A torre de 678,9 metros da Malásia que usa um esqueleto gigante para enfrentar ventos extremos
Núcleo de concreto, oito megacolunas e enormes treliças impedem que o segundo edifício mais alto do mundo balance além do limite seguro
A silhueta parece terminar muito acima das nuvens baixas que atravessam Kuala Lumpur. Vista do chão, sua fachada de vidro sobe em ângulos irregulares até encontrar uma agulha estreita e flexível. Por trás desse formato existe um esqueleto estrutural criado para impedir que uma torre de quase 680 metros balance além do limite seguro quando o vento atinge seus andares mais altos.
Como o Merdeka 118 se tornou a segunda torre mais alta do mundo?
O edifício possui 678,9 metros de altura arquitetônica e 118 andares acima do solo. De acordo com o Council on Vertical Urbanism, antigo Council on Tall Buildings and Urban Habitat, ele ocupa a segunda posição entre os edifícios mais altos do planeta, atrás apenas do Burj Khalifa, em Dubai. Também é o prédio mais alto da Malásia e de todo o Sudeste Asiático.
A construção foi erguida ao lado do histórico Stadium Merdeka, local onde a independência da Malásia foi declarada em 1957. A forma angular da torre foi inspirada no gesto de braço erguido feito pelo primeiro-ministro Tunku Abdul Rahman durante aquela cerimônia. As superfícies triangulares da fachada também remetem aos padrões geométricos encontrados no artesanato tradicional malaio.
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Por que o Merdeka 118 precisa de um esqueleto estrutural tão complexo?
Em uma construção dessa altura, o peso dos andares não é o único desafio. O vento exerce pressões diferentes em cada lado da torre e pode fazê-la balançar ou torcer. Para controlar esses movimentos, os engenheiros combinaram um núcleo central de concreto armado com megacolunas externas, colunas inclinadas, treliças de cinturão e grandes estruturas horizontais chamadas outriggers.
- Núcleo central rígido para suportar forças laterais
- Oito megacolunas distribuídas ao redor da torre
- Treliças que conectam o núcleo às colunas externas
- Concreto de alto desempenho nas áreas mais carregadas
- Ensaios em túnel de vento para avaliar oscilações
- Estrutura espacial especial dentro da longa agulha
O vídeo “VSL | Merdeka 118 in Kuala Lumpur”, publicado pelo canal Bouygues Construction, mostra etapas da construção e os sistemas empregados para erguer o segundo edifício mais alto do mundo. As imagens ajudam a visualizar a escala das colunas, dos pavimentos e das operações realizadas centenas de metros acima do centro de Kuala Lumpur.
Como o núcleo e as megacolunas controlam o balanço da torre?
O núcleo de concreto funciona como uma espinha dorsal vertical. Ele concentra elevadores, escadas e áreas técnicas, mas também recebe parte das forças provocadas pelo vento. Três conjuntos de outriggers, cada um ocupando três pavimentos de altura, conectam esse núcleo às grandes colunas posicionadas mais perto da fachada.
Quando o vento empurra o edifício, essas conexões fazem as megacolunas externas participarem da resistência. O resultado se aproxima do efeito produzido por uma pessoa que abre as pernas para aumentar a estabilidade do corpo. Em vez de deixar toda a carga concentrada no centro, o sistema distribui o esforço por uma área estrutural muito maior e reduz o deslocamento lateral dos andares superiores.
Quais números revelam a dimensão desse gigante de Kuala Lumpur?
A altura arquitetônica inclui a agulha, enquanto o andar ocupado mais elevado está a aproximadamente 502,8 metros do solo. A torre reúne cerca de 292 mil metros quadrados de área construída dentro de seu corpo principal, além dos espaços do complexo ao redor. Escritórios, hotel, áreas comerciais, restaurantes e mirantes ocupam diferentes faixas do edifício.
| 678,9 m Altura arquitetônica | 118 Andares acima do solo |
| 502,8 m Andar ocupado mais alto | 5 Pavimentos subterrâneos |
| 292 mil m² Área da torre | 2º lugar Ranking mundial de altura |
A diferença entre a altura total e o último pavimento ocupado ocorre porque uma parcela expressiva do edifício é formada pela agulha estrutural. Ela ajuda a criar o perfil reconhecível da torre e conta na medição arquitetônica oficial, pois faz parte permanente do projeto. Antenas técnicas removíveis, em contraste, não são consideradas nessa classificação.
Como a agulha de 160 metros enfrenta os ventos no topo?
A agulha possui aproximadamente 160 metros e corresponde a quase um quarto da altura total da torre. Por ser muito estreita e flexível, ela está mais sujeita a vibrações provocadas pelo vento do que os pavimentos largos abaixo dela. Os engenheiros criaram uma estrutura tridimensional de treliças para distribuir as forças e evitar que movimentos repetidos danifiquem suas conexões.
Modelos da estrutura foram avaliados em ensaios aeroelásticos de túnel de vento, capazes de reproduzir não apenas a pressão do ar, mas também a resposta dinâmica da agulha. A equipe ainda analisou a fadiga causada por milhares de eventos de vento acumulados ao longo da vida útil do edifício. A Arup afirma que o concreto de alto desempenho e os três conjuntos de outriggers deram à torre a rigidez necessária para resistir a condições extremas.

O que o Merdeka 118 representa para a cidade de Kuala Lumpur?
O nome “Merdeka” significa independência em malaio e liga diretamente o projeto ao estádio histórico localizado ao lado. Em vez de ocupar um terreno isolado e distante, a torre foi inserida em uma área marcada por edifícios históricos, redes de transporte e bairros consolidados. A escavação exigiu monitoramento geotécnico para limitar deslocamentos do solo e proteger as estruturas próximas.
O edifício foi inaugurado oficialmente em 10 de janeiro de 2024 e passou a dominar uma paisagem antes marcada principalmente pelas Torres Petronas. Sua importância não está apenas no recorde de altura: o sistema formado por concreto de alto desempenho, núcleo rígido, megacolunas e treliças demonstra como a engenharia consegue manter estável uma construção esbelta que sobe quase 680 metros acima de uma grande cidade tropical.
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