Ponte entre Rússia e Coreia do Norte alarma Kiev
Estrutura rodoviária sobre o rio Tumen é vista por analistas como possível corredor militar entre Moscou e Pyongyang
Kiev observa com desconfiança a construção da primeira ligação rodoviária entre a Rússia e a Coreia do Norte, cujas obras avançam na fronteira entre a cidade russa de Khasan e a localidade norte-coreana de Tumangang.
Apesar de russos e norte-coreanos apresentarem o empreendimento como iniciativa comercial, o governo ucraniano teme que a via sirva para deslocar tropas, armamentos e suprimentos destinados ao conflito na Ucrânia.
O acordo para erguer a travessia foi selado em 2024, durante visita do ditador russo, Vladimir Putin, à capital norte-coreana.
Obras avançadas, data em aberto
Imagens de satélite mostram que a estrutura principal da ponte já está pronta. Do lado norte-coreano, a maior parte das instalações de fronteira também foi finalizada, enquanto a Rússia ainda trabalha em pontos de apoio, como postos alfandegários.
A inauguração chegou a ser marcada para junho, segundo anúncio feito por Pyongyang em abril, mas o evento foi postergado em razão de atrasos na conclusão das obras no lado russo. Nenhuma nova data foi divulgada até o momento.
Rota difícil de rastrear
Segundo reportagem publicada pelo jornal britânico The Guardian, o receio ucraniano se intensificou depois que a entidade de direitos humanos Truth Hounds concluiu que a nova via teria pouca relevância comercial, mas potencial para funcionar como canal logístico militar entre os dois países.
O argumento é que veículos rodoviários são mais difíceis de rastrear por imagens de satélite do que composições ferroviárias, já que podem alterar trajetos e cumprir etapas de carga e descarga com maior agilidade — o que dificultaria o monitoramento por agências de inteligência ocidentais.
O assunto ganhou repercussão adicional após o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, declarar que Moscou aguarda o envio de dezenas de milhares de militares norte-coreanos para reforçar sua campanha militar.
Governos de Kiev, Seul e países ocidentais já haviam relatado anteriormente o envio de soldados e equipamentos da Coreia do Norte à Rússia.
Versão russa aponta comércio
O governo russo nega qualquer finalidade militar e defende que o projeto tem caráter econômico. O ministro dos Transportes do país, Andrei Nikitin, disse que a nova passagem deve intensificar as trocas comerciais e otimizar a logística entre as duas nações.
Contudo, os números do intercâmbio bilateral alimentam dúvidas sobre essa justificativa: em 2024, o comércio entre os países somou apenas 34 milhões de dólares, valor considerado modesto diante do investimento superior a 100 milhões de dólares na obra.
O fluxo turístico também é limitado — em 2025, apenas 10 mil russos visitaram o território norte-coreano, país que mantém rígido controle sobre a entrada de estrangeiros.
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Comentários (1)
Sandra
28.07.2026 19:48A passividade dos países vai acabar aumentando os riscos de guerra no mundo e levando pros seus quintais as tropas da Rússia e da Coreia do Norte