MP denuncia grupo do PCC por monitorar autoridades
Um dos alvos era o promotor Lincoln Gakiya
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou quatro homens por suposta participação em uma organização criminosa ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) que monitorava autoridades públicas para possíveis atentados.
O principal alvo do grupo, segundo a denúncia, era o promotor de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Lincoln Gakiya (foto).
Os denunciados pelo MP são:
- Victor Hugo da Silva, conhecido como “VH” ou “Falcão”;
- Wellison Rodrigo Bispo de Almeida, o “Corinthinha” ou “Maurício”;
- Sérgio Garcia da Silva, o “Messi”;
- Adilson Audinir Oliveira Junior, o “Ju Machado”.
De acordo com o MP-SP, o grupo atuava de forma coordenada na coleta de informações sobre autoridades públicas, incluindo endereços, rotinas, trajetos, fotografias, vídeos e dados de familiares.
Segundo as investigações, esse material era encaminhado à Sintonia Restrita, setor do PCC responsável por coordenar atentados contra agentes públicos.
Já Sérgio teria sido encarregado de levantar informações sobre a rotina do promotor Lincoln Gakiya, em Presidente Prudente. Adilson, por sua vez, teria atuado como interlocutor do grupo, além de auxiliar na exclusão de mensagens e na destruição de vestígios digitais.
Cinco investigados foram presos entre julho e setembro de 2025 por tráfico de drogas. A partir da apreensão de seus celulares, a investigação identificou o suposto plano para assassinar Gakiya e Medina.
Segundo a denúncia, foram encontradas mensagens, registros de geolocalização, fotografias, vídeos, pesquisas sobre veículos e outros documentos relacionados ao monitoramento das vítimas.
O MP-SP também afirma ter identificado indícios da ligação dos investigados com outras atividades do PCC, como tráfico de drogas, tráfico de armas e crimes patrimoniais.
Para a Promotoria, os quatro integravam, ao menos desde junho de 2025, uma estrutura organizada da facção, com divisão de tarefas voltada à prática de diversos crimes, entre eles tráfico de drogas, delitos patrimoniais, crimes envolvendo armas de fogo e ações contra agentes públicos.
Os promotores, no entanto, decidiram não denunciar os investigados pelo crime de ameaça. Segundo a peça acusatória, apesar da gravidade das condutas apuradas, não houve ameaças diretas às vítimas por palavras, escritos ou gestos. Por esse motivo, entenderam que, neste momento, os fatos se enquadram no crime de integração de organização criminosa armada.
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