria replicada mundialmente. Os 217 nãos impressionam porque mostram quantas vezes essa ideia esteve perto de terminar antes mesmo da primeira expansão.
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