O túnel de 57 quilômetros escavado sob 2.300 metros de rocha que atravessa os Alpes em apenas 20 minutos
Duas galerias quase planas cruzam o interior da montanha e permitem a passagem de trens rápidos e composições pesadas entre o norte e o sul da Suíça
Durante séculos, cruzar o maciço de São Gotardo significou subir por rotas inclinadas, enfrentar curvas fechadas e depender das condições impostas pelos Alpes. A solução moderna não tentou vencer a montanha pelo alto: abriu uma passagem praticamente plana sob uma camada de rocha com mais de dois quilômetros de espessura.
Por que o túnel de Gotthard foi escavado na base dos Alpes?
A antiga ferrovia de São Gotardo precisa subir pelas encostas, atravessar curvas e alcançar altitudes maiores antes de descer novamente. Esse traçado histórico transformou a ligação entre o norte e o sul da Suíça, mas impõe limitações de velocidade, comprimento e peso aos trens, especialmente às composições de carga.
O novo projeto foi planejado como uma rota ferroviária de baixa altitude, quase sem inclinações acentuadas. Segundo o Departamento Federal de Transportes da Suíça, a passagem subterrânea reduziu em aproximadamente 30 quilômetros o percurso montanhoso entre os cantões de Uri e Ticino, permitindo que trens pesados atravessem os Alpes com menos esforço.
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Como foi possível atravessar 57 quilômetros de rocha?
A escavação não começou apenas pelas duas extremidades. Poços e galerias de acesso permitiram dividir a montanha em diferentes frentes de trabalho, fazendo com que equipes avançassem simultaneamente a partir de Erstfeld, Amsteg, Sedrun, Faido e Bodio. Cerca de 80% dos túneis principais foram abertos por tuneladoras, enquanto os 20% restantes exigiram perfuração e explosivos.
- Quatro tuneladoras avançaram por diferentes trechos
- Cabeças de corte trituraram as rochas mais resistentes
- Esteiras retiraram continuamente o material escavado
- Explosivos abriram áreas inadequadas para as máquinas
- Revestimentos estabilizaram as galerias após o avanço
O vídeo da DW acompanha a construção e mostra o tamanho das galerias, as máquinas utilizadas e o impacto da nova rota nas comunidades próximas. As imagens ajudam a compreender como várias frentes de escavação precisaram se encontrar dentro da montanha com extrema precisão após anos avançando separadamente.
O que acontece sob 2.300 metros de pedra?
A medida de 2.300 metros não representa a profundidade constante de todo o trajeto, mas a maior espessura de rocha existente sobre uma parte da estrutura. Nessa região, o peso da montanha produz grandes tensões sobre as paredes, enquanto o calor natural das formações subterrâneas tornaria o ambiente de trabalho extremamente quente sem ventilação e refrigeração.
A geologia também mudava ao longo do percurso. As equipes encontraram gnaisse resistente, granitos, áreas fraturadas e formações que poderiam deformar ou permitir a entrada de água. Sensores, sondagens e levantamentos geológicos orientaram o avanço, enquanto suportes metálicos, concreto projetado e revestimentos definitivos foram adaptados às condições de cada trecho.
Quais números transformaram o túnel de Gotthard em recorde?
O comprimento de 57 quilômetros corresponde ao percurso ferroviário principal, mas a obra completa é muito maior. Ao somar as duas galerias, os acessos, as passagens de emergência e as áreas técnicas, o sistema subterrâneo alcança aproximadamente 152 quilômetros de túneis e conexões.
| 01 | 57 quilômetros Extensão da travessia ferroviária principal |
| 02 | 2.300 metros Maior camada de rocha sobre a estrutura |
| 03 | 152 quilômetros Total de túneis, acessos e passagens |
| 04 | 28,2 milhões de toneladas Quantidade de rocha retirada da montanha |
| 05 | 17 anos Tempo de construção sem contar as sondagens iniciais |
A quantidade de material retirada chegou a 28,2 milhões de toneladas. Parte das rochas foi reaproveitada na produção de concreto e em outras áreas do projeto, reduzindo a necessidade de transportar todo o volume para locais distantes. A obra principal começou em 1999, alcançou o grande encontro das galerias em 2010 e foi inaugurada em junho de 2016.
Como os trens conseguem cruzar os Alpes quase sem subir?
O ponto mais alto da linha dentro da montanha fica a aproximadamente 550 metros acima do nível do mar, muito abaixo das antigas passagens alpinas. Como o trajeto apresenta inclinações pequenas, os trens de passageiros podem atravessar os 57 quilômetros em cerca de 20 minutos, mantendo velocidades elevadas sem percorrer curvas montanhosas.
Para o transporte de cargas, o benefício aparece na possibilidade de movimentar composições mais pesadas com menos locomotivas e menor consumo de energia. Em operação regular desde dezembro de 2016, a estrutura foi dimensionada para receber até 260 trens de carga por dia e faz parte da política suíça de transferir parte do transporte de mercadorias das rodovias para as ferrovias.

Por que o túnel de Gotthard foi construído com duas galerias?
Em vez de colocar trens nos dois sentidos dentro de uma única passagem, o projeto utiliza dois tubos separados, cada um com uma via. As galerias são conectadas por saídas de emergência aproximadamente a cada 325 metros, permitindo que passageiros deixem um tubo e alcancem o outro caso ocorra incêndio, pane ou outro incidente.
As áreas multifuncionais de Sedrun e Faido acrescentam sistemas de ventilação, mudanças de via e locais preparados para paradas de emergência. Esse desenho transforma a obra em muito mais que um furo de 57 quilômetros: trata-se de uma rede subterrânea planejada para manter trens rápidos e pesados circulando sob os Alpes enquanto oferece rotas alternativas quando alguma parte precisa ser isolada.
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