O navio de 458 metros que precisava de quase 9 km de oceano para conseguir parar completamente
Maior que o Empire State Building deitado, o petroleiro transportava cerca de 4,1 milhões de barris e não cabia nos principais canais
De longe, ele parecia uma faixa escura ocupando uma parte impossível do horizonte. Quando completamente carregado, descia quase 25 metros na água e transportava petróleo suficiente para abastecer uma longa sequência de navios menores. Seu tamanho era tão extremo que até interromper o movimento exigia quilômetros de oceano livre.
Por que o Seawise Giant se tornou o maior petroleiro já construído?
O navio começou a ser construído no Japão durante a década de 1970, mas sua forma recordista surgiu depois de uma ampliação radical. Uma nova seção foi acrescentada ao casco, elevando o comprimento original de cerca de 377 metros para 458,45 metros e aumentando em mais de 146 mil toneladas sua capacidade de carga.
O resultado foi o navio autopropelido mais longo já construído e o maior da história por tonelagem de porte bruto, com 564.763 toneladas. Segundo o Guinness World Records, seu casco superava em aproximadamente 15 metros a altura total do Empire State Building, incluindo a antena de 443,2 metros.
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Como o Seawise Giant transportava mais de 4 milhões de barris?
O interior era dividido em dezenas de tanques destinados ao petróleo bruto. Bombas, válvulas e tubulações permitiam distribuir a carga pelo casco sem concentrar peso demais em uma única região, uma precaução essencial em uma estrutura submetida continuamente às ondas e às tensões provocadas pela própria extensão.
- O casco possuía 46 tanques de carga
- A capacidade chegava a cerca de 4,1 milhões de barris
- A largura se aproximava de 69 metros
- O calado carregado ultrapassava 24 metros
- A área do convés superava 31 mil metros quadrados
- A velocidade máxima ficava próxima de 16,5 nós
O vídeo do programa Extreme Machines, da BBC, acompanha Jeremy Clarkson durante uma visita ao navio quando ele ainda navegava com o nome Jahre Viking. As imagens percorrem o convés, a sala de máquinas e a ponte de comando, revelando a diferença de escala entre os tripulantes e uma embarcação que parecia uma instalação industrial flutuante.
A carga máxima não podia ser recebida em qualquer terminal. O navio precisava operar em águas profundas e, quando totalmente carregado, não conseguia atravessar canais como Suez e Panamá. O calado também limitava sua passagem por rotas e portos onde a profundidade disponível seria insuficiente para manter o casco afastado do fundo.
Por que um navio tão grande precisava de quase 9 quilômetros para parar?
A ideia de que ele precisava de três quilômetros para interromper o movimento mistura duas medidas diferentes. Relatos associados ao capitão Surrinder Kumar Mohan indicam que, navegando perto da velocidade máxima e em condições favoráveis, o petroleiro poderia exigir aproximadamente 5,5 milhas, ou quase nove quilômetros, para parar completamente.
Os três quilômetros correspondem aproximadamente ao círculo necessário para realizar uma curva. Essas distâncias variavam conforme a velocidade, o peso da carga, o vento e o estado do mar, mas mostram por que qualquer manobra precisava ser planejada com grande antecedência. Mesmo após reduzir a potência ou inverter a hélice, centenas de milhares de toneladas continuavam avançando por inércia.
Quais números revelam a escala desse petroleiro?
O comprimento chamava mais atenção, mas não era a única medida fora do comum. A ampliação manteve a largura próxima de 68,8 metros e levou o calado máximo a aproximadamente 24,6 metros. Sua capacidade de porte bruto permaneceu como um recorde mesmo depois que estruturas flutuantes mais longas começaram a ser construídas.
| Número gigante | O que representava |
|---|---|
| 458,45 metros | Comprimento total após a ampliação |
| 564.763 toneladas | Tonelagem máxima de porte bruto |
| 68,8 metros | Largura aproximada do casco |
| 24,6 metros | Parte submersa quando carregado |
| 36 toneladas | Peso do enorme ferro de âncora preservado |
Até o equipamento usado para manter o navio parado se tornou uma peça de museu. A âncora preservada pelo Museu Marítimo de Hong Kong pesa 36 toneladas, possui uma haste de sete metros e mede 4,45 metros entre as extremidades, dimensões que oferecem uma referência concreta da escala necessária para controlar o casco.
Como o Seawise Giant sobreviveu a um ataque durante a guerra?
Em 14 de maio de 1988, durante a Guerra Irã-Iraque, o petroleiro foi atingido em um ataque aéreo enquanto estava próximo ao terminal iraniano da ilha de Larak. O incêndio provocou danos severos no convés e no casco, levando o navio a ser considerado uma perda total naquele momento.
A estrutura, contudo, não desapareceu no fundo do mar. Depois do conflito, o casco foi comprado, levado para reparos em Singapura e reconstruído com milhares de toneladas de aço. Ele voltou ao serviço como Happy Giant e, pouco depois, recebeu o nome Jahre Viking, iniciando uma segunda fase de operações oceânicas.

Por que o maior navio do mundo acabou desmontado?
Em 2004, o petroleiro deixou de trabalhar regularmente como cargueiro e foi convertido em uma unidade flutuante de armazenamento e transferência de petróleo. Rebatizado como Knock Nevis, passou seus últimos anos ancorado no campo petrolífero de Al Shaheen, no Catar, onde seu enorme casco funcionava como reservatório marítimo.
Quando essa atividade terminou, o navio recebeu seu último nome, Mont, e seguiu para Alang, na Índia. Foi desmontado em 2010, tornando-se também o maior navio já enviado para sucateamento. O casco desapareceu, mas a âncora preservada mantém a lembrança de uma época em que aumentar o tamanho parecia a resposta definitiva para transportar petróleo entre continentes.
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