Desaparecida na ditadura chilena é encontrada viva na Argentina
Exame genético identifica professora que constava como executada pela ditadura de Pinochet há mais de cinco décadas
Um exame de DNA comprovou que Bernarda Rosalba Vera Contardo, dada como morta pelo regime militar chileno desde 1973, vive atualmente na Argentina. A confirmação foi anunciada pelo Poder Judiciário do Chile na segunda-feira, 27, encerrando um dos casos mais antigos da lista de desaparecidos políticos do país.
A ex-militante do Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR) foi localizada na cidade de Mar del Plata, província de Buenos Aires, após investigação conduzida dentro do Plano Nacional de Busca de Detidos Desaparecidos.
Prova genética encerra dúvida de décadas
Segundo o Poder Judiciário chileno, o resultado do exame pericial foi comunicado diretamente aos familiares de Vera Contardo. Em comunicado oficial, a instituição declarou que “os antecedentes científicos acreditaram uma probabilidade de identificação da senhora Bernarda Rosalba Vera Contardo superior a 99,9999%”.
A comparação genética utilizou amostras armazenadas no Banco Genético de Familiares de Detidos e Executados Políticos, mantido pelo Serviço Médico Legal chileno. O material foi cotejado com o perfil da filha de Bernarda, que tinha cinco anos quando perdeu contato com a mãe, em 1973.
Professora era tida como executada em 1973
Hoje com 80 anos, Vera Contardo integrava o Relatório da Comissão Verdade e Reconciliação, conhecido como Relatório Rettig, elaborado durante a redemocratização chilena. O documento registrava que a professora, então com 27 anos, foi presa em 10 de outubro de 1973 por participação em um assalto a um posto policial em Neltume, próximo à fronteira argentina.
Segundo o relatório, “se presume que foi executada na ponte Villarrica sobre o rio Toltén”, ao lado de outros 15 detidos da localidade de Liquiñe. A família nunca mais teve notícias dela após aquele período.
Trajetória incluiu Suécia e retorno à Argentina
Documentos do serviço de migração sueco indicam que, em 1978, uma mulher com a identidade de Bernarda obteve residência na Suécia e, posteriormente, a cidadania do país. Depois, ela teria retornado para viver na Argentina, onde permaneceu até ser localizada.
O caso veio à tona após reportagem da emissora Chilevisión, que identificou uma mulher com características e documentos compatíveis com os de Vera Contardo em Mar del Plata. A descoberta motivou o ministro em visita para causas de Direitos Humanos, Álvaro Mesa Latorre, a determinar o exame de DNA que confirmou a identidade.
Segundo apuração relatada pelo Poder Judiciário, este é o único caso, dentro do Plano Nacional de Busca, em que uma pessoa constante da lista oficial de desaparecidos foi encontrada com vida. Mesa Latorre abriu também um processo reservado para apurar responsabilidades no acompanhamento do caso ao longo dos anos.
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