O ex-catador de latinhas que quebrou seis vezes e transformou dois caminhões destruídos em um negócio de até R$ 60 milhões
A JR Diesel nasceu de um acidente em 1985 e cresceu ao transformar caminhões inutilizados em peças seminovas rastreáveis e com procedência
Antes de ocupar palcos como palestrante e comandar uma empresa conhecida em toda a América Latina, Geraldo Rufino conheceu o trabalho ainda criança. O negócio milionário não nasceu de um plano sofisticado, mas de um acidente que deixou dois caminhões destruídos e uma família sem dinheiro para absorver o prejuízo.
Quem é Geraldo Rufino e onde sua história começou?
Geraldo Rufino nasceu em 1958, em Campos Altos, Minas Gerais, e se mudou ainda pequeno com a família para São Paulo. Criado na favela do Sapé, na zona oeste da capital, perdeu a mãe aos sete anos e passou a conviver cedo com a necessidade de ajudar nas despesas de casa.
Aos oito anos, começou a trabalhar ensacando carvão. Entre os nove e os 11 anos, frequentou um aterro com o irmão José para procurar alimentos, objetos aproveitáveis e latas que pudessem ser vendidas a um depósito. O dinheiro era guardado dentro de latas de leite enterradas, até que uma máquina limpou o terreno e levou toda a pequena economia da dupla.
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Como Geraldo Rufino saiu do lixão para comprar o primeiro carro?
Depois de perder o dinheiro enterrado, ele e os irmãos criaram diferentes maneiras de recomeçar. Montaram carrinhos de madeira para aluguel, improvisaram um cinema dentro de casa e organizaram um pequeno campo de futebol pago. Aos 13 anos, Rufino conseguiu uma vaga como office boy, desde que voltasse a estudar, e mais tarde cresceu profissionalmente dentro do grupo responsável pelo Playcenter e pela rede Playland.
- Primeiro trabalho: Ensacador de carvão
- Período no lixão: Aproximadamente dos nove aos 11 anos
- Novo emprego: Office boy aos 13 anos
- Primeiro automóvel: Um Fusca comprado ainda adolescente
- Experiência profissional: Operação e direção na rede Playland
O vídeo “Conheça a história de superação de vida do Geraldo Rufino”, publicado no canal oficial de Geraldo Rufino, recupera os principais momentos dessa trajetória, desde a infância na favela até a criação da JR Diesel. O relato do próprio empresário complementa a pauta ao mostrar como os pequenos negócios familiares e o trabalho no parque de diversões formaram sua visão sobre vendas, atendimento e oportunidades.
Como dois caminhões destruídos deram origem à JR Diesel?
Depois de comprar o Fusca, Rufino adquiriu uma Kombi para que o irmão pudesse fazer carretos. O serviço cresceu, a família aumentou a frota e passou a trabalhar com caminhões destinados ao transporte de materiais. Em 1985, dois desses veículos sofreram um acidente e ficaram sem condições de continuar rodando. Como não havia seguro, as dívidas permaneceram mesmo com os caminhões parados.
A saída encontrada foi desmontar os veículos e vender separadamente tudo o que ainda funcionava. As peças foram comercializadas com rapidez, revelando uma demanda que a família ainda não conhecia. O prejuízo acabou originando a JR Diesel, empresa dedicada à desmontagem legal, ao reaproveitamento de componentes e à venda de peças seminovas para caminhões pesados.
O que explica uma empresa de peças faturar até R$ 60 milhões?
O crescimento não veio apenas da desmontagem dos veículos. A empresa investiu em organização de estoque, identificação de componentes, controle de procedência e técnicas de rastreabilidade. A JR Diesel informa que atua com peças seminovas para caminhões pesados e mantém o maior estoque brasileiro desse segmento, atendendo caminhoneiros, frotistas e empresas de transporte.
| Infância | Coleta e venda de materiais reaproveitáveis |
| 1985 | Dois caminhões destruídos viram peças |
| Anos 1990 | Estoque, rastreabilidade e novos clientes |
| Operação atual | Receita anual estimada entre R$ 50 milhões e R$ 60 milhões |
Em 2013, a operação já havia faturado R$ 50 milhões e desmontado cerca de 900 caminhões durante o ano. Em março de 2026, uma reportagem do Jornal do Comércio informou que a receita anual permanecia na faixa de R$ 50 milhões a R$ 60 milhões, mostrando que o valor repetido em sua história não representa patrimônio pessoal, mas o faturamento aproximado do negócio.
Como Geraldo Rufino conseguiu recomeçar depois de quebrar seis vezes?
Rufino afirma ter “quebrado” seis vezes ao longo da trajetória. Ele usa a expressão para descrever momentos em que ficou sem recursos, perdeu investimentos ou precisou reorganizar completamente uma atividade, e não necessariamente seis processos judiciais de falência. A crise mais pesada ocorreu após um projeto de venda de caminhões iniciado com uma montadora estrangeira terminar em 2003.
Segundo o perfil publicado pelo InfoMoney, ele perdeu aproximadamente R$ 8 milhões aplicados na operação e assumiu uma dívida de R$ 16 milhões. A recuperação contou com a participação da esposa e dos filhos, além da concentração da empresa novamente na desmontagem e na comercialização de peças. A reorganização de processos e a experiência acumulada permitiram que o negócio retomasse o crescimento.

Por que essa trajetória continua chamando tanta atenção?
A história reúne contrastes capazes de explicar sua força: uma criança que recolhia materiais descartados acabou construindo uma empresa baseada justamente no reaproveitamento de componentes. O que começou com latas encontradas em um aterro ganhou outra escala quando caminhões acidentados passaram a ser desmontados, catalogados e transformados novamente em mercadoria.
O caso também mostra que o crescimento não aconteceu em linha reta. Houve perdas, dívidas, mudanças de atividade e decisões malsucedidas antes da consolidação da empresa. Quase quatro décadas depois do acidente que iniciou a operação, a JR Diesel continua atuando no setor de peças pesadas, enquanto seu fundador transformou os recomeços em livros, palestras e uma das histórias empresariais mais conhecidas do Brasil.
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