Acordo bilionário põe fim a processos contra Johnson & Johnson
Acerto cobre ao menos 95% das reivindicações apresentadas contra a farmacêutica; empresa nega que produto cause câncer
A Johnson & Johnson concordou nesta segunda-feira, 27, em pagar US$ 5,5 bilhões para pôr fim a uma série de ações judiciais que associam seus produtos à base de talco ao câncer de ovário.
O entendimento, segundo a farmacêutica, alcança pelo menos 95% das reivindicações apresentadas contra a empresa em tribunais estaduais e federais dos Estados Unidos, encerrando um litígio iniciado há 15 anos.
Para valer, a resolução depende da adesão dos principais escritórios que representam os autores das ações relacionadas ao talco.
Atualmente, a companhia responde a cerca de 76 mil processos que atribuem casos de câncer de ovário ao uso de seu talco para bebês.
Ao longo de todo esse período, a J&J negou que o produto fosse cancerígeno e sustentou que ele nunca teve amianto em sua composição — argumento usado pelos autores das ações contra a fabricante.
O talco mineral para bebês foi retirado das prateleiras em todo o mundo em 2023, e a empresa chegou a recorrer três vezes à Justiça de falências na tentativa de fechar um acordo coletivo que encerrasse os processos, sem sucesso.
Indenização bilionária antecedeu o acordo
Em outubro, um júri da Califórnia condenou a J&J a pagar US$ 966 milhões à família de uma mulher que morreu após atribuir a doença ao uso prolongado do talco para bebês da marca — a maior indenização individual já concedida nesse conjunto de processos.
Em comunicado divulgado pela empresa, Erik Haas, vice-presidente de Contencioso da J&J, afirmou: “Embora estejamos confiantes de que a empresa teria prevalecido ao final de novas disputas judiciais, como ocorreu na grande maioria dos casos julgados até hoje, esta resolução permite que a empresa deixe essa questão para trás e permaneça focada em sua missão de desenvolver medicamentos e dispositivos que salvam vidas”.
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